Principais nomes

Søren Aabye Kierkegaard (1813-1855) 

Primeiro autor a se qualificar como um existencialista. Reagiu à chave da filosofia platônica, que tentou sustentar o bem moral através de um critério universal, como um bem para todos, e não através de uma vocação individual. Para o filósofo dinamarquês, não há uma base objetiva e racional para as ações morais. O engajamento pessoal é passional, é o pathos. Por isso sua filosofia se opõe ao sistema do idealismo absoluto em Hegel, que pretendeu forjar uma concepção inteiramente racional da humanidade. A dialética hegeliana, que articula o objetivo e o subjetivo, transformou-se em Kierkegaard numa dialética qualitativa. Ela deixa de ser uma relação entre o exterior e o interior, para existir apenas na subjetividade humana. É nessa dialética da interioridade que o indivíduo passa a ser visto pelo singular humano. O drama da salvação do indivíduo está nos saltos da fé, que se impõem nas esferas kierkegaardianas da existência: o estético, o ético e o religioso. Temor e Tremor (1843) é talvez a obra fundamental de sua filosofia, porque ali encontramos os desdobramentos de todos os estágios.

Friedrich Nietzsche (1844-1900) 

Sua influência no pensamento existencialista pode ser encontrada nas críticas às metafísicas tradicionais. A adesão a uma vontade individual opõe-se a uma vontade geral e comum, e também ao pessimismo trágico de Schopenhauer. Mas, ao contrário de Kierkegaard, seu pensamento ataca o cristianismo com veemência. A morte de Deus é o marco de uma filosofia que coloca o homem à luz das questões da existência, como o grande autor dos valores para si e para o mundo. A “transvaloração de todos os valores”, em Além do Bem e do Mal (1886), é o fato primordial do homem, que o coloca como um criador de valores. O homem valora a tudo e a si mesmo. O valor enquanto saúde eleva o indivíduo e o torna elevado na “aristocracia dos poucos”.

Por isso, A filosofia nietzschiana é tida em oposição às filosofias totalizantes e com apelos sociais. É um antípoda ferrenho não só do adestramento resultante da religião, sobretudo a cristã, mas também dos valores sociais da democracia e do dogmatismo da razão.

Karl Jaspers (1883-1969) 

A união entre a teologia e o existencialismo resulta de uma percepção da fragilidade do ser. A finalidade da filosofia não é exterior ao homem. A relação com o mundo exterior é a mediação que retorna ao homem, que na plenitude de seu ser provoca grandes rupturas. A ambiguidade da consciência opera em uma dependência mútua entre sujeito e objeto, como uma vida pensante que faz oscilar ambos os polos. Nesse processo de conhecer o mundo, o sujeito não é fixo, mas uma contínua formação do homem. Em Jaspers, o Dasein (o ser-aí) é a condição humana, o símbolo da transcendência. A existência é uma chave para a compreensão do mundo, como o ideal do eu na experiência, que exprime a possibilidade mais profunda. É o mais íntimo, o inefável do homem, mas que pode se realizar apenas na “comunicação” (Kommunikation). Em A Situação Espiritual de Nossa Época (1931), Jaspers apresenta esse primeiro aspecto de sua filosofia, em que a existência aparece como um meio onde está o conhecimento. É nele que se pode pensar a existência sem que ela mesma seja um objeto.

Martin Heidegger (1889-1976) 

Na sua obra há uma recusa em dar à filosofia um fundamento racional definitivo. Faz uma crítica voltada, sobretudo, à fenomenologia de Edmund Husserl. Não é neste mundo que o homem é capaz de compreender a razão de sua presença. Com a convicção da paixão, o homem é consciente da certeza da morte e da absurdidade última de sua própria vida. A contribuição de Heidegger ao pensamento existencialista encontra ecos nos problemas da ontologia e da linguagem. Em Ser e Tempo (1927), ao acusar a metafísica como uma história do ente que jamais alcançou o significado fundamental do ser, Heidegger cunhou uma distinção entre o que é o ser e o que é existente. O homem como o ser existente é o “ser-aí”, o Dasein, e que é diferente das outras coisas do mundo. O homem é um ente, uma simples presença no mundo, mas destacado, capaz de questionar o ser, e que possui uma compreensão sobre ele. O homem é um projeto indefinido, inacabado e autodirigido, submetido a três condições e limites: o ser-no-mundo, o ser-com-os-outros e o ser-para-a-morte. O homem é projeção. Definir é a atividade humana, sempre condenada a esse “espaço vazio”, capaz de conter e de buscar qualquer projeção. Para acompanhar um pensamento consequente, foi preciso que também se pensasse uma linguagem fundamental para colocar o problema do ser original. A existência encarnada e ilustrada no homem não revela “o que” ele é, mas simplesmente que ele “é”.

Gabriel Marcel (1889-1973) 

Em sua filosofia, a consciênca é tida como signo da existência. O corpo do homem é aquilo que permite tomar consciência do que é existente e dá suporte ao conhecimento, aos afetos e à ação. E o que existe é o que pode ser consciente de seu ser. A existência é ela própria sem um fim, sem um telos, e não tem limites. Ela pode ser redefinida constantemente. Em Marcel, aparecem os elementos da tragédia da vida e a experiência da ansiedade pelo fracasso, solidão e morte. A existência é uma crise para o absoluto.

Ser e Ter (1935) é uma de suas principais obras. Trata-se de uma crítica ao conhecimento abstrato e às ciências através de seu método, considerado uma reflexão secundária que é feita a partir do corpo e de sua situação na existência. Nela está contemplado o mistério que proporciona um tipo de verdade, moral e religiosa, que não pode ser verificada pelos procedimentos científicos.

Jean-Paul Sartre (1905-1980) 

A filosofia francesa, sobretudo com Sartre, propagou o movimento existencialista como corrente filosófica. No contexto da Segunda Guerra Mundial, a filosofia de Sartre ganhou holofotes, declarando-se explicitamente ateia e pessimista. O existencialismo sartriano, como uma forma de humanismo, procurou aliar-se à análise marxista da história como crítica e como discurso político. O Existencialismo É Um Humanismo (1946) e Crítica da Razão Dialética (1960) colocam o centro da história na perspectiva da liberdade humana. Ela é originária, absoluta. Não é condicionada por nenhuma determinação anterior. Se há uma determinação no homem, é que ele é liberdade. Não como um atributo, porque ele não a tem. Ele é a própria liberdade, idêntica à sua própria subjetividade. A liberdade não diz o que o ser humano é, mas o que ele virá a ser, como se expressa no emblema da filosofia de Sartre: “O homem está condenado a ser livre”.

Há uma diferença da visão sartriana para os filósofos existenciais anteriores: o resgate do lado objetivo da filosofia. Por isso, seu existencialismo combina com o marxismo sobre a realidade humana e a história. O homem tem o seu início e o seu fim como um processo histórico, e cada indivíduo tem a sua história.

Existir é expressar o que é interior, mas sem se separar da sua existência externa, objetiva. Não há uma autonomia da alma interior diante do mundo externo. Sartre procura ser fiel à dialética de Karl Marx (1818-1883), e assim lidar com a tensão entre o sujeito e as condições sociais em que ele está submetido. Um tipo de relação dialética, em que nenhum de seus termos será eliminado ou subordinado pelo outro. Ou seja, a experiência humana é o resultado da dialética entre a subjetividade humana e a história.

Pensar dialeticamente significa pensar essa relação de forma constitutiva. Tanto na história, como no indivíduo. Esse é o tema da alteridade, em Ser e o Nada (1943). O ser humano existe para si e para os outros e enquanto somos o sujeito, também somos o objeto para os outros sujeitos. Uma pessoa será também o que os outros fizerem dele. Nos romances, Sartre expressou essa condição da existência humana em sua história e em suas personagens, como em A Náusea (1938) e O Muro (1964), dois romances importantes de sua produção literária.

Albert Camus (1913-1960)

Argelino, migrou para a França, onde desenvolveu seu pensamento. Buscou em Heidegger um sentido para o ser-aí, abandonado no mundo. Ao mesmo tempo, esteve alinhado a Sartre com a ideia de que o mundo não confere significado aos indivíduos. Em sua obra vemos esse duplo cruzamento: a necessidade de uma busca pelo sentido fundamental do ser, e a condição humana de criar o significado da própria realidade que levou Camus a concluir sobre o “absurdo” do mundo.

Em O Mito de Sísifo (1941), há um esboço de um ensaio sobre o absurdo. Evoca a personagem de Sísifo, herói grego condenado pelos deuses a empurrar uma pedra até o topo da montanha. No entanto, Sísifo, quando chega ao topo, a pedra cai e a tarefa tem de ser refeita.

Nos temas de Camus, as personagens encarnam a angústia do homem, condenado à sua liberdade, mas que precisa sempre criar um sentido para a vida. E quando está próximo, a representação do mundo desaba, e se revela o nada e a certeza da ausência do sentido. Em O Estrangeiro (1955), obra mais famosa de Camus, Meursault é a personagem principal, e que se depara pacificamente com os fatos trágicos de sua vida. A percepção do absurdo e o sobressalto de sua aceitação marcam um tema comum não só a Camus, mas a Sartre: existir é viver o hoje sem esperar por um amanhã. A morte é certa, mas seu sentido incerto. É a angústia de ser livre, de ser totalmente responsável, e não encontrar nenhum respaldo metafísico que dê um sentido último para a condição humana.

Simone de Beauvoir (1908-1986) 

É uma expoente da junção entre a filosofia existencial e o feminismo teórico. Muito influenciada por Kierkegaard, participou do movimento emancipatório das mulheres, sobretudo na década de 1970. O problema da existência humana agora é ampliada para pensar a condição da mulher inserida na sociedade de caráter masculino.

Os temas do patriarcado, da sexualidade, do erotismo e da homossexualidade ganham destaque em seu pensamento. Simone de Beauvoir rastreou as aberturas nesse espaço vazio da significação da existência. Viu nele a possibilidade de uma disputa por novos valores e perspectivas sociais, em que a mulher pudesse conquistar um novo cenário político. Essa nova visão sobre o problema do sujeito, no esfacelamento da vida pública no período pós-guerra, pode ser visto em O Existencialismo e a Sabedoria das Nações (1948), publicado na esteira do debate sartriano na França.

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