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Tecnologia para dormir melhor

Aplicativos como Sleep Cycle, Sleep Better e Sleep Genius podem melhorar a qualidade do sono

Alex Garcia / Flickr: Day 112/365 Malin / CC BY 2.0

Quase todo mundo já teve a experiência de, após uma longa noite de sono, acordar mais cansado do que quando foi dormir. Isso acontece, principalmente, porque nosso sono varia entre duas fases principais: uma mais leve e outra com atividade cerebral mais rápida, conhecida como REM (do inglês, movimentos rápidos dos olhos). Despertar de repente, nesse momento de sono mais profundo – com um alarme de despertador, por exemplo –, é um dos fatores que pode atrapalhar bastante nossa disposição durante o resto do dia. Foi para tentar resolver esse problema que surgiram alguns aplicativos. Eles prometem monitorar o sono e nos ajudar a acordar no momento mais apropriado.

Funciona assim: você programa no celular a hora em que deseja acordar, avisa que está indo se deitar e deixa o aparelho ao seu lado na cama. O aplicativo detecta seus movimentos e, a partir deles, identifica em qual fase do sono você está. A premissa é que, se você estiver se mexendo muito, provavelmente está na fase REM e não deve ser acordado. Para ser acordado durante a fase mais leve do sono, você define uma margem de tempo que o alarme poderá soar. Se for de 30 minutos e você se programar para acordar às 6h30, por exemplo, o despertador vai tocar entre as 6h e 6h30, no momento em que seu sono estiver mais tranquilo.

Modernidade

"Vivemos em uma sociedade privada de sono", segundo o médico Geraldo Lorenzi Filho, vice-presidente da Associação Brasileira do Sono. Ele afirma que, em 1900, dormíamos em média nove horas por noite. Atualmente, estamos dormindo menos do que sete. O quanto cada indivíduo precisa dormir varia muito de acordo com fatores como a idade ou nível de cansaço. Portanto, a quantidade de sono é importante, mas qualidade também é fundamental. E o que atrapalha a qualidade do nosso sono?

“A sociedade 24 horas, o próprio celular e seu excesso de estímulos, a luz, televisão, computador, falta de exercício físico, horários desregulados. Tudo isso atrapalha a qualidade do sono, porque você não consegue relaxar. O sono é uma entrega e somos muito controladores, queremos estar no comando o tempo todo e acabamos nos desligando do ritmo da natureza, afinal de contas somos uma manifestação dessa natureza”, explica Lorenzi Filho. 

Sleep Cycle na prática

O analista de marketing Bruno Fontanelli, 35, utilizou um desses aplicativos, o Sleep Cycle, para iPhone, por cerca de um ano, e garante que seu sono melhorou. “A principal mudança é que eu não precisava mais esticar o sono depois de acordar, pois já despertava sempre no melhor horário, em que meu corpo estava mais disposto”, relata. Mas ainda há alguns empecilhos para a utilização desses produtos. Bruno utilizou o app por cerca de um ano até que se casou. Quando dormem duas pessoas na mesma cama, o aplicativo não funciona corretamente. 

Tela do aplicativo Sleep Cycle

“O sensor é muito sensível, então, se minha esposa se mexe durante o sono, o celular pode detectar isso como um movimento meu e aí perde a função”. Mesmo assim, ele garante que a experiência o fez ter mais consciência das suas necessidades – como a quantidade de horas que precisa dormir por noite e os melhores horários para acordar. Hoje, mesmo sem utilizar mais o programa, o sono de Fontanelli apresenta uma qualidade semelhante àquela de quando ele usava o aplicativo. 

Apesar dos relatos de resultados positivos, os médicos ainda veem a novidade com cautela. “Não há, até onde eu saiba, nenhum trabalho científico validando esses aplicativos. Acredito que tenha uma lógica, mas os desenvolvedores não mostram qual é o algoritmo interno, acreditamos que para monitorar a profundidade do seu sono você ainda precisa ter um eletroencefalograma”, afirma Lorenzi Filho.

Disponível e gratuito para iOS e Android, o aplicativo Sleep Better também gera uma espécie de gráfico do sono, além de despertar o usuário apenas quando ele estiver com o sono leve. Mais sofisticado, o Sleep Genius, também disponível para os dois principais sistemas operacionais móveis, foi pensado pela NASA para melhorar a qualidade do sono de seus funcionários. O aplicativo conta com trilha sonora para aquietar a mente de quem utiliza o serviço. 

Cuidados

Outro problema identificado por Lorenzi Filho é a necessidade da utilização do celular junto ao usuário do aplicativo. “Existem evidências de que dormir com o celular ao lado pode estar associado com insônia, por conta das ondas eletromagnéticas, então ainda precisamos entender isso melhor, pode ser perigoso”. O excesso de uso do celular, especialmente entre os adolescentes, também vem sendo ligado a uma patologia descrita como sleep texting, um tipo de sonambulismo em que as pessoas nunca se desligam e saem escrevendo e mandando mensagens sem sentido durante à noite.  

Mesmo demonstrando alguma resistência, médico admite que a ideia de usar a tecnologia para melhorar o sono é promissora. “Tem um conceito interessante aí, e a medicina está evoluindo no sentido de você obter uma monitorização completa do seu organismo. Isso já é uma realidade. E o caminho é esse mesmo, primeiro vem a tecnologia e depois a validação. A tecnologia está na frente do entendimento da real necessidade e do real impacto de tudo isso”, opina. 

Confira o guia de aplicativos do Portal NAMU