O que significa “amor platônico”?

Na filosofia platônica, a noção de “ideal” não deve ser compreendida como algo idealizado, e sim por um modo de ser radical, cujas determinações sejam puramente inteligíveis. Esse máximo de ideação tem mais afinidade com a ideia de um anseio, do que com a contemplação estática de algo. Um objeto dito “ideal” não é um objeto perfeito imaginado, nem mera projeção gerada pela carência. O objeto inteligível é proposto como algo a ser pensado, conhecido e amado.

O filósofo, como amor, consiste na construção racional e progressiva desse objeto. Não se trata, portanto, de uma idealização ingênua da figura do ser amado, de um sentimento sobre como os seres humanos são afetados perante objetos ou seres que os atraem e os marcam. É, ao contrário, uma abertura para essa diferença, que de forma progressiva nos faz projetar uma “alteridade inteligível”.

O amor platônico é, na verdade, uma atividade que implica a relação entre corpos e almas, sempre em movimento, rumo a algum tipo de imortalidade. É uma ideia do amor como processo, associando amor e conhecimento, em que o amor fica entre a ignorância e o saber pleno, e a reflexão sobre o amor pode ser lida como uma definição da própria filosofia. Amar é engendrar e disseminar a beleza, produzir algo perante o que é belo. O amor seria o alcance de uma plenitude, que, ao transbordar, vai além da mera falta e produz algo novo.