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SUS já oferece acupuntura e homeopatia

Medicina integrativa está em 30% dos municípios, diz Tiago Pires de Campos, do Ministério da Saúde

Patrícia Spier

Regionalização: "O que dá certo em Recife não necessariamente dá certo em Florianópolis", diz Campos

O Sistema Único de Saúde (SUS) já oferece tratamentos e práticas para prevenção de doenças que utilizam recursos da medicina integrativa. Podem ser encontrados em alguns hospitais e postos públicos recursos como homeopatia, fitoterapia, medicina tradicional chinesa (que inclui acupuntura), medicina antroposófica e termalismo social - crenoterapia (terapias que usam a água mineral). "Desde 2006, e de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), implantou-se no Brasil a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares"1, explica Tiago Pires de Campos, responsável pela área técnica de práticas integrativas e complementares do Ministério da Saúde.

"Essas áreas que estão incluídas na política passaram por esse estudo. O movimento hoje é de 'conquistar' as outras medicinas para ver se a gente consegue incluir novas práticas no sistema público”, afirma Campos. A política para as práticas integrativas no SUS tem como base estudos realizados pelo grupo de racionalidades médicas chefiado pela professora Madel Terezinha Luz.

Experiências bem-sucedidas

Já existem casos de experiências bem-sucedidas na inserção das práticas integrativas em sistemas de saúde. Para garantir o êxito das atividades, Campos pontua que é necessário considerar as realidades locais ao aplicar qualquer tipo de tratamento. Em razão disso, é natural que haja abordagens diferentes de acordo com a região do país.

"O Brasil tem uma cultura medicamentosa, as pessoas se adaptaram a tomar medicamentos alopáticos, mas alguns cursos têm sido oferecidos aos profissionais para que eles saibam como orientar o uso dos métodos integrativos", explica Campos. O Ministério da Saúde oferece um curso on-line direcionado para agentes da saúde sobre o uso de plantas medicinais e fitoterápicos e outro para de capacitação de gestores de práticas integrativas e complementares.

Cartesianos e integrados

"A Unifesp foi fundada nos alicerces da faculdade de medicina e uma parte substancial dela é ortodoxa. O desafio é conciliar ciência e medicina integrativa", afirma Luiz Eugênio Mello, neurofisiologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ele ressalta que a parte díficil da tarefa é apresentar resultados consistentes para a medicina alopática quanto para a integrativa. "Como conciliar uma ciência cartesiana com um conjunto de práticas que é integrativo? Você tem resultados que podem não ser consistentes, que não sejam aceitos pelo outro lado dessa composição. Precisamos encontrar denominadores comuns. E esse é um desafio que vem sendo superado", finaliza Mello.

A pesquisadora do Instituto do Cérebro do Hospital Israelita Albert Einstein Elisa Kozasa realiza estudos sobre as alterações que a meditação provoca no cérebro e afirma que nunca enfrentou resistência de colegas céticos ou que achavam que o trabalho não era sério. "Desde o início a gente se pautou na seriedade, sempre em busca de estudos bem controlados", diz Kozasa, que também é professora da Unifesp.

"As práticas contemplativas e as medicinas tradicionais trazem uma grande contribuição em uma sociedade dominada pelo estresse, pelo medo e pela violência. Com uma abordagem mais contemplativa, nós podemos tentar mudar de dentro para fora. Vamos ser a mudança que queremos ver no mundo", conclui Kozasa.

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Referências

1. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 971. Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde. 2006. Disponível em: <http://189.28.128.100/dab/docs/legislacao/portaria971_03_05_06.pdf>. Acesso em: 21 maio 2014.