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Slow beauty: beleza mais natural

Tendência mundial traz de volta receitas tradicionais e menos tóxicas de cuidados com a pele e o cabelo

Free-Photos / Pixabay / CC0 Creative Commons

Rituais de beleza deixam de ser uma guerra contra os sinais do tempo para celebrar a qualidade de vida

Consciente, você lê todos os rótulos no supermercado e só compra produtos com baixo teor de substâncias artificiais ou nocivas ao organismo. Adotou uma alimentação mais natural, e começou a consumir produtos orgânicos. No entanto, seu nécessaire continua repleto com os mesmos cremes, xampus e maquiagem de sempre. Já pensou que você pode estar passando na pele e nos cabelos produtos que podem prejudicar seu corpo? A pele é o maior órgão do corpo humano, e tudo o que passamos nela vai para a nossa corrente sanguínea. Os cosméticos estão repletos de componentes tóxicos.

Dá para mudar isso. Principalmente se você parar para pensar como sua bisavó cuidava dos cabelos ou pesquisar como ela deixava a pele bem hidratada e sempre bonita na adolescência. Basta embarcar no “slow beauty”, um movimento que surgiu nos Estados Unidos e aos poucos se instala no Brasil como uma resposta para quem quer adotar um estilo de vida mais natural também nos cuidados com a beleza.

Preocupados com o ritmo de vida acelerado e o consumo desenfreado, profissionais ligados aos spas e à vida orgânica e mais consciente passaram a procurar maneiras de usar as rotinas de beleza para reconectar as pessoas com sua essência interior e, ao mesmo tempo, garantir a sustentabilidade das comunidades locais e do meio ambiente.

Valorizar o produto, o produtor e o ambiente

O Slow Beauty adota princípios semelhantes aos do slow food – promover uma maior apreciação da comida, melhorar a qualidade das refeições e uma produção que valorize o produto, o produtor e o meio ambiente. A empresária Renata Esteves, uma das divulgadoras da tendência por aqui, explica: “Representa um retorno às origens, um resgate de como as nossas ancestrais cuidavam da beleza. Busca o uso de ingredientes vegetais na forma mais pura possível, mais próxima de como são encontrados na natureza, assim como o uso de cosméticos naturais, provenientes do comércio justo, feitos sem crueldade animal”.

No mundo todo, o mercado de produtos de beleza naturais cresce entre 8% e 25% ao ano. E uma pesquisa do Laboratório de Química da Universidade Estadual Paulista, de 2011, mostra que o percentual no Brasil é maior do que o aumento de vendas das fórmulas tradicionais, mostrando que também aqui o mercado está em expansão.

Para brasileiras, qualidade vem antes do preço

A pesquisa “Mais feminino - A beleza da mulher brasileira”, divulgada em 2012 pelo Data Popular, revela que as mulheres estão se preocupando mais com os produtos de beleza. Foram gastos com beleza no primeiro semestre de 2012 R$ 53,5 bilhões no Brasil. Os dados mostram também que 63,7% das mulheres dão prioridade mais para a qualidade do que para o preço. Em seguida aparecem as mulheres que priorizam apenas a qualidade na hora de comprar esses produtos, com 18,5%.

Angustiada com as questões ambientais e tentando fazer a sua parte para tornar o mundo mais belo e sustentável, Renata Esteves, especialista em marketing digital e ex-executiva de moda em Nova York, começou a dar dicas de beleza para as amigas e acabou fundando o projeto Beleza Orgânica, composto por um blog (para conscientizar as pessoas sobre a toxidade dos cosméticos convencionais), redes sociais para ajudar a disseminar essa filosofia e uma loja virtual com uma seleção de cosméticos orgânicos e naturais brasileiros. Em oito meses, o perfil do blog no Facebook passou de 300 para 3.500 visitantes. “Esse é um processo individual e coletivo, onde a alimentação tem um papel fundamental”.

Retorno de antigas tradições

A adoção do slow beauty não implica em deixar de lado os cuidados com a beleza, em ficar desleixada. A ideia é desacelerar e mudar para o cuidado com o equilíbrio do corpo, fugir de cosméticos com fórmulas carregadas de química. No último século a indústria da beleza ficou centrada em produtos com ênfase em mudar a nós mesmos, em esconder os sinais do envelhecimento e fazer reparos rápidos.

Mais do que melhorar nossa aparência, os objetivos principais são esconder os sinais do tempo, mascarando-os. Acabamos nos “vendendo” para o desempenho dos produtos que cuidam da beleza plástica exterior a qualquer custo, sem levar em conta como podem afetar não só nosso corpo como a mente, passando a buscar apenas o que é o padrão de beleza vigente.

O slow beauty contraria essa tendência e propõe um novo olhar para a beleza interior, adotando tradições antigas de forma a revigorar o cuidado interno e irradiar uma beleza exterior. Ao melhorar nossa alimentação, por exemplo, os reflexos ficam visíveis em nossa pele, nas unhas e nos cabelos.

Ao desacelerar as rotinas ganha-se mais consciência do processo natural de envelhecimento e os rituais de beleza deixam de ser uma guerra contra os sinais do tempo e se transformam em uma celebração da qualidade de vida que alcançamos. Ganhamos consciência de que aquela olheira, por exemplo, é sinal de que tivemos pouco descanso. Ou de que a unha quebradiça é sinal de que pode faltar algum nutriente em nossa alimentação.

Alimentação é fundamental

A beleza é muito mais do que maquiagem e pele, é também um estado de equilíbrio. Por isso, a alimentação é tão importante nessa busca pelo belo. Mas o que você encontra na geladeira não precisa apenas ser ingerido, pode também ser aplicado sobre a pele e os cabelos. Entram em cena as universais rodelas de pepino gelado para tirar as olheiras e as máscaras caseiras de frutas e legumes para a pele e os cabelos.

Cuidado com alergias

Não basta, entretanto, abrir a geladeira ou o cesto de frutas e sair usando qualquer coisa. “É preciso ter cuidado com o uso de qualquer planta, óleo ou produto, principalmente os óleos essenciais, que são extremamente concentrados e devem ser usados com muita parcimônia. Eles devem estar em uma concentração e diluição adequadas para uso humano, e não é porque é natural que não possa provocar alergias e seja sempre seguro. É preciso ter bom senso, e fazer teste de contato antes de aplicar numa superfície maior na pele”, alerta Esteves.

Ela diz ainda que, geralmente não há problema algum em usar um óleo vegetal puro, como de coco, amêndoas ou rosa mosqueta, desde que não seja misturado com outras substâncias como óleo mineral e perfumes (geralmente formados por um coquetel de substâncias). “Leiam sempre os rótulos!”

Esteves cita dez motivos para adotar os cosméticos orgânicos:

1) A pele é o maior órgão do corpo (incluindo o couro cabeludo), e tudo o que você passa nela acaba em sua corrente sanguínea.

2) Eles não contêm ingredientes sintéticos que podem agredir a pele, como conservantes, corantes e derivados de petróleo.

3) São realmente naturais, feitos com ativos vegetais e óleos essenciais que são mais bem absorvidos pela pele.

4) Os homens usam em média 6 produtos de higiene pessoal por dia, e a mulher 12, podendo ser expostos a 168 substâncias químicas diferentes todos os dias, segundo pesquisa de 2004 do Environmental Working Group (EWG), instituição norte-americana voltada para a segurança dos cosméticos. (1)

5) Grande parte das substâncias químicas usadas na indústria de cosméticos não foram testadas em relação à segurança do uso em humanos, também segundo o EWG.

6) Os governos não regulam de forma efetiva a maioria das substâncias potencialmente tóxicas usadas na indústria de cosméticos.

7) Há  muitos estudos científicos que ligam a exposição a toxinas químicas ao aumento da infertilidade, problemas hormonais, câncer e outras doenças.

8) Consumo consciente - ao apoiar empresas comprometidas com a preservação do meio ambiente e a estrutura do comércio justo, você contribui para uma economia mais sustentável e um mundo melhor.

9) Usando produtos naturais e biodegradáveis, você melhora a qualidade do esgoto, contaminando e poluindo menos os lençóis freáticos e a água dos oceanos.

10)  Se você ama os bichos, provavelmente não vai querer usar produtos que são resultado de testes em animais.

Receitas

Esteves diz que existem muitas receitas naturais de beleza, como: “Rodelas de pepino cortadas e colocadas na parte mais alta da geladeira duram alguns dias e ficam quase congeladas, ótimo para tirar olheiras. O óleo de coco tem mil e uma utilidades, meu uso predileto é como tratamento noturno capilar. Aplico antes de dormir e lavo os cabelos pela manhã. Os cabelos ficam muito macios. Também pode ser usado como hidratante em qualquer parte do corpo, até em volta dos olhos como antirrugas.”

A seguir, confira algumas receitas caseiras de beleza:

Máscara hidratante de pepino para o rosto (de Renata Esteves)

¼ Pepino com casca

¼ copo de leite de amêndoas (ou soja)

1 punhado de hortelã

¼ copo de farinha da aveia

Instruções: Bater o pepino, o leite de amêndoas e o hortelã no liquidificador. Colocar a mistura em uma tigela. Depois, adicione a farinha de aveia aos poucos até engrossar e chegar na consistência desejada. Aplicar com um pincel, deixar 15 minutos na pele, depois enxaguar.

Xampu caseiro básico (do site Rodale)

½ xícara de água

½ xícara de sabonete vegetal líquido

1 colher de chá de óleo vegetal leve ou glicerina (não use se tiver cabelo oleoso)

Instruções: Combine os ingredientes, misture bem e coloque em uma embalagem reciclada de xampu. Use uma palma da mão cheia ou menos no cabelo e enxague com água quente.

Condicionador (do site Rodale)

1 gema de ovo

½ colher de chá de azeite de oliva

¾ de xícara de água quente

Instruções: Minutos antes de lavar seu cabelos, bata a gema de ovo até ficar espumosa, acrescente o óleo e bata mais um pouco, depois acrescente a água aos poucos enquanto continua batendo. Aplique a mistura aos cabelos molhados, espalhando com os dedos. Deixe agir por alguns minutos e em seguida enxague com água morna.

 Gel natural (do site Rodale)

½ ou 1 colher de sopa de gelatina sem sabor

1 xícara de água quente

Instruções: Dissolva a gelatina em água quente e guarde na geladeira. Aplique no cabelo com a ponta dos dedos e faça o penteado desejado. Guarde na geladeira entre os usos.

Gel e Leave-in Natural (Renata Esteves indica esta receita que circula pelas blogueiras e grupos de discussão de cosméticos orgânicos na web).

Colocar uma colher de sopa de linhaça para germinar, ou seja, deixar de molho na água, de 4 a 6 horas. O óleo de linhaça assim se solta da semente. Coar e aplicar como substituto do gel ou leave-in de cabelos.

Fotos: Thinkstockphotos; Tomáš Obšívač / Flickr: Face lifting / CC BY 2.0