O que é

Energia renovável é aquela obtida de recursos naturais que pode ser reabastecida com abundância e causa pouco impacto no meio ambiente. Hoje, ela corresponde a 12,5% da produção mundial. Nela estão incluídas a energia hidráulica, a biomassa, a eólica, a solar, a geotérmica, a maremotriz e a de hidrogênio. O uso de fontes renováveis busca atender demandas energéticas da sociedade de forma limpa, segura, barata e sustentável. Além disso, pretende diminuir a dependência de fontes não renováveis e poluentes como a nuclear e os combustíveis fósseis.

Historicamente, o potencial hidrelétrico foi uma das primeiras formas de substituição da tração animal. Era utilizado para bombear a água dos rios e mover equipamentos aplicados na moagem de grãos. Para gerar eletricidade, ela usufrui da diferença de altura de um rio para movimentar turbinas e hoje corresponde a 11% de toda eletricidade gerada no mundo. É muita vez considerada uma fonte limpa por não produzir gases de efeito estufa, mas isso não quer dizer que não cause impactos. A instalação de uma usina hidrelétrica de grande porte, por exemplo, remodela totalmente o ambiente, o microclima e a vida social dos habitantes da região, pois grandes áreas são desapropriadas e alagadas para criar o reservatório. A disponibilidade hídrica é outro fator a ser levado em consideração. Enquanto países como Brasil, Estados Unidos, Canadá, China, Rússia e Índia possuem grande capacidade, outros não podem utilizar desse recurso em função da pequena configuração de bacias hídrográficas.

A matriz de biomassa é a mais utilizada correspondendo a 9,7% do valor mundial. Isso se deve ao aproveitamento de materiais rejeitados no segmento agrícola e de transformação, como o bagaço da cana, a torta de soja e a palha vegetal. Em países com baixo nível de industrialização, torna-se a única opção viável. Muitas empresas, como as refinarias de açúcar, utilizam a biomassa como sistema de cogeração, pois o material encaminhado como combustível para caldeiras gera vapor e eletricidade, os quais são reaplicados no processo produtivo. Além disso, o excedente pode ser vendido para empresas de energia, o que torna atividade não apenas sustentável, mas lucrativa.

Vista como uma solução de baixo impacto, a opção eólica tem crescido bastante. Estimativas da Agência Europeia de Energia Eólica apontam que até 2020 o mundo terá 12% de sua energia gerada pelo vento, porém, a realidade ainda está longe dessa meta. No Brasil, por exemplo, a produção desse tipo de energia em 2013 representou apenas 2% do total nacional. A força eólica é conhecida há muito tempo. Moinhos eram utilizados para movimentar mecanismos, bombear água e moer grãos. Contudo, a instalação da primeira turbina para geração de eletricidade ocorreu apenas em 1976 na Dinamarca. Recentes aprimoramentos mecânicos e aerodinâmicos têm reduzido os custos e aumentado o desempenho dos equipamentos mesmo em condições desfavoráveis. Esse tipo de tecnologia, no entanto, depende de fatores climáticos específicos de correntes aéreas para ser eficiente. Nas regiões em que o fluxo eólico é fraco, sua aplicação torna-se inviável. É importante notar que ela também não está livre de impactos ambientais. Pesquisas relatam que as turbinas geram níveis consideráveis de ruído e radiação eletromagnética, além de prejudicam o fluxo migratório de algumas aves próximas ao equipamento gerador.

O calor do Sol é fundamental para a manutenção da vida na Terra. Mesmo os outros meios de obtenção — hidráulica, biomassa, combustíveis fósseis — têm relação indireta com a solar. Seu uso para iluminação e aquecimento passivo faz parte da cultura do ser humano e o desafio atual é aproveitar esse potencial para produzir eletricidade. Os painéis fotovoltaicos permitem essa conversão com abastecimento praticamente inesgotável e é muito útil em lugares remotos onde a rede convencional não chega. Contudo, o valor elevado para produção dos painéis, as particularidades geográficas e a possibilidade de absorção apenas em dias sem nebulosidade ainda são obstáculos a serem superados.

Também é possível obter potencial energético por meio do potencial hídrico do oceano (maremotriz e ondomotriz) e do calor da Terra (geotérmica).  A primeira usa a oscilação e variação das ondas do mar para movimentar mecanismos que produzem eletricidade e representa uma alternativa interessante para provimento em regiões costeiras em razão do baixíssimo impacto ambiental e alta densidade fornecida; a segunda, por sua vez, capta a água e o vapor contidos em profundidades de até 1.000 metros para utilização em turbinas e conversão em eletricidade. Apesar de exercer baixo impacto ambiental, sua aplicação é restrita em razão da disponibilidade específica na superfície terrestre. Atualmente, Islândia, Filipinas e El Salvador são os maiores produtores mundiais.

Outra fonte bastante estudada é o hidrogênio. Ela não gera compostos poluentes de carbono e possui oferta ilimitada, pois é um dos elementos mais abundantes da natureza. Contudo, há dificuldades tecnológicas para obtê-lo, pois sua quebra demanda uma quantidade de energia maior que ela oferece e seu armazenamento para aplicações como a automotiva é difícil. Buscar um modelo energético renovável que tenha baixo custo, níveis reduzidos de emissão de gases de feito estufa e produza poucos resíduos é o maior desafio tecnológico do futuro.

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