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Desafio diário: entrar e sair do ônibus

A implantação de corredores e faixas exclusivas diminuiu o tempo de viagem, mas a lotação ainda é um problema

Sandra Adami

Em média, o passageiro leva 2h46min no ônibus, sete minutos a menos em relação a quem vai de carro

Acordar cedo. Tomar café. Escovar os dentes. Trocar de roupa. Pegar o ônibus. Essa costuma ser – não necessariamente nessa ordem – a rotina de milhões de brasileiros. O trajeto matinal nesse meio de transporte pode influenciar nosso humor no resto do dia. Se você, leitor, achou isso um exagero, pode ser porque provavelmente não é obrigado a utilizar ônibus nos horários de pico. Se logo pela manhã já temos de enfrentar uma multidão para entrar e sair do coletivo, acredite, isso pode interferir no nosso tão sonhado bem-estar diário.

Segundo pesquisa do Ibope de 2014 sobre mobilidade encomendada pela Rede Nossa São Paulo, o ponto mais crítico de insatisfação entre os usuários dos coletivos é a superlotação. A quantidade de passageiros aumentou em relação ao ano anterior (2013) para 39% dos entrevistados que andam diária ou esporadicamente de ônibus. Já 54% acham que esse fator permaneceu igual e apenas 7% consideram que ela diminiuiu.

Qual seriam as soluções para combater esse martírio diário? Entre as alternativas discutidas por especialistas, colocar mais e melhores ônibus nas ruas, agilizar o fluxo e investir pesadamente em outros transportes públicos são as ações mais unânimes. Em São Paulo, a atual gestão vem fazendo um esforço para ampliar faixas de ônibus. No total, elas já somam cerca de 430 km. Desses, 371 km foram implantados a partir de 2013, segundo fonte ligada à SPtrans.

O desafio de implantação é gigantesco. Algumas vias não têm espaço ou estrutura suficiente para comportar faixas exclusivas para ônibus, carros, motos e bicicletas. O resultado é um trânsito cada vez mais caótico. Isso não significa, contudo, que elas não devam existir. Priorizar cada vez mais para o transporte público e veículos não poluentes pode gerar uma enorme transformação urbana e uma transição de hábitos e mentalidade.


Melhorar os ônibus, agilizar o fluxo e investir em outros transportes públicos são alternativas

Apesar dos comentários contrários aos novos corredores e faixas exclusivas de alguns setores mais conservadores da sociedade, a pesquisa do Ibope também revelou que 90% dos entrevistados são favoráveis a aplicação das faixas de ônibus. A taxa de aprovação é alta inclusive entre os usuários frequentes do carro, atingindo a marca de 87%. O levantamento constatou também que elas foram responsáveis pelo aumento da velocidade dos coletivos e pela diminuição do tempo de viagem, o que justificaria a aprovação da maioria dos paulistanos.

Ainda assim, 28% dos entrevistados que nunca andam de ônibus apontaram que deixariam o carro na garagem e passariam a utilizar esse transporte caso o tempo de viagem fosse menor. Outro fator lembrado como prioridade por 26% dos entrevistados que não usam ônibus é a presença de mais linhas de ônibus em percursos não atendidos atualmente.

A pesquisa conseguiu detectar pela primeira vez que quem anda de ônibus leva uma pequena vantagem em relação a quem opta pelo automóvel. Em média, o passageiro fica 2h46min no ônibus, enquanto quem vai de carro gasta, em média, 2h53min no trânsito. 

Ônibus em 4º lugar

A 9ª edição do Desafio Intermodal organizado pelo instituto CicloBR em São Paulo em 2014  propôs aos participantes fazerem o trajeto da Praça Gentil Falcão, próxima à estação Berrini de trem, até o prédio da prefeitura, no centro, por diferentes meios de transporte e na hora do rush. Segundo o organizador Felipe Aragonez, o objetivo da ação não é competir, mas analisar a eficiência dos meios de transportes urbanos. O desafio contou com 11 participantes oficiais que foram andando, correndo, de bicicleta, metrô, skate, carro, moto, ônibus, trem, entre outros meios.

Paulo Teixeira, diretor financeiro do CicloBR, fez o trajeto com o ônibus da linha Terminal Santo Amaro - Terminal Bandeira (6002-10) e levou 53 minutos e 58 segundos para cumprir o desafio. “Foi tranquilo, não esperava que seria tão tranquilo. Viemos sentados, o ônibus não estava cheio. O tempo foi dentro do que estava previsto”, relata Teixeira. A marca atual bateu a do ano anterior que foi de 1 hora e 8 minutos.

Foto 2: Agência Brasília / Flickr / CC BY 2.0


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