Namu é

Conheça mais sobre o NAMU

Saiba mais sobre

Subjetividade e consumo

Desejo, angustia e vazio existencial. O consumismo liberta ou nos aprisiona ainda mais?

Ju Han Kim / Flickr: Sale / CC BY-ND 2.0

Buscamos constantemente o que nos falta com a finalidade de aliviar sensações de vazio e angústia. Este comportamento pode se manifestar de várias formas, seja pela tentativa de encontrar a “cara metade” no campo amoroso, uma atividade que satisfaça no plano profissional ou, ainda, pelo ato do consumo.

O ato do consumo apresenta uma vantagem, aparente, em relação aos demais: fornece alívio imediato da angústia, além de saciar e deslumbrar de forma quase ilimitada. A dependência surge como resultado desta ação e cobra um preço por sua utilidade.

Vazio existencial

A oportunidade de substituir ´o sentimento de vazio existencial´ por algo possível de ser adquirido - e a associação a uma percepção ideal de si mesmo - geram esquecimento progressivo dos conflitos, sensação de incompletude e aumento da subjetividade e das alegrias pessoais.

O processo de coisificação promovido pelo consumismo exacerbado alimenta a ideia de uma vontade, que nos é estranha e sutil e inconscientemente pode ser percebida como algo único.

O desejo que, inicialmente, é do outro passa, então, a ser assimilado e apropriado. Em função da dependência criada, converge para uma compulsão e cria, no sujeito, uma necessidade ilusória de atendê-la. Assim, acredita-se que o consumo liberta da angústia indesejável e fornece a promessa do prazer ilimitado. O objeto adquirido transforma-se em coisa com vida própria que, de forma sutil, nos define, enlaça e atribui valor.

Subjetivação

Neste processo, o indivíduo não aceita comprar algo que é fabricado e vendido em grande escala, pois a concepção de exclusividade eleva o produto a um estado de arte. A subjetividade, não consome, ela cria. Pois, é construída, a cada instante, com elementos que compõem um quadro final que é nossa identidade. Por ser cuidadosamente elaborada, é sempre obra-prima, se abastece com o amor próprio e, como obra rara e especial, não depende do consumo.

Desde a infância

O consumismo exagerado pode se tornar um problema e, por isso, deve ser enfrentado de forma preventiva. Desta forma, é muito importante dedicar atenção especial no período da infância. Retomar hábitos e atividades lúdicas com a criança é uma excelente forma de instigar a criatividade e desenvolver conceitos de autossuficiência e altruísmo.

Habilidades motoras, cognitivas e emocionais

Estimular a criança a criar os próprios brinquedos é uma forma eficaz de desenvolver as habilidades motoras, cognitivas e emocionais. O prazer que a criança expressa ao conseguir produzir a própria obra é notado no aumento de autoestima e confiança, algo dificilmente atingido, quando ela ganha um jogo. O primeiro persiste na sua memória como lembrança de suas capacidades e criatividade, enquanto o segundo não se fixa, pois logo será substituído por outro desejo alienadamente implantado por uma sociedade consumista.