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Como fazer uma massagem relaxante

Estudos mostram que estímulos sutis podem acalmar a mente e ativar memórias

Supcompserv / Flickr: Upper Back Remedial Massage / Public Domain Mark 1.0

A massagem com óleos essenciais é usada como uma terapia complementar a tratamentos tradicionais

O corpo pode ser considerado uma caixa de informações e memórias. As lembranças são despertadas através de diversos estímulos, como imagens, sons, toques e cheiros. Dentre os órgãos dos sentidos, a visão geralmente é a mais utilizada em nosso dia a dia, mas não é a única capaz de reaver momentos e sensações. Sessões de massagem podem levar nossa atenção para o tato e olfato, por meio do toque e da utilização de óleos aromáticos.

Os benefícios vão além do relaxamento. Ao nos concentrarmos nesses dois sentidos, muitas vezes esquecidos, é possível despertar sentimentos e acessar a memória do corpo. A memória corporal é armazenada em cada célula, sendo assim expressa em todo o corpo.

As descobertas da neurocientista Candace Pert, em mais de 50 anos dedicados à pesquisa da biofísica e biologia molecular, ajudam a compreender como a massagem pode ativar a memória. Pert identificou receptores na membrana da célula que têm a finalidade de captar os neuropeptídeos responsáveis pela sensação das emoções (1).

Quando uma informação chega à célula, segundo os estudos da cientista, há dois tipos de respostas possíveis: luta ou fuga. Quando não nos permitimos sentir determinada emoção, ocorre a “fuga” e o “congelamento” de estruturas que pode ocasionar dores físicas relacionadas à inibição de emoções. O movimento da massagem, com o auxílio do aroma, permite ao corpo liberar aquilo que estava estagnado, tensões físicas e emocionais.

Movimentos suaves

A massagem relaxante é realizada através de movimentos suaves e ascendentes. Além de promover o relaxamento muscular, favorece também o alívio do cansaço e das tensões mentais. Beneficia o sistema circulatório, linfático, muscular, metabólico e nervoso. Distingue-se da maioria das massagens por seguir sempre o fluxo linfático e sanguíneo.

A pele, devido à grande quantidade de terminações, pode ser considerada uma extensão do sistema nervoso. Estimulá-la com as mãos, de maneira sutil pode acalmar a mente e ativar a memória corporal.  Quando associado à aromaterapia, o tratamento passa a ser duplo, porque além de massagear pontos do corpo, o cérebro também recebe o estímulo do perfume dos óleos vegetais e essenciais utilizados pelo terapeuta.

Sinergia: massagem e aromaterapia

“Ao se identificar com o aroma do óleo, você relaxa”, comenta Ana Maria Perches, 63 anos, depois de uma massagem relaxante. “Permiti que aflorassem coisas antigas, lembrei de minha mãe. Indico para todo mundo, a memória é aguçada.”

“A massagem é uma das artes mais sutis – e ela não é somente uma questão de perícia. Ela é uma questão de amor”, diz Osho no Livro da Cura (2). “Esteja em seus dedos e em suas mãos como se todo o seu ser, toda a sua alma estivesse lá”.

A partir desta filosofia, percebe-se que a massagem vai bem além da técnica, ela é uma troca de informações e sentimentos. Os movimentos realizados com as mãos podem integrar aquilo que foi fragmentado ou esquecido.  Ao ser enriquecida com um óleo essencial, a massagem intensifica o aflorar de lembranças.

Acessar a memória por uma via não tradicional - a da razão – permite que as emoções fluam sem bloqueios e julgamentos. Ao receber a massagem, podemos apenas deixar as sensações, informações e sentimentos fluírem.

O toque que o bebê recebe da mãe quando nasce é assimilado pelo cérebro como uma manifestação de carinho e de amor. Cada vez que recebemos uma massagem, essa lembrança pode ser ativada. A oxitocina, também camada de “hormônio do amor”, provoca relaxamento, tolerância à dor e combate o estresse.

Leboyer, obstetra que desenvolveu a técnica de parto sem violência ou em que o bebê “nasce sorrindo”, escreve: “para o nariz, sentir é perceber o mundo mais adiante do que a mão pode alcançar”(3).

A medicina ayurvédica, originária da Índia, é uma das maiores adeptas à aplicação de massagens com óleos essenciais, devido aos diversos benefícios emocionais, físicos e nutricionais que esta proporciona ao indivíduo. No Brasil, a massagem e os óleos essenciais são utilizados como terapia complementar a tratamentos tradicionais e recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Aromas

Para maior fluidez do movimento, durante a realização de uma massagem, muitas vezes são usados óleos vegetais e óleos essenciais. Os óleos essenciais são extraídos de diversas partes de plantas como flores, folhas, cascas e frutos. Para a produção do óleo pelas células secretoras, a planta utiliza nutrientes do solo, água e luz.

Cada óleo tem uma formulação química e carrega em si uma informação. Ao ser inalado, esta informação é decodificada e encaminhada diretamente para o sistema límbico, também conhecido como o centro das emoções. Dependendo da formulação do óleo e da experiência de cada pessoa, o aroma pode agitar ou aquietar a mente, despertando diferentes sensações, aflorando memórias e alterando comportamentos.

Os principais tipos de aromas utilizados em terapias são: cítrico, floral, amadeirado, herbal, agridoce, frutado e balsâmico.

Óleos essenciais como lavanda, camomila, gerânio e néroli (obtido a partir da flor de laranjeira amarga) possuem propriedades sedativas a relaxantes. São indicados em casos de estresse, insônia, agitação mental e ansiedade. Laranja doce, alecrim, patchouli, manjericão, canela e gengibre são óleos com propriedades estimulantes. São indicados quando o indivíduo se encontra deprimido, cansado ou com baixa libido.

Contraindicações

Embora os óleos essências sejam substâncias naturais, devem ser utilizados com cautela. Suas propriedades estimulantes podem provocar efeitos indesejáveis em bebês, gestantes e epilépticos.

Os bebês podem se beneficiar de aromas leves, como lavanda e camomila, diluídos e nunca aplicados diretamente sobre pele. Outros aromas devem ser evitados ou utilizados com grande cautela.

Para gestantes, recomenda-se evitar óleos tônicos como tomilho, arnica, alecrim, canela, cedro e mirra, pois podem provocar a contração uterina. Óleos como ylang ylang, gerânio, mandarim, néroli e bergamota são indicados somente após o terceiro mês de gestação.

Epilépticos devem evitar o óleo essencial de alecrim, por este ser um forte estimulante cerebral. Óleos como camomila, lavanda, gerânio, grapefruit e outros sedativos são mais indicados. 

Foto:Thinkstockphotos

Referências

(1) PERT, Candace. Molecules of Emotion: Why You Feel the Way You Feel. Scribner: Nova Ioque,1997.

(2) OSHO. O livro da cura – da medicação à meditação. Rio de Janeiro, Bertrand Editora, 2010.

(3) LEBOYER, F. Nascer sorrindo. São Paulo, Brasiliense, 1994.

TRIPODI, Jonathan. The Body Memory Phenomenon in Massage Therapy. Freedom from Body Memory. Disponível em <http://www.freedomfrombodymemory.com/article_bmr_phenom.html> Acesso em:  19  set.  2013.
CAMPOS, Diana Catarina Ferreira de; GRAVETO, João Manuel Garcia do Nascimento. Oxitocina e comportamento humano. Rev. Enf. Ref.,  Coimbra,  v. serIII,  n. 1, jul.  2010 .   Disponível em <http://www.scielo.gpeari.mctes.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0874-02832010000300013&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  19  set.  2013.

HAAS, A; GARCIA, A. Expressão Coporal: aspectos gerais. Porto Alegre: EdiPUCRS, 2008

LAVABRE, M. Aromaterapia a cura pelos óleos essenciais. Rio de Janeiro. 5° ed. Record, 2001

OSHO. O livro da cura – da medicação à meditação. Rio de Janeiro, Bertrand Editora, 2010.

PRICE, S. Aromaterapia e as emoções. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2002.

TISSERAND, R. A arte da aromaterapia. 13° ed. São Paulo, Roca, 1993.

WEIL, P. O corpo fala. 39° ed. Rio de Janeiro: editora Vozes, 1996.