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Tratamento natural para enxaqueca

O terapeuta Ilan Segre conta como curou seu problema integrando naturopatia, yoga, ayurveda e psicologia

Pixnio / Public domain (CC0)

Alimentação, movimento, treinamento mental e relaxamento integrados ajudam a prevenir doenças

Integrar o conhecimento de terapias como a naturopatia, yoga, ayurveda e psicologia foi o caminho encontrado pelo terapeuta Ilan Segre para entender a fundo as causas de seus problemas de saúde, principalmente a enxaqueca, e buscar alternativas naturais de cura. Segre viveu dois anos na Índia, onde fez pós-graduação em yogaterapia e estagiou no instituto de naturopatia Nisargopchar Ashram, fundado por Gandhi.

Ao entrar em contato com essas diferentes correntes, Segre constatou que não existe fórmula única para a prevenção e cura de doenças, mas identificou grandes vilões do equilíbrio físico, mental e emocional. São eles: intoxicação por excesso de agrotóxicos nos alimentos e medicamentos ingeridos, poluição, excesso ou ausência total de exercícios físicos, além de outros males da vida moderna, como a alimentação desequilibrada e artificial, falta de lazer e descanso, entre outros fatores.

“Não criei nada, mas apenas procurei unificar lógicas que pareciam desconexas”, explica o terapeuta, que reside em São Paulo. O diagnóstico que ele propõe analisa a constituição individual de cada pessoa, de acordo com a medicina ayurvédica, e considera suas características pessoais como estrutura física, mental, alimentação, tipo de energia que prevalece, carga e tipo de atividade física que executa, movimento e propósito de vida.

Sua experiência e trabalho como psicólogo, professor de yoga e terapeuta são temas do livro Terapia Integrativa – Ioga, naturopatia, psicologia e ayurveda, lançado pela Editora Ágora no final de 2012. No livro, ele relata que teve saúde frágil desde pequeno, especialmente do sistema respiratório, com crises de enxaqueca que foram se agravando no decorrer da sua vida, resistindo a tratamentos com analgésicos, dipirona, ácido acetilsalicílico ou paracetamol. Ou tinha dor de cabeça, ou eram gripes fortes. Sem resultados e cansado de tomar remédios alopáticos, tentou tratamentos como massagens, homeopatia, consultou diferentes especialistas, fez acupuntura, mas nada resolvia definitivamente as crises.

Experiência própria

Aos 31 anos começou a praticar yoga, junto com psicoterapia e massagens. Em 2006, iniciou um curso de formação de professor de yoga e aprofundou o conhecimento em posturas, meditação e as técnicas de limpeza shatkarmas (em sânscrito: shat = seis; karmas = processos). Em 2008, viajou à Índia e estreitou seu contato com a medicina ayurvédica, que o motivou a voltar em 2010 para uma pós-graduação em yogaterapia. Estudou textos antigos, práticas naturopatas de origem alemã (dietas/desintoxicação) e uso de alimentos e ervas para prevenir e tratar doenças.

Por dois anos, Segre testou em si mesmo as receitas e os tratamentos que ajudaram a melhorar significativamente suas crises de enxaqueca, as infecções e os resfriados constantes. Usando os mesmos princípios, trabalhou em conjunto com médicos na Índia, ajudando pacientes com outras doenças como constipação, artrite, asma, hipertensão e diabetes, entre outras. Defendeu sua dissertação sobre psicossomática no Nisargopchar Ashram.

Integrando conhecimentos e experiências, passou a utilizar a psicologia para reconhecer as causas mentais no adoecimento físico, à luz de textos antigos como o Yoga Vashita, que afirma que todas as doenças se originam antes na mente, seja por formas incorretas de pensamento, seja pelo uso inadequado dos órgãos dos sentidos. Usa o yoga e a linguagem da ayurveda para designar os tipos físicos e doenças.


Ilan testou os tratamentos em si mesmo e em outros pacientes, em parceria com médicos na Índia.

Plano de mudança

Com base na terapia integrativa, em sua consulta, realiza uma investigação profunda do que possa estar causando os desequilíbrios na vida dos pacientes e traça planos de mudança na alimentação, psicoterapia, movimento e outras possibilidades.

Propõe tratamentos como a psicoterapia focal, que tem a proposta de identificar pontos centrais que atuam como impeditivos ao progresso dos pacientes. Essa terapia que tem como base os ensinamentos de J. Krishnamurti, procura também apontar as possíveis causas e complicações para a manutenção do equilíbrio, prevenindo e capacitando os pacientes a reconhecerem os problemas agora e agirem a fim de evitar seu agravamento, mantendo o foco de sua atenção no momento presente.

Alimento e serenidade

Ao indicar um programa de alimentação aos pacientes, Segre considera a antiga sabedoria hindu dos “Upanishads”, parte final das antigas escrituras hindus, onde é dito que “o homem se transforma naquilo que come”. Para ele, “isso vale não só para a comida, mas para o que bebemos, aquilo que vemos, tocamos, sentimos e até mesmo apenas imaginamos. Por isso, nossa saúde é consequência direta de nossa percepção e de nossas escolhas”, afirma.

Cada alimento na natureza possui propriedades e características específicas, capazes de recondicionar o organismo e oferecer os nutrientes que estão faltando. Além de um efeito físico imediato, a comida também afeta a forma como reagimos emocionalmente aos fatos do dia a dia. As plantas e os alimentos naturais, quando combinados de forma correta, podem até acalmar dores e eventuais desconfortos. Por isso, conhecer os alimentos, suas propriedades, bem como saber prepará-los e administrá-los é essencial para nos mantermos serenos.

Sinal de alerta

Um dos primeiros passos para o equilíbrio é o relaxamento. Para auxiliar nesse processo Ilan indica a massagem ayurvédica indiana, Abhyanga, que literalmente significa untar o corpo com óleo. “Segundo o Charaka Samhita, um clássico de literatura ayurvédica, ao massagearmos o corpo com óleo, a pele fica macia, o corpo fica mais firme e livre de problemas oriundos de Vata, mais resiliente a exercícios e stress. A pessoa fica em geral menos vulnerável a doenças e mesmo a ferimentos acidentais. O corpo fica mais bonito, e menos sujeito ao envelhecimento precoce”, explica.

Segundo a medicina ayurvédica, todo tipo de dor é um sinal de alerta e indica bloqueios energéticos espalhados pelo corpo. Segre explica que a pressão em pontos vitais e a correta manipulação da estrutura muscular e óssea permitem o desbloqueio dos canais energéticos. Os óleos essenciais, por sua vez, podem nutrir os tecidos de forma orgânica e natural. Como consequência, ocorre um relaxamento profundo de toda musculatura e o realinhamento dinâmico mental. Os pensamentos tendem a se acalmar e se dissipar e o stress pode ser reduzido. O terapeuta explica que tornar a mente e o corpo mais serenos e alertas são os primeiros passos para restabelecer o equilíbrio.

A prática de yoga recomendada é aquela onde o aluno é tratado individualmente, de acordo com suas características únicas e necessidades individuais, para proporcionar fortalecimento físico e mental e possibilitar a reconexão de cada um com seu próprio ser. Para isso são empregadas técnicas milenares que incluem limpezas com água, exercícios respiratórios (pranayamas) e meditação, além das posturas clássicas (ásanas).

Limpeza e equilíbrio

A Terapia Integrativa propõe a cura através da alimentação, da movimentação, do correto treinamento mental e do relaxamento. Mas para alcançar um estágio de equilíbrio o corpo precisa passar por algumas fases e podem ser necessárias as seguintes ações:

  • Limpar: sistemas digestivo, respiratório e excretor
  • Relaxar: atuação nos sistemas respiratório, músculo-esquelético e sistema nervoso central
  • Nutrir: permitir ao corpo a reconstrução celular e dos órgãos
  • Tonificar: yoga ou movimentos para os sistemas respiratório, digestivo, musculoesquelético, endócrino e nervoso
  • Equilibrar: pranayama e meditação para tornar equilibrados o sistema nervoso e endócrino).

“Somos seres únicos e temos uma forma particular de viver, enxergar o mundo e eventualmente também de contrair determinados tipos de doenças. Da mesma maneira, eu preciso conhecer, entender e buscar junto com os pacientes alternativas para reverter o processo de adoecimento e assim, recuperar a capacidade de regeneração natural do organismo. Não existem fórmulas prontas. Mais do que uma terapia, é um caminho a dois, onde tão ou mais importante que a técnica, vem a confiança, o comprometimento e o retorno dos pacientes. Só assim é possível caminhar na direção da cura, estabelecendo uma sensível melhora na saúde e qualidade real de vida de cada um”, finaliza Segre.