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Conheças as causas da depressão

O médico psiquiatra Bernardo de Gregório fala sobre os motivos e como identificar os principais sintomas da maioria dos quadros de doenças depressivas

Anemone123 / Pixabay / CC0 Creative Commons

A depressão, de modo geral não tem uma causa definida. Ela pode ser a o resultado de um conjunto de fatores, como estresse, problemas afetivos, dificuldades emocionais e financeiras, perda pessoas queridas, traumas de infância e outros ainda desconhecidos pelos especialistas e estudiosos. As exceções às causas genéricas e/ou desconhecidas ficam por conta dos seguintes casos:

  • Aparecimento de doenças como depressão sintomática;
  • Reação ao transtorno de ansiedade generalizada (TAG ou síndrome do pânico);
  • Transtorno bipolar (incluindo os monopolares) cuja causa é genética;
  • Depressão pós-parto.

No caso dos transtornos persistentes de humor (TPH: distimia e ciclotimia), embora alguns estudiosos já tenham levantado a hipótese de que sejam causados por fatores genéticos, isso ainda não foi comprovado. Dessa forma, consideram-se causas dos TPH fatores psicológicos, geralmente relacionados à infância.

Estudos feitos pelo Projeto Genoma Humano comprovaram que a causa dos transtornos bipolares (incluindo os monopolares) é genética, classificando este tipo de depressão como o único com causa definida.

Uma pessoa diagnosticada com transtorno bipolar necessariamente terá, em sua família, alguém que já teve doença bipolar ou transtorno obsessivo compulsivo (TOC), problema psíquico causado pelo mesmo gene quando este tem penetração variável. Quando o gene se expressa plenamente, o indivíduo apresenta transtorno bipolar (ou monopolar); caso contrário, surge o transtorno obsessivo compulsivo.

Cada caso deverá ser avaliado individual e criteriosamente para evitar chances de diagnósticos equivocados, já que embora o tratamento seja diferente para cada caso, os sintomas são, muitas vezes, semelhantes.

Sintomas

A depressão apresenta de modo geral um grupo de sintomas comum em todos os tipos. Antes de citá-los, vale alertar que uma das características dos transtornos bipolar e monopolar é o aparecimento em ciclos, o que ajuda no diagnóstico correto da doença.

Os ciclos dividem os pacientes em três subgrupos que devem ser identificados pelo médico após cerca de um ano de observação. Não há transição de uma ciclagem para outra.

Ciclos do transtorno bipolar

  • ciclagem típica: as oscilações de humor ocorrem com intervalos equilibrados. Por exemplo: o indivíduo apresenta humor estável por seis meses, quadro depressivo por mais seis e assim por diante.
  • ciclagem rápida: as oscilações de humor surgem em um período de tempo mais curto, geralmente a cada três semanas e também em intervalos equilibrados.
  • ciclagem atípica: as oscilações de humor ocorrem em um período de tempo indeterminado. As crises não obedecem a um ritmo ou ordem específica.

Por conta desta característica (ciclagem), o transtorno bipolar só pode ser diagnosticado com precisão depois de cerca de um ano de observação médica especializada. Caso contrário, como vem acontecendo recorrentemente, podem surgir diagnósticos errados que acarretam sérios danos à saúde física e mental do paciente, além de retardar o tratamento do problema.

Humor constantemente depressivo

Além dos ciclos do transtorno bipolar, citaremos os sintomas próprios da depressão considerando as particularidades de cada um. Em princípio, pode-se afirmar que qualquer tipo de depressão é caracterizado por um sintoma recorrente: o humor constantemente depressivo.

É importante lembrar que não nos referimos a uma tristeza semelhante a que sentimos algumas vezes com ou motivo aparente. No caso da depressão como doença trata-se de um descontentamento mais profundo que torna melancólicos o olhar e as ações, além de alterar por dias, meses ou anos a forma como vive o indivíduo por ela acometido. A fim de elucidar melhor do que se trata, cabe aqui uma conceituação sobre alguns termos comumente utilizados:

  • Humor: é o pano de fundo, o jeito de ser da pessoa e o modo como ela se expressa nas diferentes situações vividas no dia a dia. Pode se mostrar alterado dependendo da circunstância experimentada.
  • Sentimento: representa o que a pessoa sente e nem sempre expressa. Pode ser camuflado e é a pessoa quem decide se vai expressá-lo ou não por meio de emoções.
  • Emoção: é a expressão do sentimento. Algumas pessoas são emotivas e deixam transparecer o que sentem, enquanto outras são mais introspectivas. Indivíduos com esse perfil são erroneamente intituladas de “frias”, ou seja, agem sem emoção.

Sintomas mais comuns

  • Insônia, excesso de sono ou alterações no ritmo circadiano;
  • Falta de apetite;
  • Perda de peso;
  • Diminuição da imunidade;
  • Diminuição da libido;
  • Falta de ânimo, entusiasmo e energia;
  • Desejo de isolamento;
  • Pensamentos de ruína e ideias pessimistas;
  • Sentimento de que não vale a pena viver;
  • Tendência ao mutismo (falar cada vez menos);
  • Crises de choro ou estado choroso;
  • Falta de vontade generalizada.

Foto: Bradley Gordon / Flickr / CC BY 2.0; Ryan melaugh / Flickr: Depression / CC BY 2.0


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