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Pais: assumindo responsabilidades

A importância das figuras paterna e materna no desenvolvimento emocional infantil nos dias atuais

Thiago Fernandes / Flickr: milímetro / CC BY 2.0

Quando pensamos em um filho, geralmente desejamos que, ao crescer, ele seja uma pessoa honesta, com uma boa autoestima, realizado profissional e afetivamente, confiante em si mesmo, responsável por seus atos, com capacidade crítica e reflexiva, criativo em sua vida e preferencialmente apto a desenvolver uma liberdade de pensamento que o torne realmente autônomo.

Isso não é uma visão idealizada de um filho, pois é possível alcançar tais qualidades em um ser humano. Contudo, uma personalidade desse tipo não é algo fácil de se estruturar, requer uma base inicial de atenção e cuidados dos pais, que vão muito além de ofertar bens e segurança material.

Exige dos pais assumir a responsabilidade integral por essa criança, já que um bebê não nasce pronto. Ao contrário, um bebê é uma enorme gama de possibilidades.

Função materna

Ao nascer, caso nenhum problema orgânico afete a criança, ela tem todo o instrumental para desenvolver as melhores qualidades. O meio ambiente – aqui leia-se pais – será o responsável por isso acontecer, ou por impedir o sucesso dessa empreitada.

Donald Woods Winnicott, genial pediatra e psicanalista inglês que viveu de 1896 a 1971, atribuiu à função materna papel de destaque no desenvolvimento da saúde mental e física do bebê.

Este psicanalista denominou de preocupação materna primária a capacidade instintiva de uma mãe de desenvolver uma sintonia intuitiva com a criança, que a habilita a decodificar as necessidades de seu filho, apesar de ele ainda não poder expressá-las verbalmente. Este processo, que se estende do período final da gravidez até aproximadamente o final do primeiro ano de vida do bebê, caracteriza uma relação inicial da mais completa intimidade biológica e psicológica, sendo uma das premissas iniciais que lançam as bases da saúde mental dessa criança.

Se essa capacidade é alcançada pela mãe estabelecendo um vínculo inicial de confiança e segurança com seu bebê, o ambiente tem sucesso em dar à criança uma sensação de proteção que convidará seu potencial de saúde herdado a se manifestar.

O desabrochar da personalidade

As bases da identidade do bebê começam a se expressar nesse ambiente confiável e constante. Winnicott dizia que há em todos nós um núcleo, que se transfere de geração em geração, que contém o potencial psíquico de um ser único e particular, algo como nossa impressão digital psíquica, aquilo que é unicamente nosso e que, se o ambiente ajudar, poderá ser nossa personalidade. A isso chamou de Verdadeiro Eu (True Self).

Aqui reside talvez a principal função dos pais, a de se responsabilizar pela estruturação desse vínculo afetivo que garante não apenas proteção ao bebê, mas cuidados, carinho e amor o suficiente para que o Verdadeiro Eu se expresse e se estruture como o núcleo de nossa identidade e personalidade. Assim, aqueles predicados inicialmente aludidos sobre o que desejamos que nosso filho se torne poderá ser uma realidade.

E essa responsabilidade não deve ser transferida pelos pais a outras pessoas pois, se forem capazes de desenvolver um bom vínculo com seus filhos, essa transferência de responsabilidades poderá acarretar perdas afetivas insubstituíveis para a criança. Essa ênfase deve ser dada, num momento social e cultural onde encontramos as crianças cada vez mais cuidadas e educadas por outras pessoas que não os pais.

É realidade que o mundo mudou, que a estrutura familiar também se alterou, mas as premissas para que a saúde mental de um ser humano possa se estabelecer seguem as mesmas: cuidado, amor e proteção, responsabilidades inerentes às funções paterna e materna em relação as suas crianças.