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Moda sustentável e trabalho digno

Nara Guichon e a importância de combater a desigualdade social, exploração infantil e a poluição do meio ambiente

Ligia Minami

Para Nara Guichon, o ato de comprar é uma escolha que precisa ter consciência e responsabilidade social

Poluição, mão de obra escrava e exploração infantil, são esses problemas que, segundo Nara Guichon, estão por trás de manequins bonitos e peças cheias de estilo. A estilista brasileira promove o ativismo sustentável através da moda com a finalidade de alertar as pessoas sobre o consumo responsável.

“Trabalho com moda sustentável desde 1973, reciclando materiais que iriam para o lixo” diz a estilista. Ela utiliza redes de pescar que não possuem mais utilidade para o ofício original. Em seu tear, Guichon produz peças singulares que carregam a mensagem de que a moda precisa ser diferente. Todos os produtos do ateliê da estilista são confeccionados com algodão orgânico, tintas naturais e matérias-primas reaproveitadas.

“O ser humano está o tempo todo votando, na medida em que escolhe comprar alimentos orgânicos ou quando compra uma roupa feita de maneira sustentável”, pontua Guichon sobre a importância de saber a procedência de tudo aquilo que consumimos. A estilista, que começou a costurar ainda pequena, acredita que essas escolhas cotidianas contribuem para diminuir os impactos socioambientais do consumo.

Para ela, moda sustentável é aquela que utiliza fibras orgânicas, produtos que não poluem o meio ambiente e respeita seus trabalhadores, pagando valores justos em todos os processos da produção. “Essa prática também pode estar ligada a produtos atemporais no sentido de qualidade. A moda insustentável é aquela que muitas vezes custa pouco, mas sai caro para o planeta e para a sociedade”, completa.

Roupa suja

Em 2013, uma pesquisa realizada pelo Greenpeace Internacional mostrou que algumas das maiores marcas do cenário fashion não se preocupam com o destino dos resíduos de suas produções têxteis. O ranking elenca 15 grandes marcas vendidas no mundo todo em uma disputa por uma produção mais sustentável. A pesquisa, que pode ser verificada no site da organização, apresenta uma realidade alarmante para os responsáveis por ditar as tendências da moda mundial.

“É fundamental que as pessoas saibam que a moda convencional esconde mão de obra escrava, infantil, trabalhadores em contato com agrotóxicos sem nenhuma proteção e cumprindo jornadas de mais de 12 horas por dia”, diz a estilista. Segundo ela, o excesso de estações e tendências que aparecem a cada ano aumenta ainda mais o consumo desenfreado em busca de ficar por dentro daquilo que está nas passarelas sem pensar na consequência do ato de comprar.

Denúncias de trabalho escravo em confecções na cidade de São Paulo foram apuradas pela Folha de S.Paulo em 2013, durante o maior evento de moda brasileiro, o São Paulo Fashion Week. A reportagem comparou a realidade dos trabalhadores bolivianos encontrados em locais sem estrutura, higiene e trabalhando por salários irrisórios, os quais proiduziam parte das peças utilizadas nos desfiles do evento. Esse enorme e inaceitável descompasso concretiza a desigualdade social no universo da moda.

Como saber o que estou comprando?

A ONG Repórter Brasil, que trabalha em defesa dos direitos humanos, criou em 2013 o aplicativo Moda Livre. Disponível de forma gratuita para telefones com sistema Android e iPhone, a ferramenta possibilita a consulta de maneira rápida sobre a reputação de grandes marcas vendidas no Brasil.

Políticas de combate ao trabalho escravo, histórico de investigações, transparência e monitoramento dos fornecedores são os tópicos presentes no aplicativo. Além disso, é possível também consultar uma lista de notícias recentes sobre novas investigações relacionadas ao trabalho escravo no Brasil e no mundo.

Fotos: Ligia Minami