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Seu smartphone pode revelar se você tem tendência à depressão

Com dados tirados de aparelhos móveis, cientistas puderam identificar pessoas com sintomas da doença com 87% de precisão

Pexels / Pixabay / CC0 Creative Commons

Quanto mais tempo você utilizam seu smartphone, maiores são as chances de estar deprimido. Essa foi a conclusão de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Northwestern, nos Estados Unidos, e publicado no Journal of Medical Internet Research. De acordo com as dados obtidos, a média diária de uso dos aparelhos por indivíduos deprimidos foi de cerca de 68 minutos, contra 17 daqueles que não apresentavam sintomas de depressão.

“Quando passam mais tempo utilizando o smartphone, as pessoas evitam pensar em coisas que as incomodam, como sentimentos dolorosos ou relações conturbadas”, explica David Mohr, diretor do Centro para Tecnologias de Intervenção Comportamental na Universidade de Northwestern e um dos autores do estudo. “É um comportamento de afastamento que percebemos na depressão”.

Passar a maior parte do tempo dentro de casa ou em poucos locais (como indicado pelo rastreamento por GPS) também pode estar ligado à depressão. O mesmo vale para uma rotina desregulada, como ir ao trabalho em horários diferentes a cada dia.

Foram analisadas as localizações de GPS e o perfil de uso dos smartphones de 28 indivíduos (20 mulheres e 8 homens, com idade média de 29 anos) por duas semanas. Os sensores de GPS marcavam as localizações a cada cinco minutos.

"A vantegem desse tipo de estudo é que poderíamos detectar se uma pessoa tem sintomas de depressão e a gravidade deles sem fazer quaisquer perguntas", diz Mohr. "Temos agora uma medida objetiva do comportamento relacionado à depressão. E podemos detectá-lo passivamente, pois os smartphones podem fornecer dados de forma discreta e sem nenhum esforço do usuário".

Detecção passiva

Para determinar a relação entre o uso do telefone e a localização geográfica com a doença, os indivíduos responderam, antes do estudo, um questionário padronizado conhecido como PHQ-9 e utilizado amplamente para casos de depressão. O formulário contém perguntas que buscam avaliar os níveis de tristeza, perda de prazer, desesperança, distúrbios do sono e de apetite, além de dificuldades de concentração de cada paciente.

Com as respostas em mãos, o especialista em computação e líder do estudo Sohrob Saeb desenvolveu algoritmos relacionando os dados obtidos pelos smartphones com os resultados dos testes de depressão. Entre os participantes, 14 não possuíam quaisquer sinais de depressão, enquanto os restantes apresentavam sintomas de depressão que variavam de leve a grave.

“O objetivo da pesquisa é detectar passivamente a depressão e diferentes níveis de estados emocionais relacionados a ela”, diz Saeb. Para ele, a pesquisa poderia ajudar a monitorar as pessoas em risco de depressão e permitir que os prestadores de cuidados de saúde possam intervir mais rapidamente.

"Vamos ver se podemos reduzir os sintomas da doença incentivando as pessoas a visitar mais locais ao longo do dia, ter uma rotina mais regular ou simplesmente reduzir o uso de celulares", conclui.

Foto: NEC Corporation of America / CC BY 2.0