Na prática

O objetivo da fitoterapia no paradigma é a identificação da doença e sua eliminação, ou seja, a criação de um modelo bioquímico. A fitoterapia em outras linhas tradicionais como a medicina tradicional chinesa e a ayurvedica tem como objeto o reequilíbrio do indivíduo. Podemos chamar esse modelo de bioenergético(6). Essa diferença muda totalmente a perspectiva sobre a utilização terapêutica das plantas, bem como toda a metodologia de preparo, escolha e administração do remédio fitoterápico.
Independente da linha, na fitoterapia, existem as seguintes formas de utilização de um preparo:
 
Infusão: devem ser preparadas para uso imediato. Coloca-se a quantidade de planta indicada e sobre ela adiciona-se cerca de um copo (200 ml) de água potável fervente. Tampa-se e deixa-se a mistura em repouso por 15 minutos, coando depois.
Decocção: como a infusão, deve ser preparado para uso imediato. Coloca-se a quantidade de planta indicada em um recipiente que possa ser levado ao fogo, adiciona-se a água e deixa-se ferver por 15 minutos. A mistura deve ser coada no final do preparo. 
Tintura/Extrato Fluido (extrato alcoólico): é uma preparação normalmente manipulada em farmácias ou laboratórios, no entanto, pode ser feita em casa. Utiliza o álcool a 70% para extrair os princípios ativos da planta seca, sendo as proporções de concentração oficialmente padronizadas. O extrato fluido possui maior concentração de componentes químicos do que a tintura.
Alcoolatura: preparado feito a partir de plantas verdes e álcool a 95%.
Inalação: respirar o vapor da decocção da erva, também pode ser feita a inalação do óleo essencial da planta. Nesse ultimo caso não é necessária a infusão com a planta, somente algumas gotas de óleo essencial em um recipiente.
Cataplasma: aplicação da erva macerada diretamente sobre a região afetada. No caso de ervas secas, popularmente coloca-se as plantas em um pano de algodão, aquece-o e aplica-se no local.
Xarope: preparado feito com açúcar e extrato da planta.
Compressas: como as cataplasmas, são colocadas diretamente no local afetado. Os princípios ativos são extraídos com uma infusão ou decocção, com um pano limpo embebido da solução aplica-se no local afetado.
Pó: normalmente utilizado misturando em água, alimento ou dentro de cápsulas e comprimidos.
Pomada ou creme: o extrato vegetal em forma de óleo essencial, pó ou extrato alcoólico pode ser utilizado em uma base de creme ou pomada.
Sabão/sabonete: na preparação do sabonete utiliza-se o extrato alcoólico/tintura da planta.
Unguento: preparado de gordura vegetal mais tintura ou alcoolatura da planta a ser utilizada. 
Linimento: sumo das folhas da planta, misturado com um pouco de óleo.
Banho:  decocto ou infuso da planta na água do banho. 
Garrafada: preparação hidro alcoólica feita com pinga ou outra bebida alcoólica e combinações de ervas, muito comum na cultura popular brasileira. 
 
Paradigma científico biomédico — fitoterapia científica 
 
A maneira de administração clássica dentro deste paradigma visa elaborar como produto final medicamentos fitoterápicos.
As plantas são cultivadas e processadas com o objetivo de garantir padrões de referência de substâncias químicas com propriedades terapêuticas.
A via de administração, dosagem e periodicidade se embasam em critérios farmacológicos de absorção de substancias, interação bioquímica e efeitos metabólicos do fitoterápico.
As plantas são testadas em laboratório, em animais e posteriormente em seres humanos.
Processo de produção de um medicamento fitoterápico:
Botânica/Agronômica – identificação correta da planta, estudo de formas de cultivo e variação de princípios ativos em diferentes solos, climas, período de vida das plantas e épocas do ano. 
Farmacêutica – Identificação da(s) substância(s) de valor terapêutico no vegetal.
Ensaios biológicos – testes em ensaios laboratoriais, avaliação da toxicidade e efeitos em animais de laboratório.
Etapa clínica – testes em humanos
Fase 1 – são testadas as formas de administração e efeitos no organismo de algumas pessoas saudáveis.
Fase 3 – testes prolongados em pessoas doentes e comparações com medicamentos concorrentes.
Fase4 – testes prolongados em maior número de pessoas doentes (essa etapa leva anos pra ser concluída).
 
Paradigma da medicina tradicional chinesa:
 
As plantas na medicina chinesa são classificas segundo diversos efeitos no fluxo de energia do corpo. É utilizada para corrigir os “padrões de desequilíbrio energético”.
Nela, o ser humano é compreendido pelo constante movimento das energias Yin e Yang, as quais fluem por canais (meridianos) em todo o corpo. A utilização de agulhas, calor ou outras formas de estimulo em pontos específicos interfere na circulação da energia vital. Esse tratamento pode ser acompanhado por fitoterapia. Nesse caso, as plantas medicinais são classificadas, escolhidas e administradas por suas ações na dinâmica energética dos meridianos.
Penetração – meridiano(s) ou canais de energia que age:
Pulmão
Intestino Grosso
Estômago
Baço/Pâncreas
Coração
Intestino Delgado
Bexiga
Pericárdio
Triplo Aquecedor
Vesícula-biliar
Fígado
Função
Eliminação
Transformação
Ativação
Aquecimento
Contenção
Tonificação
Natureza
Frios: yin
Quentes: yang
Refrescantes: menos frios
Amornantes: ervas menos quentes
Neutros: Yin e Yang em equilíbrio
Ácido
Amargo
Doce
Picante
Salgado
 
Paradigma da medicina ayurvédica:
 
Pelo sistema da ayurveda toda a planta possui uma parte sutil. Portanto, a ação esperada e os critérios de escolha e qualidade dessa planta estão alinhados com essa parte sutil.
Vrikruti é o dosha em desequilíbrio e, portanto, causador da doença, a condição momentânea em que a pessoa se encontra, e que deve ser corrigido.
Toda a terapêutica é baseada no equilíbrio dos três doshas. São eles:
Pitta fogo e água, suas características são quente, oleoso e leve.
Vata ar e éter, suas características são seco, leve e frio.
Kapha água e terra, suas características úmido, pesado e frio.
As plantas utilizadas na ayurveda são classificadas da seguinte forma:
Sabor (rasa) — formado pela combinação dos cinco elementos (fogo, terra, agua, ar e espaço) na planta, se refere ao efeito inicial da planta. O sabor (rasa) é imediatamente percebido na língua ao ser ingerido, mas seu efeito se observa em todo o corpo, incluindo a mente. Os sabores equilibram, agravam ou reduzem os doshas. 
Doce - terra + água 
Ácido - terra + fogo 
Adstringente - terra + ar 
Picante - ar + fogo 
Amargo - ar + espaço
Potência (virya) — Literalmente quer dizer vigor, uma planta sem essa característica não apresenta propriedade medicinal.
Quente
Frio
Efeito pós-digestivo (vipak) — ocorre depois da digestão do medicamento. Existem apenas três a partir dos seis sabores: os sabores doce e salgado têm um efeito pós-digestivo; o sabor ácido apresenta após a digestão o mesmo sabor, ou seja, ácido; já os sabores picante, amargo e adstringente tornam-se picantes após a digestão.
Efeito especial (prabhava) — algumas substâncias têm propriedades especiais em razão do efeito que produzem na mente.
Quando a fitoterapia é prescrita na ayurveda, essas quatro propriedades são levadas em conta. Semelhante à medicina tradicional chinesa, normalmente, na medicina milenar indiana são utilizadas fórmulas com varias plantas valendo-se do efeito sinérgico de cada uma.

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