Principais obras

Temor e Tremor (1843) – Søren Kierkegaard

A obra está centrada na vontade divina. Kierkegaard analisa o momento em que Abraão viola todos os seus princípios éticos e aceita sacrificar seu filho Isaac após receber uma ordem de Deus. Nas várias partes em que este relato está dividido, Kierkegaard, sob o pseudônimo de Johannes de Silentio, fala do absurdo que conduz ao abismo da fé. A angústia do temor frente ao nada é o tremor do desespero humano, incapaz de encontrar um caminho ético por conta própria. Abraão dá o grande salto de fé pela submissão religiosa aos mandamentos de Deus, capaz de sentir a intensidade do dever, em que a consciência está plena na eterna validez do seu ser.

O Conceito de Angústia (1844) – Søren Kierkegaard

Assinada pelo pseudônimo Vigilius Haufniensis, o ponto central dessa obra é o papel ativo do indivíduo e sua responsabilidade diante da angústia e do desespero humano. Kierkegaard procura pensar a concupiscência de Adão não como algo progressivo, quando a ética se perderia, mas através de um salto, de uma ruptura clara. O problema do mal tem de ser tratado nesta ótica para que seja possível falar sobre a responsabilidade humana diante da vida. Seja com Adão, ou em cada um de nós, o que há é uma angústia que nos aproxima de nossas próprias possibilidades em direção ao desconhecido. O que está em jogo na angústia é a força da interioridade: de um lado, a inocência, a síntese entre o finito e o infinito. De outro, o pecado, o desespero ao cair na má síntese. O homem nasce como um ser humano, mas precisa tornar-se a si mesmo como salvação.

Ser e Tempo (1927) – Martin Heidegger

Até o Século 20, a filosofia teria caído no “esquecimento do ser”. Heidegger remontou até a tradição aristotélica e escolástica para reconstruir o conceito a de ser a partir de uma nova investigação. A estratégia da obra está em abandonar a ontologia do ser em geral para pensar o ôntico, que diz respeito aos entes no mundo. O Dasein, em sua pre-sença e ex-istência, tido como o estar-aí do homem, seria esta condição genética, mas que não pode ser postulada, e sim reconstruída. Essa análise está contida em parte no Primeiro Livro de Ser e Tempo. A Segunda Parte, prometida, não chegou a ser feita, ou publicada. Mesmo assim, esta obra deixa um legado importante para a história da filosofia, onde Heidegger trouxe novas formas para repensar o conceitos de ser. A partir do período pós-guerra, com esta obra, desde os anos 1930 Heidegger passou a ser debatido na Europa e figura como um dos grandes nomes da filosofia.

Além do Bem e do Mal (1886) – Friedrich Nietzsche

Um dos escritos mais polêmicos do Século 19. Encontramos uma crítica mordaz às correntes filosóficas e vigentes até então, focado sobretudo nos julgamentos morais do homem. Dividido em nove seções, Nietzsche percorre muitos temas através de aforismos. Trata de uma concepção de liberdade do homem voltada para uma filosofia do futuro, capaz de dotar o homem dos valores da saúde. A “transvaloração de todos os valores” seria a recusa dos valores da religião, sobretudo a cristã, responsável por ter tornado o home fraco e misericordioso. Numa análise sobre a situação política e social da Europa, Nietzsche também refuta a idéia de uma sociedade coletiva de massas, através de uma crítica ao socialismo, que seria uma falsa tentativa par ampliar a liberdade do homem.

A situação espiritual de nossa época (1931) – Jaspers

Trata-se de uma análise sobre o equilíbrio espiritual na História. Jaspers analisa os principais aspectos de sua realidade contemporânea, em que a tarefa do filósofo é compreender o homem no tempo. A relação entre fé e filosofia visa as causas da decadência generalizada cultural na década de 1930. A psicanálise e o marxismo são dois objetos de crítica, mas também de apoio para a sua concepção de “transcendência misteriosa”, que seria um ponto luminoso para a mudança na humanidade. Um dos problemas centrais da obra é a forma como Jaspers procura colocar a vida cristã e da Igreja “no mundo da época” como lugar privilegiado de uma nova compreensão espiritual da história.

A Náusea (1938) – Jean-Paul Sartre

Um romance que une a sua filosofia existencialista à narrativa literária. Antoine Roquetin, um historiador fictício, viajante, registra em seus diários os percursos e suas reflexões sobre o sentido da existência. Ao viajar pela Europa inteira, ele se estabelece em Bouville, uma pequena cidade portuária da França. Este é o último fato de sua vida, a partir do qual escreve seu diário. Solitário com as suas próprias idéias, Roquetin dá vazão às idéias sobre o sentido da existência e de como ela pode ser vazia e sem significado. A crítica ferina de Sartre se dá no momento em que as náuseas tomam conta da personagem a cada momento em que ela se depara com a realidade. A sociedade francesa é vista em sua futilidade, acusada de burguesa, refém do jogo de aparências e, castrando a liberdade primeira do indivíduo.

O Existencialismo é um humanismo (1946) – Jean-Paul Sartre

É um ensaio feito a partir de uma de suas conferências. É considerada a obra mais emblemática das filosofias existenciais. É dotada de um caráter humanista, ao colocar o homem como o grande legislador do mundo e de si mesmo. No contexto de reconstrução europeu da segunda guerra mundial, Sartre dá um panorama geral de sua filosofia, numa crítica ampla ao existencialismo cristão, trancado no quietismo e no desespero individualista. Sartre pensava em um existencialismo político, declaradamente ateu, colocando o homem como o único responsável pela vida social. O nada do existir humano revela um vazio que deve receber um sentido e transformação da realidade. A angústia diante do mundo é o motor para a ação e para a construção permanente da subjetividade do indivíduo.

O Mito de Sísifo (1941) – Albert Camus

Um ensaio filosófico sobre o absurdo. No último capítulo, em especial, Camus compara o dilema da existência humana a Sísifo, personagem da mitologia grega, filho do rei Éolo, considerado o mais hábil para ajudar na mudança da vida dos homens. Sísifo, condenado a rolar as pedras ao subir uma montanha, fracassa quando está mais próximo de alcançar o topo. O paralelo com esse mito foi o manejo de Camus para apresentar a crítica existencialista à sociedade do Século 20. Os modos, costumes e regimentos das leis não parecem tão distantes da angústia de Sísifo, porque toda vez que os homens tentam alcançar o repouso e o sucesso, fracassam nos seus objetivos. É como se estivessem sempre a rolar pedras, sem nunca alcançarem os seus objetivos. Ao lado dos ensaios filosófico-literários de Sartre, Camus foi bastante lido e debatido nesse período de ouro do existencialismo francês dos anos 1930 e 1940.

O existencialismo e a sabedoria das nações (1948) – Simone de Beauvoir

Na esteira do debate francês, combina um conjunto de textos que foram publicados pela primeira vez na revista Les Temps Modernes, fundada em 1945 por Simone de Beauvoir e Sartre. A originalidade da obra pode ser conferida no manifesto feminista que ela contém. Nos quatro capítulos que divem os textos, Simone de Bouvoir passa por temas políticos e amplos, os problemas estéticos da literatura e sobretudo a relação entre moral e sociedade. A crítica ao patriarcalismo e o papel secundário da mulher são o ponto de partida para a defesa de uma concepção de liberdade radical e que pretende ser transformadora.

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