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Truques simples para melhorar sua casa

Uma das vantagens de ter inúmeras plantas em casa é a biodiversidade que elas proporcionam

Counse / Flickr: Secret Garden / CC BY 2.0

Permacultura é a ciência que imita a natureza. Pensando assim, minha história começa quando mudei para a casa que eu moro hoje. Quando chegamos, eu, minha esposa e filha, encontramos uma casa cinza, apagada, sem vida e no quintal só havia grama. Tratamos de lavar as paredes e defumar a casa toda com incenso Palo Santo1. Energia renovada, agora era a hora de observar o jardim, na verdade a grama, e as formigas2, únicos seres vivos naquele espaço.

Passo a passo

Primeiro observamos onde estava o norte, qual o trajeto do sol, onde havia incidência de sombra, onde estavam os formigueiros, para onde corria a água da chuva e qual o caminho do vento sul dentro do meu espaço. Analisados esses aspectos fui para o segundo passo: desenhar e planejar o espaço. Com papel e lápis em mãos comecei a rabiscar onde seria o varal para secar as roupas (local com maior incidência de sol durante o dia todo); o lugar da composteira3 – bem longe da vista da minha esposa, pois ela tem pavor de insetos que fatalmente aparecem nas composteiras –; um lugar para as ervas medicinais (de fácil acesso para serem usadas nas refeições); criação de canteiros laterais; espaço para a rede; e mesa de jardim. Parecia que minha filha havia feito o meu desenho, mas não importava, eu entendia e isso bastava para começar meu tão sonhado jardim comestível.

Presentes da natureza

O terceiro passo foi arrumar sementes e mudas. Como eu não tinha pressa e não queria gastar em lojas especializadas, fiz o caminho mais prazeroso: pedi aos amigos, vizinhos, parentes e ganhei vários exemplares, participei de encontros de troca de sementes e plantas para buscar doações e assim juntei meus primeiros exemplares de hortelã, erva doce, capuchinha, azulzinha, feijão guandú, crotalária, cebolinha, lichia, cerejeira, tomate cereja, manjericão, maracujá, carquejo, erva-de-touro, boldo-do-chile, ora-pro-nóbis e alecrim.

Mãos à obra

Comecei plantando instintivamente, ou seja, sem regras (propositalmente), somente buscando no meu consciente alguma relação entre elas e o dia a dia da minha família para integrar tudo de forma holística e alegre, não me preocupando com beleza estética. A única coisa que pensei no momento era ter o máximo de biodiversidade no meu jardim, a ideia era observar a reação de cada uma das plantas com as espontâneas (espécies de plantas que germinam na área de cultivo, podendo ser espécies nativas ou exóticas já estabelecidas), com o sol, formigas, crianças, água da chuva, insetos e o local em que as enterrei.


Foto: Republic of Korea / Flickr / CC BY-SA 2.0

Novos moradores

Passados alguns meses, o local da composteira já estava atraindo vários insetos diferentes. Foi aí que comecei a ficar mais feliz e a lembrar da minha infância: eu parecia uma criança quando encontrei em meu canteiro um exemplar de tatu-bolinha4.

Nos meses seguintes, foi só alegria, toda semana arrumava poda de grama e folhas secas e jogava tudo nos canteiros e principalmente na composteira, para cobrir os restos de orgânicos da cozinha.

Com a ajuda dos produtos Bon-Solo, pó de rocha5  e biofertilizante6, potencializei o crescimento das flores e ainda corrigi o pH do solo. Dalí para a frente, plantas, flores, ervas e frutíferas começaram a ficar mais vistosas e resistentes. Nesse momento comecei a replicar exemplares espalhando mudas em cada canteiro novo que ia criando. Com isso, a biodiversidade aumentou consideravelmente, contribuindo para o aparecimento de vespas, sapos, mamangavas, besouros, abelhas africanizadas, lagartas, lesmas e até os gatos da vizinhança começaram a frequentar minha casa. Minha filha achava o máximo, cada dia um gato diferente visitando nosso quintal.

Meu jardim de 25 m2 produz mamão, erva-cidreira, ora-pro-nóbis, maracujá, manjericão, alface, tomate, alecrim, carqueja e boldo-do-chile; estão a caminho cereja, lichia e mais mamão, sem contar as plantas espontâneas e sementes trazidas por pássaros e formigas que aparecerem sozinhas, como amora, samambaia, maria-sem-vergonha, maria-pretinha, tiririca, picão, trevo, serralha e muitas outras que nem imagino o nome, e todas vivem juntas e misturadas sem nenhum problema aparente.


Foto: Timo Schmets / Flickr / CC BY-SA 2.0

Rotina e manutenção

Para manter o equilíbrio e umidade nos canteiros:

  • Diariamente, rego antes das 8h e depois das 17h, quando não chove;
  • Semanalmente, rego os canteiros com mistura de biofertilizante Bon-Solo, retiro o excesso de lagartas, controlo os pulgões e cochonilhas com extrato de neem7, podo as espontâneas com tesoura sem arrancar as raízes (indicação do amigo naturólogo, Caio Fábio Schlechta Portella, que defende a tese de que as plantas espontâneas e invasoras obrigam plantas comuns a serem mais fortes e resistirem a pragas e doenças, pois disputam água e nutrientes diariamente, mantendo-se ativas e competitivas)
  • Mensalmente, faço o corte do gramado somente (que vai ser jogado nos canteiros ao longo das semanas; nos canteiros só entra tesoura e a minha mão arrancando o que está muito grande, feio ou sombreando alguma planta de meu interesse).


Foto: Clément Bolano / Flickr / CC BY-ND 2.0

Referências

  1. O palo santo pode ser usado para curar o chamado mal do século: a depressão. Fonte: Jornal da Universidade Estadual Maringá
  2. Formigas são eficientes predadoras de outras pragas, ajudam a aerar e adubar o solo, podar árvores e até cultivar sementes. "Se tirar a formiga do mundo, o mundo acaba." Fonte: G1.globo.com - Bióloga Ana Eugênia, pesquisadora científica da unidade de referência em pragas urbanas do Instituto Biológico de SP, 20 agosto 2013.
  3. Compostagem é o conjunto de técnicas aplicadas para controlar a decomposição de materiais orgânicos, com a finalidade de obter, no menor tempo possível, um material estável, rico em húmus e nutrientes minerais.
  4. O pequeno crustáceo pode parecer sem importância, mas atua no processo de decomposição de matéria orgânica. “Ele reduz o tamanho das folhas secas e facilita a ação de fungos e bactérias, que fazem a ciclagem de nutrientes mais rápida”. Os tatuzinhos ajudam a acelerar a disponibilidade de nutrientes no solo para uso pelas plantas. Fonte: Embrapa (22/12/2009).
  5. Pó de rocha Bon-Solo é um produto 100% natural, orgânico e ecológico, derivado de rochas selecionadas (micaxistos, ultramáficas, filítos, ultrabásicas e fosforita), que dispõe dos nutrientes necessários para atender às exigências da vida microbiana do solo, deixando as plantas nutridas, saudáveis e mais resistentes às pragas e doenças. É composto de magnésio, ferro, cálcio, fósforo, potássio, enxofre, zinco, manganês, cobalto, boro, molibdênio, sódio, berílio, bismuto, cromo, lantânio, nióbio, níquel, estanho, escândio, silício, vanádio, ítrio, zircônio, bário, titânio e prata.
  6. O biofertilizante líquido Bon-Solo é um produto 100% natural, orgânico e ecológico, derivado de rochas selecionadas (micaxistos, ultramáficas, filítos, ultrabásicas e fosforita), que dispõe dos nutrientes necessários para atender às exigências da vida microbiana do solo, deixando as plantas nutridas, saudáveis e mais resistentes às pragas e doenças.
  7. O extrato neem é inseticida natural à base de óleo de neem pronto para uso. Ideal para ser utilizado em residências; é prático, rápido e fácil de usar, basta agitar e pulverizar a planta, direcionando o jato para o local infestado, ou simplesmente utilizando como preventivo. Fonte: www.aporganica.com.br, a venda no www.shoppingdalimpeza.blogspot.com.br  sim é de minha propriedade, a mesma do autor!
  8. Momento Terapêutico de Bolso – Monografia de conclusão da graduação modulada de Fitoterapia da turma do 1° semestre de 2005 da Faculdade Anhembi Morumbi.