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Plano Diretor quer São Paulo mais verde

Novas diretrizes para o crescimento da cidade defendem mais áreas arborizadas e habitações de interesse social

Vanessa Cancian

Vereador Nabil Bonduki (PT) apresenta proposta de reformulação do Plano Diretor da capital paulista

Para transformar o espaço urbano de São Paulo em um lugar mais agradável de viver são necessários muitos debates e ações. Hoje, aproximadamente 11 milhões de pessoas moram na cidade. Gente que trabalha, estuda, passeia e tem de conviver com os excessos da metrópole. Melhorar as relações entre as pessoas e todos esses fatores é o principal objetivo do novo Plano Diretor do município, produto do trabalho do verador Nabil Bonduki (PT), professor do departamento de planejamento da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).

Novo Plano Diretor

A maior cidade da América do Sul e seu grande contingente habitacional fazem com que novos projetos de transformação do espaço urbano surjam a cada instante. São iniciativas individuais, de coletivos, projetos sociais, do poder privado e público, que procuram melhorar a qualidade de vida dos paulistanos e dos migrantes e imigrantes que chegam a todo o momento. Nem sempre, porém, os projetos são harmoniosos entre si. Essa gama de mudanças transforma o tecido urbano em uma colcha de retalhos. Criar um fio condutor é o papel do Plano Diretor pretende ter.

Trecho da Avenida São João, no centro de São Paulo, transitável para pedestres
Recuperar os espaços públicos é um dos objetivos da proposta para o Plano Diretor

Bonduki apresentou na Câmara Municipal uma proposta de reformulação do plano diretor da cidade, que deve ir para votação até o final de maio. “A ideia do novo plano é tornar a cidade mais harmônica e melhorar as condições de quem circula pela metrópole, conciliando as questões ambientais e sociais”, sintetiza o verador do PT.


Projeto estabelece cota de solidariedade para amenizar o problema no déficit habitacional de São Paulo

Habitação de interesse social

A especulação imobiliária e a falta de moradia para pessoas de baixa renda recebe dessa nova empreitada de regulamentos a chamada 'cota de solidariedade'. “Isso determina que todo empreendimento imobiliário com mais de 20 mil metros quadrados de área construída deverá construir 10% de habitação de interesse social, o que funciona como uma espécie de contrapartida para os grandes empreendimentos, garantindo moradia para mais pessoas”, defende o vereador.


Movimentos como o MTST organizaram manifestações para apoiar a nova proposta

Falta de moradia

Os movimentos sociais paulistanos ligados à causa da moradia – como Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) – organizaram manifestações e abaixo-assinados para que a proposta fosse votada na Câmara.

O novo plano contempla o fortalecimento de pequenos centros econômicos em bairros afastados. "A ideia é que a gente possa promover maior desenvolvimento em áreas onde hoje predomina a habitação, criar ali novos polos econômicos, na zona leste, por exemplo, para reduzir a necessidade da mobilidade a médio e no longo prazo", ressalta Bonduki. Ele salienta que, atualmente, a tendência dos empreendimentos em São Paulo é construir novos prédios onde já existem polos econômicos. Para que isso mude, incentivos e facilidades devem ser agregados ao planejamento urbano.

A cobertura completa dos trâmites relacionados ao projeto na câmara, notícias, o texto integral da proposta e opiniões de especialistas podem ser encontradas na página do Cidade Aberta.

Nossa ideia é garantir a preservação do meio ambiente e dar respostas para o problema de moradia pensando em conjunto as questões sociais e ambientais.

Como o plano irá deixar a cidade mais arborizada e manter as áreas verdes que já existem?
O plano define a criação de 158 novos parques na cidade e estabelece que esses locais sejam transformadas em Zepam (Zonas Especiais de Proteção Ambiental). A ideia é ampliar parques, praças e ciclovias, o que garante o aumento e a preservação das áreas verdes já existentes através de cláusulas presentes. Serão 82 quilômetros quadrados de parques. Temos a ideia de promover editais semestrais para que sejam remuneradas as empresas que preservarem, por exemplo, áreas remanescentes de Mata Atlântica.

Qual a melhor forma de conciliar os interesse sociais e ambientais em uma cidade como São Paulo?
A tarefa de conciliar os interesses sociais com a preservação ambiental das poucas áreas de verdes que ainda existem na metrópole é um dos maiores desafios do projeto. As áreas de proteção ambiental são as mais visadas na ocupação irregular de moradia. Esse locais, na maioria das vezes estão sem uso, e a população de baixa renda acaba ocupando, por isso, é preciso criar políticas habitacionais que diminuam o problema ambiental, que é também um problema social.

Ainda há muita gente que contrapõe o ambiental com o social. Nossa ideia é garantir a preservação ambiental e dar respostas para o problema social de moradia. Os ambientalistas que possuem uma visão mais moderna trabalham com a questão do socioambientalismo, na qual o social e o ambiental são pensados em conjunto e não em oposição.

Foto 1: Diego Torres Silvestre
Foto 2 e 3: Divulgação/Câmara Municipal