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Jung, calatonia e linguagem corporal

Técnica que visa a integração fisiopsíquica de corpo e mente facilita o desenvolvimento individual

andreas160578 / Pixabay / CC0 Creative Commons

Se olharmos ao redor, percebemos que somos constantemente acometidos por estímulos sensoriais como cores, sons, cheiros e texturas. O contato com o mundo externo se dá por meio do corpo e da mesma forma que o ambiente nos comunica algo, nós retribuímos a mensagem.

Além de servir como via de acesso ao espaço externo, o corpo também é um canal de expressão do mundo interno que geralmente passa despercebido. As manifestações físicas e inconscientes de postura, gestos, tônus muscular e tom de voz muitas vezes estão ligadas às emoções, sensações, sentimentos e pensamentos.

Manifestação da consciência

Quando um conteúdo inconsciente se apresenta para a consciência, ele se manifesta primeiramente pelo corpo. As emoções causam alterações físicas que se refletem no campo psíquico. Para auxiliar no processo de ampliação da consciência, a psicoterapia busca instrumentos que permitam a manifestação do inconsciente e, por meio do diálogo, elaborar o conteúdo inconsciente.

Isso pode ocorrer pela fala, pelo trabalho com sonhos, pelos recursos expressivos e pelo trabalho corporal. Na abordagem corporal, consideramos a mente e o corpo instâncias importantes que se influenciam e formam uma unidade fisiopsíquica. O corpo é percebido de maneira simbólica e o psicoterapeuta compreende o sentido prospectivo das queixas e sintomas do indivíduo relacionando-os ao seu funcionamento e momento de vida.

Relação mente-corpo

Olhar para o corpo em conjunto com a psique possibilita uma integração ao momento atual em uma sociedade que preza pelo desenvolvimento extremo da razão e põe a subjetividade do indivíduo em segundo plano. A relação entre mente e corpo se faz presente cada vez mais no meio acadêmico e na prática clínica no olhar da medicina integrativa, que considera a pessoa de forma ampla e valida as práticas para promover a saúde física e psíquica.

No âmbito do inconsciente na psicologia analítica, as técnicas que facilitam sua expressão são importantes recursos terapêuticos e remetem ao trabalho corporal desenvolvido pelo médico húngaro Pethő Sándor. Ele contribuiu significantemente com a prática psicoterapêutica junguiana ao introduzir a utilização do trabalho corporal com base no princípio de que o corpo abriga forças restauradoras.

Criação da técnica

Com base em toques sutis, Sándor buscava a criação de condições terapêuticas para ampliação da consciência do indivíduo pela integração da corporeidade. De todas as técnicas desenvolvidas por ele, a mais conhecida e difundida é a calatonia, utilizada também em outras áreas da saúde além da psicologia.

Assim como os outros métodos de abordagem corporal, a calatonia visa a integração fisiopsíquica ao considerar o corpo como uma via de acesso ao inconsciente que serve como facilitador no processo individual de transformação. Com o relaxamento propiciado pela sutileza e monotonia dos toques, percebe-se a descontração e soltura do tônus muscular e a diminuição da atividade consciente. Isso permite a manifestação de conteúdos inconscientes pelas imagens, sensações, percepções, emoções, insights e pensamentos.

Reintegração

O psicoterapeuta ajuda o paciente a ressignificar suas experiências e vivências pelo toque. A elaboração de todos os conteúdos verbais e não verbais que vêm à tona facilitam o diálogo entre o consciente e o inconsciente. Ao trazer o corpo para o setting psicoterapêutico, toda forma de comunicação passa a ser compreendida como uma possibilidade de acesso ao inconsciente.

O contato com o próprio corpo e a relação deste com o mundo oferece muitas possibilidades de transformação. Além de incentivar uma nova forma de vivenciá-lo, as técnicas ajudam a estabelecer o diálogo entre mente e corpo e favorecer a conscientização das reações corporais e emocionais, o bem-estar e a saúde.

Foto: Shutterstock