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Todos jogam, todos vencem

Atividades lúdicas transmitem valores como cooperação e solidariedade, além de ensinarem às crianças as vantagens em adotar estratégias nas quais todos ganham

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Atividades lúdicas servem como instrumento de desenvolvimento afetivo,cognitivo e físico-motor

Você com certeza conhece jogos competitivos. Pega-pega, polícia e ladrão, esconde-esconde, queimada, entre tantos outros. São jogos que colocam a criança à prova em seus limites de força, velocidade e independência. É divertido para quem ganha, mas como fica aquele que perde? Como fica o grupo quando está dividido entre vencedores e perdedores?

Os jogos cooperativos são ferramentas para desenvolver não só as habilidades individuais, mas para trazer valores coletivos para o grupo, afirma Fábio Otuzi Brotto, mestre em educação física pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e diretor geral do Projeto Cooperação. Todos jogam, todos vencem e todos se divertem.

Os jogos fazem parte da rotina da infância. A atividade lúdica serve como instrumento de desenvolvimento afetivo, físico-motor, cognitivo, moral e da linguagem. São aspectos que podem ser estimulados a partir de brincadeiras, jogos e brinquedos, segundo o Brotto na sua dissertação de mestrado Jogos cooperativos: o jogo e o esporte como um exercício de convivência.

Ganha-ganha

A noção de cooperação para que todos vençam está presente também fora dos jogos, no mundo dos negócios. O conceito de “win-win”, ou “ganha-ganha”, é aplicado como estratégia de resolução de conflitos no mundo corporativo.

“A busca de relações duradouras nas negociações pode levar a novas negociações no futuro, além de manter e aperfeiçoar o contato já existente entre as partes envolvidas no processo”, afirma Dante Pinheiro Martinelli, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo2.

É possível cultivar o espírito cooperativo de maneira leve e descontraída, utilizando jogos em dinâmicas com equipes, por exemplo. Isso pode fortalecer o grupo e gerar resultados mais produtivos na empresa. Conheça alguns exemplos de brincadeiras de cooperação que podem ser propostas para adultos e crianças.

Subir e descer um bambolê

Tipo: fácil de organizar e fácil de jogar.

Materiais necessários: um ou mais bambolês, dependendo do número de jogadores.

Participantes: livre para todas as idades. Máximo de 10 jogadores por bambolê.

Desenvolvimento: todos os participantes devem formar um círculo em torno do bambolê. Com a palma da mão virada para cima, todos devem segurar o bambolê na horizontal somente com a ponta do dedo indicador. O desafio é baixar o bambolê até o chão só com o apoio dos dedos, e depois levantá-lo novamente. Quantas vezes o grupo consegue fazer até o bambolê cair?

Habilidades desenvolvidas: o grupo vai precisar se comunicar para que nenhum participante levante ou abaixe mais rápido que o outro. Se isso ocorre, o bambolê cai e o grupo não cumpre seu objetivo.

Por cima da corda

Tipo: fácil de organizar e difícil de jogar.

Materiais necessários: uma corda.

Participantes: idade mínima de 12 anos. Sem limite de participantes.

Desenvolvimento: o primeiro passo é suspender a corda esticada, amarrando cada ponta em uma cadeira ou em uma árvore, por exemplo. A altura da corda vai definir a dificuldade do jogo. Todos os participantes devem estar de pé de um lado da corda e devem passar para o outro lado por cima e sem encostar nela. Não vale passar por baixo, nem por fora. Se alguém encostar na corda, todo o grupo deve voltar e começar de novo. O jogo termina quando o grupo todo passar para o outro lado sem encostar na corda nenhuma vez.

Habilidades desenvolvidas: o grupo terá de identificar as características de cada um e dividir funções. Os mais fortes podem ajudar passando as pessoas de um lado para o outro; os que esperam para passar dão apoio a quem está indo por cima da corda. Todos do grupo, em algum momento, vão ter alguma função e colaborar para que o objetivo seja alcançado.

Nó humano

Tipo: fácil de organizar e, quanto menos participantes, mais fácil de jogar.

Materiais necessários: nenhum.

Participantes: mínimo de dez participantes com mais de 10 anos. Quanto mais, melhor.

Desenvolvimento: de pé, o grupo deve formar uma roda de mãos dadas. Sem soltar as mãos e passando por baixo e por cima dos braços das pessoas da roda, o grupo precisa formar o nó humano mais apertado que conseguirem. A segunda parte do jogo é desfazer o nó, sem que as mãos se soltem. Se o grupo conseguir fazer as duas etapas de mãos dadas vence o desafio.

Habilidades desenvolvidas: coordenação e paciência são importantes para que o grupo alcance o objetivo. Ninguém pode decidir um movimento sozinho, sem avisar os grupos, pois a corrente pode se soltar.

Construção

Tipo: difícil de organizar e difícil de jogar.

Materiais necessários: caixas de papelão.

Participantes: sem limite de idade. Quanto mais gente participando, melhor.

Desenvolvimento: o objetivo é construir uma torre empilhando uma caixa em cima da outra. O grupo se divide em dois tipos de funcionários da obra: um grupo de mestres e várias duplas de operários. Os mestres são os que darão comandos aos operários, mas eles não falam: devem se comunicar somente por meio de gestos. Nas duplas de operários há duas funções: um que toca nas caixas, mas não as vê, pois está vendado; e outro que orienta o primeiro com os comandos do mestre, mas não pode tocá-lo. O grupo tem um minuto e meio antes do jogo começar para combinar os códigos utilizados entre mestres e operários. O jogo termina quando todas as caixas forem empilhadas.

Habilidades desenvolvidas: no jogo, todos os participantes dependem da ação e da comunicação com o outro. O mestre não vence o jogo sem ser claro para os operários quanto aos comandos, por exemplo. Como cada um tem uma função e um ponto de vista diferente sobre o jogo, é interessante que o grupo compartilhe as diversas experiências entre si.