Principais obras

Crítica da Razão Pura (1781)

Em 1781, surge a Crítica da Razão Pura, uma investigação sistemática sobre a possibilidade do conhecimento humano. Nela surge a filosofia transcendental, estruturando uma série de princípios a priori no sujeito que tornam possíveis a experiência dos sentidos. Encontramos a clássica distinção entre os fenômenos, aquilo que aparece, e a coisa em si (o númeno), aquilo que é incognoscível. A questão fundamental é, assim, a possibilidade de juízos que são sintéticos, ou seja, que agregam informações, serem também a priori (ter um valor universal, não contingente). Em razão dessa estrutura transcendental, seria possível, segundo Kant, lidar com o problema da existência ou não de Deus, da alma e do mundo, e também da liberdade.

Ideia de uma História Universal de um Ponto de Vista Cosmopolita (1784) 

Neste breve texto a abordagem histórica é feita a partir da ótica de um “cidadão do mundo”. Kant faz a distinção entre a comunidade civil de um determinado local e a comunidade civil mundial. Para ele, a primeira integra a segunda. Assim, é possível distinguir a história natural, que seria local, da história humana, mais vinculada à comunidade civil mundial. Há um movimento da história humana, que caminha rumo ao progresso e ao aperfeiçoamento moral, inevitável e necessário, através do fio condutor da razão, ou seja, que a história natural é a história natural do progresso da razão.

O Que é o Esclarecimento (1784)

Em um breve escrito, Kant observa que a condição moral não é algo dado, mas uma condição. Seu sentido não pode ser restringido a um saber, pois é a combinação do conhecimento profundo sobre um assunto específico com a autonomia crítica do sujeito do conhecimento. No processo social de formação, todo indivíduo vive uma situação de minoridade natural. O exercício ativo da razão é a condição para que o homem conquiste a sua autonomia, já que cada um possui a capacidade de pensar, superando o medo, a preguiça ou o interesse particular para alcançar essa nova condição.

Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785)

Nessa importante obra, Kant pretende estabelecer as condições de possibilidade de uma lei moral universal.

A ação do homem para se tornar emancipada, deve manifestar a sua autonomia a partir da razão pura prática que identifica as condições a priori de sua vontade. Assim, a divisão da obra é feita da seguinte maneira:

Um Prólogo, que justifica o projeto, a sua estrutura e o seu método;

A Primeira Seção, que serve de transição do conhecimento moral da razão comum para o conhecimento filosófico;

A Segunda Seção, onde ele articula a passagem de uma filosofia moral popular para a metafísica dos costumes;

E a Terceira Seção, que almeja dar conta da metafísica dos costumes para a crítica da razão prática pura.

Crítica da Razão Prática (1788)

É a segunda das três obras chamadas “críticas”. Trata sobre a sua filosofia moral, como consequência da sua primeira crítica. 

Nela, Kant busca uma ética que contenha princípios com o caráter de universalidade da ciência. Tida como uma ética formal, ela distingue a sua concepção da eticidade daquelas que lhe precederam, intituladas éticas empíricas. É a formulação racional que engendra os imperativos, que são os pilares que fundamentam a ética formal kantiana. É por isso que ela deve ser universal, ou seja, vazia de conteúdo empírico. Para Kant, a ética deve ser a priori, autônoma, pela interioridade do indivíduo, e categórica. Essa obra está dividida em duas grandes partes:

1) a Doutrina dos Elementos, dividida, por sua vez;

1.1) Analítica da razão pura prática;

1.2) Dialética da Razão pura prática. Parte II: Doutrina do Método.

Crítica do Juízo (1790)

É conhecida como a terceira crítica, formando uma trilogia com a Crítica da Razão Pura (1781) e a Crítica da Razão Prática (1788). 

É nela que Kant desenvolve as ideias acerca do juízo estético, sobre o belo e sobre o sublime. Nessa primeira parte da obra, sua concepção reflexiva sobre o sentimento estético procura lidar com o problema da finalidade no ser humano e em suas produções, como na experiência estética. Essa concepção influenciou, sobretudo, o romantismo alemão. A segunda parte destina-se ao juízo teleológico, para estudar o problema da finalidade na natureza. É nela que Kant procura tratar o problema da finalidade no organismo, também através de uma chave reflexiva. Além disso, nela encontramos a questão da finalidade da história e do ser humano — ou das pessoas na história, e os parágrafos finais, em que Kant, apesar de todo o seu esforço, parece evocar novamente a necessidade de se pensar Deus como um fundamento para a reflexão humana.

Para pensar

A distinção precisa entre filosofia e teologia é um conceito chave no pensamento kantiano. É possível encontrar elementos supostamente teológicos que atuariam como fundamento de seu criticismo?

Um problema apontado na filosofia kantiana é o fundamento da reflexão humana. Uma ressalva importante que se faz é a de que Kant não teria se esquivado totalmente da crítica humana, como pretendera....

VEJA MAIS

Possibilidades

veja mais sobre o tema