Histórico

O conhecimento sobre o manejo dos agroecossistemas se desenvolveu e evoluiu, na história das civilizações, a partir da diversidade de recursos disponíveis. A utilização de tais recursos se deu através de uma herança cultural, guardando-se, portanto, as inovações decorrentes da produção do conhecimento das diversas sociedades.

Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e com o advento da Revolução Verde, a complexidade da produção tecnológica endógena perdeu lugar para a simplificação e a homogeneização do novo paradigma técnico e científico da agricultura convencional. A Revolução Verde é o processo que estimulou a utilização de sementes híbridas selecionadas, fertilizantes químicos, agrotóxicos, drogas veterinárias e maquinário pesado na agricultura, com a justificativa de que eles aumentariam a produção de alimentos, o que de fato ocorreu, porém, a um enorme custo ambiental, principalmente em razão do uso em massa de fertilizantes à base de nitrogênio.

Essa revolução foi criada pela mente do norte-americano Norman Borlaug, cientista vencedor do prêmio Nobel da Paz em 1970 e o responsável pelo desenvolvimento de técnicas agrícolas que aumentaram a produção e impediram, nos anos 1960, que a fome matasse milhares de pessoas na Índia, no Paquistão e nas Filipinas. Diante disso, o conhecimento científico foi considerado superior ao conhecimento das comunidades locais. Tal fenômeno produziu a desvalorização das estratégias de produção e reprodução das diferentes culturas. Esse conhecimento milenar deu lugar à ciência, a qual representava uma agricultura feita por tecnologias baseadas na químico-mecanização.

Na contramão desse movimento, outra forma de produção ganhava força desde o surgimento da agroecologia na década de 1930, na Suíça, a partir de estudos do biologista e político Hans Muller, o qual acreditava ser possível existir outra relação socioeconômica e política para o agricultor e sua produção. Muller defendia a autonomia do agricultor com base na comercialização direta.

Porém, somente nos anos 1960 o modelo agroecológico se difundiu. Isso ocorreu graças ao médico Hans Peter Rusch (1906-1977), que apresentou um método baseado nos princípios da proteção do ambiente, da qualidade biológica dos alimentos e do desenvolvimento de fontes de energia renováveis.

 

Brasil

Uma das questões que impulsionou o movimento agroecológico no país está ligada à expansão das relações capitalistas nas atividades agrícolas, implicando a dominação do sistema industrial no meio rural.

A predominância do setor industrial e, consequentemente, do setor econômico no campo resultou num controle da produção agrícola com menor grau de dependência da natureza, ocasionando num crescimento exorbitante do uso de fertilizantes e defensivos agrícolas.

A partir da década de 1960, o Brasil adotou a Revolução Verde como padrão de produção agrícola, registrando um aumento relativo da oferta de alimentos, porém sem solucionar a problemática da fome como era prometido em tal modelo, o que comprova que a fome no país relaciona-se diretamente à má distribuição de renda e à desigualdade social, impedindo o acesso a uma alimentação adequada e saudável para todos. Além disso, a adoção da agricultura convencional no país resultou também no uso intensivo de substâncias químicas, que trouxeram efeitos negativos à saúde humana e ao ambiente.

Na contramão desse modelo privilegiado pelo sistema econômico, também ganhava espaço a agroecologia, a qual se apresentava como uma forma de resistência à industrialização no campo.

Por isso, apesar da dominação da agricultura moderna na década de 1980, o período foi marcado pela ascensão dos movimentos sociais, em particular das lutas pela redemocratização do país, mas também pelas lutas em torno dos direitos da população mais carente. Nesse contexto, as contradições agrárias como modernização da agricultura, concentração de terra, êxodo rural e violência no campo também ganharam destaque, fazendo despontar a agroecologia como uma tecnologia alternativa à agricultura moderna ou agricultura convencional dominante até os dias de hoje.

Foi assim que surgiu, em 1984, na cidade de Cascavel, no Paraná, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Desde então, o MST passou a ser o maior responsável pela divulgação da agroecologia no Brasil. 

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