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Yoga – de onde vem e para onde vai

A filosofia iogue visa compreender os mistérios e oferecer explicações sobre a existência humana

Dedda71 / Wikimedia Commons / CC BY 3.0

Se você é uma das milhares de pessoas que, quase diariamente, suam a camisa em cima de um tapetinho em alguma academia ou estúdio, já se perguntou onde ouviu falar em yoga pela primeira vez?

O contínuo aparecimento de assuntos relacionados à yoga na mídia impressa e virtual propicia o surgimento de pseudoespecialistas. Atores, modelos, cantoras, terapeutas, professores e entendidos no assunto nos dão dicas e fazem recomendações de acordo com sua própria experiência. Não há problema, a princípio. Mas será que eles são a única fonte em que podemos confiar? Afinal, de onde veio originalmente todo esse conhecimento?

A palavra yoga possui uma origem tão remota, que saber hoje seu real significado exige um pequeno esforço. Para isso, é preciso voltar alguns milhares de anos e recorrer aos Vedas, porque é lá que a palavra aparece pela primeira vez.

Antigo conhecimento atual

Os Vedas são livros tradicionais sagrados escritos por volta de 2.000 a.C. que contêm as bases do que hoje é conhecido como hinduísmo. O vedismo é uma das mais antigas religiões com bases escritas que se tem notícia.

Acredita-se que os mantras que compõem os Vedas foram recebidos por antigos sábios chamados rishis e captados da natureza, ou seja, da substância que originou todo universo e que muitas pessoas chamam de Deus.

À parte sua origem, o aspecto mais importante dessas escrituras é que seus mantras versam sobre a relação entre o ser humano e o mundo. Eles provêm o indivíduo de tudo o que ele necessita para viver em harmonia com a natureza. São prescritos rituais e preces para que o indivíduo obtenha saúde, prosperidade e o que necessitar para a vida material. Os escritos oferecem ainda respostas para a vida espiritual e para os questionamentos sobre a origem, o destino e o sentido da vida.

Nem tão simples assim

A composição poética e com frases codificadas dos textos védicos dificulta o entendimento literal do que está escrito. Essa é a razão pela qual é valorizada ainda hoje na Índia a transmissão do conhecimento por linha ininterrupta de ensinamento entre mestre-discípulo.

A partir dos anos 1.200 a.C., foram compostos textos e histórias que reorganizavam o pensamento védico e buscavam passar o conhecimento em forma de histórias e lendas chamadas puranas. Nessas narrativas, os deuses Brahma (o Criador), Vishnu (o Mantenedor) e Shiva (o Destruidor) se estabelecem como as figuras mais importantes do hinduísmo. São desse período também os textos Bhagavad Gita e o Ramayana.

A literatura dos sutras foi composta por mestres e gurus que registraram o conhecimento do yoga em uma forma mais acessível. Quem pratica há algum tempo provavelmente já ouviu falar dos yoga sutras, obra composta pelo mestre Patanjali no século 6 a.C. Entender um sutra exige certo esforço, pois ele é conciso, poético e possui grande quantidade de informação. Contudo, já é um passo para compreender a complexidade original dos Vedas.

Na Idade Média surgiram os Prakarana Grantha, textos auxiliares elaborados por mestres para a compreensão dos conceitos tradicionais da yoga. O Tattva Bodha, composto pelo mestre Shankara no século 9 e o Upadesha Saram, escrito por Ramana Maharishi no século 19, são alguns exemplos.

Por onde começar e como escolher?

Para ter uma boa noção sobre as bases da yoga hoje em dia é necessário buscar o Tattva Bodha e o Upadesha Saram, textos preparatórios e de mestres renomados. A escolha dependerá da indicação de alguém que está há mais tempo no caminho e que inspire seu respeito e confiança. Além desses, sugiro a leitura, sempre que possível, dos textos primordiais, ou seja, os Vedas.

Para se aprofundar no assunto, indico o livro “Tattva Bodha”, da professora Gloria Arieira, que traduz e comenta o texto sagrado e, em um contexto mais clássico, a obra “Introdução ao Vedanta”, de Swami Dayananda Saraswati.

Foto: Thinkstockphotos