Principais nomes

Montesquieu (Charles-Louis de Secondat, barão de La Brède e de Montesquieu) (1689-1755)

Filósofo francês. Sua principal contribuição na política foi a ideia de que o governo deveria ser exercido por três poderes independentes (Legislativo, Executivo e Judiciário). Essa tese exerce importante influência sobre diversos textos constitucionais modernos e contemporâneos. Em sua publicação mais conhecida, Do Espírito das Leis (1748), Montesquieu distingue três classes de governo: as repúblicas, a monarquia e o despotismo. Acreditava que o governo britânico, com seus três poderes divididos entre executivo, legislativo e judiciário, era o sistema a seguir, pois limitava e controlava o poder real, assegurando maior liberdade e segurança para o Estado. Dois aspectos de sua originalidade no estudo científico das sociedades: 1) a descrição da realidade social segundo um método analítico e positivo, que tenta organizar a multiplicidade dos dados da realidade social em número reduzido de tipos; 2) o liberalismo que decorre da sua separação de poderes a partir dessa organização racional dos fatos sociais da experiência.

Voltaire (pseudônimo de François-Marie Arouet) (1694-1778)

Filósofo francês e famoso anticlericalista em razão de sua reconhecida crítica ao cristianismo. Ficou notável pela sua oposição ao pensamento religioso, pelo modo ácido de suas críticas e pela defesa da liberdade intelectual. Defendia a existência de um monarca absoluto, desde que cultuasse a ciência e estivesse aberto às reformas propostas pelos filósofos iluministas. No Tratado Sobre a Tolerância (1763), fundamenta a necessidade da tolerância religiosa. Ainda que seja apreciador do sistema inglês, tal como Montesquieu, seu ideal de governo tem muita afinidade com o despotismo esclarecido. Defendeu os interesses dos burgueses e desconfiou da ignorância dos setores populares. Foi crítico das guerras, da intolerância, da censura, da burocracia, da corrupção, do obscurantismo e do fanatismo religioso. Seus escritos mais importantes são: Cândido, ou Otimismo (1759), Ensaio Sobre os Costumes (1756); Dicionário Filosófico (1764) e Cartas Inglesas (1734).

Benjamin Franklin (1706-1790)

Político, cientista e inventor norte-americano. Seus interesses científicos surgiram no mesmo momento de sua atividade política. Participou ativamente dos eventos que levaram à independência dos Estados Unidos e da elaboração da constituição de 1787. No que diz respeito à sua atividade científica, na França, em 1752, fez o experimento que lhe permitiu provar que as nuvens estão carregadas de eletricidade e que os raios são descargas elétricas. Através desse experimento, formulou conceitos de eletricidade negativa e positiva.

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778)

Filósofo suíço, nascido em Genebra. Defensor da participação do povo na vida pública pela eleição de seus representantes políticos. Defendeu a necessidade de reformas sociais e foi crítico da nobreza e da burguesia. Sua obra mais conhecida é o Contrato Social (1762), que expressa sua posição política como democrata convicto. Procura harmonizar a liberdade individual com a autoridade governamental para estabelecer a justiça. Sua tese se baseia na ideia de um contrato, no qual cada indivíduo entrega seus direitos ao governo, que em troca lhe dá a garantia de sua vida e de sua propriedade. O resultado seria uma vontade geral em busca do bem comum, uma espécie de síntese do que é melhor para todos. A vontade geral é a soberania popular e os governantes meros funcionários do povo, nesse caso, o grande depositário do poder. Uma de suas ideias principais está contida no Discurso Sobre as Origens da Desigualdade Social (1755): o homem primitivo é naturalmente bom, mas a sociedade o corrompe. Nesse processo, há as desigualdades sociais, a escravidão e a tirania. Outra obra importante é Emílio , ou Da Educação (1762), em que Rousseau exprime sua perspectiva iluminista na pedagogia.

Denis Diderot (1713-1784)

Filósofo francês, grande escritor, e considerado por muitos o pai da crítica de arte. Sua produção literária é vasta. Trabalhou em muitas reformas realizadas nas enciclopédias. Ocupado com o problema da natureza humana, sua filosofia expressa o caráter materialista e ateu. O interesse pelo sacerdócio, medicina e jurisdição. Sua atuação como professor tradutor e escritor de artigos o fez um pensador versátil, escrevendo em vários ramos do conhecimento. Pressentiu as teorias da evolução, a constituição celular dos seres vivos e métodos matemáticos. É com esse espírito que produziu sua obra mais famosa com D'Alembert, a Enciclopédia ou Dicionário racional das ciências, das artes. Publicada pela primeira vez na França (1751 e 1772), ela reuniu milhares de artigos e inspirou a Revolução Francesa e outros pensadores do iluminismo.

Francis Bacon (1562-1626)

Filósofo e político inglês. Atuou como advogado e durante toda a sua carreira. Perseguiu uma reforma coerente das leis e a manutenção do Parlamento britânico e dos tribunais, os quais, em sua opinião, deveriam ocupar uma posição protegida das incursões arbitrárias dos governantes. A reforma do saber foi o aspecto mais importante de sua obra. Bacon teve como objetivo principal narrar uma imensa “história natural”, que deveria abrir o caminho a uma nova “filosofia indutiva”. Submeteu os vários saberes humanos de então a uma revisão, classificando-os de acordo com as faculdades da mente (memória, razão ou imaginação). Chamou esse esquema de “a grande instauração”. Esta Instauratio magna final levou a O avanço do conhecimento (1605), em que a verdade só pode ser alcançada através da experiência e do raciocínio indutivo, de acordo com um novo método, o qual resultaria no Novum organum scientiarum (1620), livro que pretendia refundar a lógica criada por Aristóteles. Tal prática visa a criação de uma ferramenta desenvolvida para analisar a experiência. Da coleta exaustiva de casos especiais do fenômeno sob investigação à indução subsequente, por analogia, das características ou propriedades comuns a todos eles. De acordo com Bacon, esse procedimento serve para conduzir as proposições particulares aos enunciados mais gerais. Seu trabalho abriria o caminho para as bases da ciência moderna.

Immanuel Kant (1724-1804)

Filósofo alemão, nascido em Konigsberg. Até se doutorar, viveu seu período “pré-crítico”, pelo seu apego à metafísica racionalista de Wolff e seu interesse pela física de Newton. Tornou-se professor na universidade de sua cidade natal em 1770, momento em que deu início às suas obras de crítica da metafísica. Fundamentou sistematicamente a filosofia crítica, tendo realizado investigações também no campo da física teórica e da filosofia moral. É autor de três críticas da razão: a Crítica da Razão Pura (1781), a Crítica da Razão Prática (1788) e a Crítica do Juízo (1790). Nesse projeto vasto, Kant sistematizou sua crítica às metafísicas dogmáticas e à dúvida cética, surgindo esse conjunto de obras que lidam com os problemas do conhecimento humano, da aplicação da lei e sobre os julgamentos do belo e do fim da natureza.

Benjamin Constant (1767–1830)

Filósofo, escritor e político de nacionalidade franco-suíça. Um dos pioneiros do liberalismo, é herdeiro da escola do iluminismo escocês, encabeça por Adam Smith e David Hume. Seu trabalho sobre religião e seus ideais sobre a liberdade individual o levaram a escrever sua obra mais conhecida, Da Liberdade dos Antigos Comparada à Liberdade dos Modernos (1819). É tido como um porta-voz do liberalismo em função do se esforço para defender a liberdade e garantir a independência privada. Entre 1815 e 1830 foi ativo na política francesa, quando teve assento na Assembleia Nacional. Defendia uma concepção liberal de esquerda, o que significava a exigência da representação formal. O cidadão moderno, segundo ele, é um solipsista, mobilizado pelo consumo e capaz de atuar apenas pelos interesses próprios.

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