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Bambu: solução barata para arquitetura

Resistência, rápido crescimento e baixo impacto ambiental são características dessa matéria-prima

Hiroyuki Oki, Phan Quang

O escritório vietnamita Vo Trong Nghia faz construções criativas bambu

Foi-se o tempo em que o bambu era visto apenas como alimento de pandas. Com enorme potencial para uso em construção e decoração, a planta, da família das gramíneas, é conhecida como a “madeira do futuro”. As razões: resistência, rápido crescimento e baixo impacto ambiental.

Durante a fase de crescimento, o bambu sequestra altos níveis de carbono da atmosfera. De acordo com estudo feito pelo belga Jan Oprins, esta espécie é capaz de reciclar 12 toneladas de CO2 por hectare, produzindo 35% mais oxigênio do que as árvores na mesma situação. Essa relação confirma todo o potencial ambiental da planta, principalmente como opção à madeira.

Considerado uma opção do futuro, o bambu é um dos materiais de construção mais versáteis e antigos já utilizados, de acordo com a instituição chinesa International Network for Bamboo and Rattan. A organização estima que mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo vivam em construções feitas com essa matéria-prima. Mesmo que a maior parte seja composta por edificações erguidas a partir de técnicas tradicionais, ele também pode ser usado em construções contemporâneas. 

Com tratamentos adequados, o bambu apresenta durabilidade e elegância em grandes construções

De acordo com o agrônomo Danilo Candia, o Brasil ainda carece de investimentos no bambu e isso acontece pela falta de conhecimento sobre os benefícios dessa cultura. Ele ainda explica que o uso do bambu é economicamente viável, ao mesmo tempo em que contribui para questões sociais e ambientais. “Somente na China, o bambu gera rendimento de US$ 7 bilhões”, explica o especialista, garantindo o potencial do material.

Versátil e sustentável

O bambu pode ser usado de diferentes maneiras na construção, desde o piso até o teto. Quando recebe o tratamento adequado e é cortado já na fase adulta, ele se torna altamente resistente e durável. O escritório vietnamita Vo Trong Nghia prova isso na prática.

Os arquitetos do escritório são os responsáveis por algumas das construções mais criativas com bambu já erguidas no Vietnã. Entre os projetos está um bar de bambu instalado no meio de um lago. A edificação substitui o uso da madeira pela gramínea. Por ser de fácil manuseio, a construção levou apenas três meses para ficar pronta e foi erguida com o uso da mão de obra local.

O material é resistente e flexível, o que oferece as mais diversas oportunidades de uso na construção civil. Além disso, e de ser ambientalmente correto, ele também permite a utilização de técnicas de arquitetura bioclimática, para aproveitar ao máximo as condições naturais.

É possível enxergar o bambu em cada um dos detalhes da construção. Desde a base até os elementos decorativos. A obra rendeu quatro prêmios internacionais de arquitetura ao escritório.

Pranchas de São Paulo                                                                                                        

Boas ideias com bambu não acontecem só do outro lado do oceano. O jovem designer paulistano Plinio Calil transforma esta matéria-prima nos mais diversos itens, entre eles pranchas de surf e skates. A inspiração surgiu após uma temporada na Austrália e uma visita à Indonésia, quando o aventureiro teve contato com suas primeiras pranchas e skates feitos de laminado de bambu.

Essa matéria-prima possui brotação anual e pode ser colhida a cada dois anos. 

Ao retornar ao Brasil, Calil logo procurou estágio em uma empresa que trabalhava com bambu, ao mesmo tempo em que cursava a faculdade de desenho industrial. Com toda a expertise e muita criatividade, logo ele embarcou para um negócio próprio.

O paulistano utiliza o bambu em diferentes formas e propósitos. No formato original, a gramínea vira base para construções e para a fabricação de mobílias e itens úteis e decorativos. Os skates, vistos na Indonésia, também são feitos por ele aqui no Brasil. O processo de fabricação do “meio de transporte” é totalmente artesanal e conta também com o uso de uma resina natural, feita com mamona, o que reduz ainda mais seu impacto ambiental. O jovem garante que esses modelos são melhores do que os skates tradicionais feitos em madeira, mesmo que custem um pouco mais, devido à fabricação inteiramente manual.

Barato e bom para o meio ambiente 

Por permitir todos esses tipos de uso e muitos outros, o bambu também pode ser aplicado como matéria-prima de baixo custo e impacto para os centros urbanos. Calil explica que, assim como na construção civil a madeira e o vergalhão podem ser substituídos pelo bambu, o material ainda poderia ser aplicado na criação de pontos de ônibus, estruturas de sinalização e até mesmo em áreas comuns e de lazer, como a fabricação de brinquedos para playgrounds infantis, por exemplo. As opções são muitas, basta haver vontade e criatividade.