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Existe qualidade de vida no trabalho?

Somente com enfoque multidisciplinar é possível ampliar o debate sobre a questão na atualidade

caio_triana / Pixabay / CC0 Creative Commons

Vivemos atualmente um grande desafio: concicliar a constante luta pela sobrevivência das organizações e o grande desgaste e estresse impingidos aos trabalhadores que nelas atuam.4 Após sucessivos processos de reestruturação e reengenharia que marcaram toda a década de 1990, nota-se que as pessoas têm trabalhado cada vez mais e dedicado pouco tempo para si.7

O filósofo irlandês Charles Handy, com base nessa realidade, declarou que “o problema começou quando transformamos o tempo em uma mercadoria, quando compramos o tempo das pessoas em nossas empresas em vez de comprar a produção. Quanto mais tempo você vende, nessas condições, mais dinheiro fará. Então, há uma troca inevitável entre o tempo e o dinheiro”.2

Dimensão humana

Juntamente com as ações de gestão de qualidade de processos e produtos e a evolução da consciência social e do direito à saúde, reforçadas pela necessidade de mudança de estilo de vida, multiplicam-se, estudos, práticas e esforços gerenciais para a qualidade pessoal. A convergência entre os interesses empresariais e o foco na dimensão humana no trabalho originou o conceito de gestão da qualidade de vida no trabalho.

Essa competência surge não apenas para elevar o índice de satisfação e motivação do cliente interno, mas como instrumento para a tomada de decisão empresarial e apoio às áreas empresariais para incorporar revoluções conceituais, ideias inovadoras e novas formas de administrar a empresa. Ela é empregada ainda para auxiliar a integração comunitária e organizacional do trabalho, tendo o bem-estar individual e coletivo como resultado.

A gestão de qualidade de vida no trabalho é definida como “a capacidade de administrar o conjunto das ações, incluindo diagnóstico, implantação de melhorias e inovações gerenciais, tecnológicas e estruturais no ambiente de trabalho alinhada e construída na cultura organizacional, com prioridade absoluta para o bem-estar das pessoas da organização”.5

Vantagens e desafios

Para Silva e de Marchi6, a adoção de programas de qualidade de vida e promoção da saúde proporcionaria ao indivíduo maior motivação, eficiência no trabalho, resistência ao estresse e melhor relacionamento. Com isso, as empresas são beneficiadas com uma força de trabalho mais saudável, com maior produtividade e melhor ambiente de trabalho.

O principal obstáculo para a implantação desses programas é na falta de importância estratégica e a baixa relevância financeira, pois são erroneamente vistos como despesas e não como investimentos, segundo afirma Limongi-França e Assis.3

Os programas empresariais de qualidade de vida devem acompanhar os paradigmas, valores e demandas atuais da sociedade. Para os autores citados anteriormente, as ciências da saúde têm buscado, por meio de avanços biomédicos, não apenas atuar sobre o controle de doenças, mas proporcionar maior expectativa de vida e preservar a integridade física, mental e social do ser humano.

Nesse sentido, toda atuação na área da saúde deve reintegrar as dimensões pessoais, sociais, físicas e psicológicas:

  • a medicina do trabalho atua na avaliação periódica da saúde física e analisa os riscos ocupacionais;
  • a naturologia emerge em busca dessa reintegração ao utilizar métodos naturais, tradicionais e modernos para a promoção, manutenção e recuperação do bem-estar;
  • a nutrição tem a função de zelar pela alimentação com atenção às influências do estilo de vida;
  • a psicologia visa promover melhores e mais saudáveis interações entre os indivíduos.

Trabalho em equipe

Essas dimensões associadas a outras ciências, como ecologia, ergonomia, sociologia, economia, administração, engenharia, educação física, permitem a criação de equipes voltadas ao programa de Qualidade de Vida no Trabalho (QVT), embora ainda existam dois grandes desafios: o interesse das corporações no investimento desse tipo de projeto e a consciência e priorização do trabalhador em relação à sua própria saúde.

Conforme diz Leonardo Boff1, o grande desafio para o ser humano é combinar trabalho com cuidado. Eles não se opõem, mas se compõem. Limitam-se mutuamente e ao mesmo tempo se completam. Juntos, constituem a integralidade da experiência humana ligada à materialidade e à espiritualidade. O equívoco consiste em opor uma dimensão à outra e não vê-las como modos de ser do ser humano.

Foto: Thinkstockphotos


Referências

1. Boff, L. Saber cuidar: ética do humano – compaixão pela terra. Rio de Janeiro: Vozes, 1999.
2. Handy, Charles. A era do paradoxo. Dando um sentido para o futuro. São Paulo: Makron Books, 1995.
3. Limongi-França, A. C.; Assis, M. P. de. Projetos de qualidade de vida no trabalho: caminhos percorridos e desafios. RAE Light São Paulo 2(2): 26-32, mar/abr. 1995.
4. Malva, V. A. S.; Tenzer, D. P. A aplicabilidade de um projeto de qualidade de vida com Naturologia em grandes corporações. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Naturologia) – Universidade Anhembi Morumbi. São Paulo, 2010.
5. Rossi, A. M.; Quick, J. C.; Perrewé, P. L (Orgs.). Stress e qualidade de vida no trabalho: o positivo e o negativo. São Paulo: Atlas, 2009.
6. Silva, M. A.; De Marchi, R. Saúde e qualidade de vida no trabalho. São Paulo: Best Seller, 1997.