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Viajar de bike pelo Norte e Nordeste

Em viagem de bicicleta, o fotógrafo Beto Ambrósio retrata as belezas dessas regiões brasileiras

Beto Ambrósio

"Viajar pelo Norte e Nordeste tem sido uma experiência incrível. É o meu país, minha casa, não tem erro", diz Beto - Foto de Alter do Chão, Pará

Há várias maneiras de conhecer o mundo. Erro daqueles que pensam que isso só é possível de avião. O fotógrafo Roberto Ambrósio Filho é uma prova de que há outras formas de turismo, que podem ser extremamente intensas e bem mais interessantes. Em 2012, ele saiu de bicicleta de Araraquara, há 280 km da capital paulista, com a intenção de viajar e fotografar 17 países da América Latina. Tinha 24 anos. Ele completou com sucesso seu percurso em agosto 2015. Quase 3 anos pedalando, num total de 25.160 quilômetros.

Além das belas imagens que fez, ele pretente publicar um livro contando as experiências que viveu nesse tempo. Em entrevista exclusiva ao Portal NAMU no período em que pedalava pelas regiões Norte e Nordeste do Brasil, Beto conta como é viajar de bicicleta por essas regiões e fala sobre preconceito, humildade e a sensação que sentiu ao retornar a seu país após um giro de bike pela América Latina.

Portal NAMU: Você se sentiu em casa ao chegar ao Brasil, após quase 2 anos viajando por outros países?
Beto Ambrósio: Com certeza. É maravilhoso estar aqui novamente, falando minha língua, comendo meu arroz com feijão, coxinha e guaraná, sentindo o calor humano tão especial que existe nesse país. Isso é bom demais. E hoje, tudo isso tem muito mais valor para mim, porque eu senti falta.

Há diferenças entre viajar de bike pelo Norte e pelo Nordeste e viajar por outras regiões do Brasil?
Quando saí de casa, pedalei 3 meses por todo o sul do Brasil. A única diferença que notei entre lá e aqui é a cultura. O país é o mesmo, o povo é igualmente hospitaleiro, só mudam os costumes.

Você achou perigoso viajar de bike pelo Norte e pelo Nordeste do Brasil?
Na minha opinião, viajar pelo Norte e Nordeste do Brasil tem sido uma experiência incrível, ainda mais depois de ficar quase 2 anos longe. É o meu país, minha casa, não tem erro. Tenho amigos de outros países que não gostaram muito, em razão do bafafá que rola por aí, sempre mais focado nas atrocidades do que nas belezas.

A televisão está muito mais contaminada de maldade do que o próprio mundo

Eu prefiro desconsiderar essas conversas, entra por um ouvido e sai pelo outro. Graças a Deus, eu não enfrentei nenhum problema, ao contrário, só vejo pessoas lindas de coração gigante, sempre dispostas a ajudar.

Os favores envolvem desde um copo de água e um prato de comida até, como sempre, um lugar seguro para dormir. Os perigos estão no jornal. A televisão está muito mais contaminada de maldade do que o próprio mundo. Essa é a verdade. Claro que existem perigos, não posso negar, mas prefiro ver o belo e não o feio. Se um dia vierem me roubar, o que vou fazer? Pode levar.

Há algum aspecto que você considera peculiar nas pessoas e nas paisagens dessas regiões? Que lugar você mais gostou?
Eu acho que o nordestino e o nortista têm uma simplicidade e humildade muito bonitas. Passei pela Amazônia, um lugar onde vivem pessoas de coração puro. Isso sim foi maravilhoso. Nós do Sul e do Sudeste do país somos muito bem quistos por eles. É uma pena ouvir falar sobre essa historia de separar o Norte do Sul, um preconceito sem tamanho. Isso prova essa humildade a qual me refiro. Mesmo sofrendo com esse tipo de preconceito, nordestinos e nortistas seguem sorrindo e ajudando os que os julgam.

Em relação às paisagens, do que conheci até agora, amei um lugar chamado Alter do Chão, no estado no Pará. Um dos lugares mais lindos e agradáveis em que já estive. Praias de água verde e doce, com areia fina e branca, conhecido como o ¨Caribe Brasileiro¨, realmente faz jus ao nome.

O que você diria àquelas pessoas que pensam que as regiões Norte e Nordeste são um atraso para o Brasil?
O preconceito é o maior atraso da humanidade.


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