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O que é depressão?

Entenda os termos específicos e características que identificam a doença

ryan melaugh / Flickr: depression / CC BY 2.0

Depressão é um termo genérico usado popularmente para definir o que é observado como um estado de tristeza profunda e prolongada. A Organização Mundial da Saúde (OMS) usa termos específicos de acordo com a forma com que o paciente expressa tal sentimento e o diagnóstico médico que aponta a presença de alguns tipos de transtornos.

Reação depressiva

A reação depressiva ocorre quando esse comportamento se prolonga de modo que as pessoas próximas comecem a considerá-lo exagerado. Ela pode ser percebida porque evidencia que a pessoa sofre sem apresentar melhoras ou aceite um acontecimento natural e passível de lhe proporcionar algum amadurecimento ou aprendizado. Em suma: os dias passam e ela continua tão triste quanto no momento do episódio.

Segundo a OMS e no que se refere à duração dos sintomas, a reação depressiva pode se manifestar de dois modos distintos:

  • breve: tem duração de até um mês;
  • prolongada: tem duração de até dois anos. É o tipo mais comum de depressão.

Transtornos do humor

São caracterizados pela oscilação do humor (alegria, tristeza, irritação, entusiasmo etc). Deve-se verificar outros sintomas associados e a frequência de tal instabilidade para um diagnóstico preciso. Isso é importante para diferenciar as oscilações cotidianas das circunstâncias do dia a dia, algo absolutamente normal e esperado.

O que consideramos doença e requer tratamento medicamentoso, acompanhamento médico e todos os cuidados próprios da enfermidade é a oscilação recorrente e exagerada, denominado transtorno afetivo bipolar e suas variações.

Transtorno afetivo bipolar

É caracterizado pela ocorrência de dois ou mais episódios em que o humor e o ritmo de atividade do indivíduo se mostram profunda e visivelmente perturbados.

Pode-se dizer que o transtorno bipolar faz com que a pessoa perca seu equilíbrio emocional, ou seja, seu humor não é coerente com os acontecimentos da rotina.

Ocorrem em algumas ocasiões elevação do humor, aumento de atividade (hipomania ou mania) e em outras rebaixamento do humor e redução da atividade (depressão).

O termo bipolar refere-se a essa oscilação entre os dois polos do humor: o depressivo e o eufórico (ou maníaco). Depois de algum tempo de observação e acompanhamento médico, o diagnostica-se o comportamento do indivíduo como “maníaco-depressivo”, cujas características são:

  • humor depressivo: comportamento desanimado, excessivamente triste, apático, choroso e pessimista;
  • humor maníaco: comportamento eufórico, agitado, agressivo e exageradamente otimista (sem noção da realidade).

Diferentes graus dos polos

A gravidade de cada polo é identificada pelo médico psiquiatra de acordo com o comportamento relatado pelo paciente, ou seus cuidadores ao longo do tratamento, e durante as consultas para avaliação e diagnóstico.

Polo depressivo

O termo “leve” não significa que seja algo sem relevância. Representa uma menor intensidade de depressão quando comparada com a condição “grave”.

Polo maníaco

  • furor maníaco;
  • mania psicótica;
  • mania não psicótica;
  • hipomania.

Vale ressaltar que no estado de depressão grave ou de furor, especialmente quando o paciente não estiver corretamente medicado, seu comportamento pode se apresentar de modo realmente extremado. No polo maníaco, por exemplo, torna-se agressivo e incontrolável, com danos a objetos ou agressões a si ou a outras pessoas. Já no depressivo, o ele pode se apresentar apático a ponto de não comunicar, se movimentar ou se alimentar.

Monopolar (ou depressivo recorrente)

Esse tipo de transtorno está atualmente inserido no grupo dos bipolares como depressão recorrente. Diferentemente do paciente que tem oscilação de humor entre o maníaco e o depressivo, este apresenta somente o humor patológico depressivo. Acredita-se que esses pacientes também tenham rápidas fases maníacas que podem passar despercebidas.

Transtornos persistentes de humor (TPH)

Dentro dos tipos de depressão, existem aqueles que não ocorrem em ciclos, como os bipolares e monopolares, mas são persistentes. São os chamados transtornos persistentes de humor. O nome refere-se à característica moderadamente alterada de humor do paciente a todo o momento.

A diferença básica entre os bipolares (incluindo os monopolares) e os persistentes é que nos primeiros o transtorno se apresenta em rompantes, fases extremas de depressão ou euforia intercaladas com períodos de bem-estar. No caso dos persistentes, a depressão é relativamente leve, mas constante. Quando acontece em ciclos, ainda assim ele se difere dos demais por se tratar de uma alteração bem mais sutil, mas ainda assim distinta da normalidade.

Outra diferença é que no caso dos persistentes, o transtorno pode ocorrer durante toda a vida do paciente, o que o caracteriza com um estado de humor depressivo, desanimado e apático.

Distimia e ciclotimia

O estado de humor persistentemente depressivo é chamado de distimia. Quando se repete em ciclos, sempre constantes, é chamado de ciclotimia.

Depressão sintomática

Outro tipo de depressão, conhecido como sintomático, é bastante específico e, diferentemente dos já citados, decorre de outras doenças, como:

  • Câncer;
  • Aids;
  • Tuberculose;
  • Doença de Alzheimer;
  • Doenças hepáticas crônicas.

Os sintomas das doenças citadas anteriormente provocam ou propiciam o aparecimento da depressão, haja vista que são problemas graves que consomem as energias do organismo. Embora tais doenças tenham características que dificultam bastante a vida do paciente e o tornem vítima de preconceitos, limitando sua vida social e o tornando solitário, triste e desanimado, o termo depressão sintomática não se refere a esses aspectos, já que a depressão pode aparecer antes do diagnóstico ou mesmo dos primeiros sintomas das doenças.

Comorbidade depressão e transtorno de ansiedade generalizada (ou síndrome do pânico)

O transtorno de ansiedade generalizada (TAG), também conhecido como pânico ou síndrome do pânico, é uma doença que merece atenção, especialmente porque tem se tornado cada vez mais comum na população e em especial entre os moradores das grandes cidades.

O pânico é uma “supercrise de ansiedade” normalmente paralisante e acompanhada de sintomas físicos que surgem sem aviso ou causa aparente em momentos da vida cotidiana. A sensação é de morte iminente, mesmo que a pessoa não seja exposta a nenhum risco real. O mal-estar provoca um medo de recorrência do pânico que leva a mais ansiedade.

Inicialmente o indivíduo tenta correlacionar a crise com algum evento e por isso tenta evitá-lo. Se a crise ocorreu ao andar de automóvel, o paciente evita qualquer atividade relacionada ao automóvel. Com o tempo, as crises passam a ocorrer em situações diferentes, o que induz o indivíduo a ter medo de exercer qualquer atividade corriqueira em sua vida. As situações mais simples tornam-se sempre emergenciais, de pânico, apesar de a pessoa levar aparentemente uma vida tranquila e sem nenhum fator estressante.

Um círculo vicioso e desesperador

Considerando que as limitações impostas pela doença aos pacientes são crescentes e progressivamente mais severas, a tendência é de que surjam sintomas específicos:

  • agorafobia: medo intenso de se ver em ambientes abertos ou mesmo de se afastar de casa.
  • fobofobia: medo de ter medo.

Em desespero, os pacientes imaginam estarem sofrendo de doenças de caráter fisiológico, como problemas cardíacos ou alterações hormonais, e iniciam uma peregrinação de especialistas a especialistas até perceberem que o problema tem uma causa absolutamente psíquica.

É neste ponto que a depressão se sobrepõe à ansiedade e cria um círculo vicioso que torna o indivíduo limitado, angustiado, depressivo e sem perspectivas de se ver livre das crises de ansiedade recorrentes.

1. Psicótico é o termo usado para identificar pacientes que perdem a noção da realidade e falam coisas ou se comportam como se vivenciassem situações fantasiosas. O comportamento psicótico pode ou não vir acompanhado de agressividade e agitação. Um bom exemplo de mania psicótica (neste caso sem agressividade ou aceleração) é o comportamento do personagem do filme ‘K-Pax’, em que ele acredita que veio de outro planeta.

2. A hipomania é um comportamento levemente eufórico, como o da personagem principal do filme ‘Mr. Jones’, vivido pelo ator Richard Gere.

Foto: Omar Yousief / Pexels / CC0


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