Namu é

Conheça mais sobre o NAMU

Saiba mais sobre

Riscos do uso de botox no rosto

Sua utilização em estética pode trazer riscos e reações adversas, como assimetria nas sobrancelhas ou nos olhos

Steven Depolo / Flickr: hypodermic needle IMG_7418 / CC BY 2.0

O botox é um dos procedimentos mais procurados no Brasil e pode ter efeitos colaterais

A toxina botulínica tipo A, ou simplesmente botox, é uma substância obtida da bactéria Clostridium botulinum e empregada nos tratamentos de rejuvenescimento facial para diminuir a aparência de rugas e marcas de expressão. São conhecidos muitos casos de paralisia dos movimentos faciais e assimetrias na regiãos das sobrancelhas e dos olhos após seu uso. Ainda assim, o procedimento é cada vez mais popular.

No Brasil, não há dados efetivos sobre as aplicações realizadas, mas os dermatologistas afirmam que esse é um dos recursos mais procurados. Nos Estados Unidos, mais de 4 milhões de procedimentos com botox foram realizados em 2012, segundo pesquisa da Academia Americana de Cirurgia Plástica e Estética (ASDS).

Para saber quais os riscos do tratamento, o Portal NAMU conversou com a dermatologista Ada Regina Trindade de Almeida, médica do Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e de Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD).

Rosto paralisado

Entre os muitos usos do botox, como tratamento de problemas de incontinência urinária, distonia muscular, entre outros, o mais comum é sua aplicação na face para suavizar marcas de expressão. O medo de ficar com o rosto paralisado, no entanto, ronda aqueles que buscam na técnica uma saída para corrigir o que acreditam ser imperfeições. "A paralisação muscular não é algo comum. Se um médico especialista realizar a aplicação, os riscos serão pequenos. Os tratamentos com a toxina botulínica tipo A buscam relaxar a musculatura para suavizar as expressões faciais e não paralisá-las", afirma Almeida

A área entre as sobrancelhas (glabela) pode contribuir para dar a impressão de que uma pessoa está brava ou de mau humor. Os músculos dessa região influenciam também a posição das sobrancelhas. “Aplicamos a toxina para diminuir a tensão desses músculos e reposicionar a sobrancelha de modo que sua aparência fique mais relaxada”, explica Almeida.

Riscos

A aplicação do botox é muito procurada porque não oferece tantos riscos quanto as cirurgias plásticas e seus efeitos colaterais são raros. Contudo, eles existem. Nas primeiras 24 horas após o tratamento, é possível haver sintomas parecidos com o da gripe ou leves dores de cabeça.

O problema mais comum é a assimetria facial, ou seja, ficar com uma sobrancelha mais erguida do que a outra, uma parte do rosto mais enrijecida ou até mesmo um olho mais fechado do que o outro. Essa diferença só diminui quando a toxina perde efeito, o que pode demorar de quatro a seis meses.

Além de alterar a expressão do rosto, o uso indevido do botox pode causar ptose, que é a queda das pálpebras. Muitos médicos desaconselham a aplicação nas têmporas ou na parte lateral da testa. Costuma-se contraindicar a toxina também para pessoas que possuem flacidez acentuada na pele do rosto, pois isso pode agravar ainda mais o problema.

O botox é contraindicado também para mulheres grávidas ou que estejam amamentando. Almeida adverte que é importante informar ao médico também sobre casos de alguma doença autoimune ou neuromuscular, como distrofia muscular, miastenia gravis, miopatias, entre outras.

Como as aplicações são feitas em músculos, é importante que o profissional conheça bem a anatomia facial e o produto a ser utilizado. Segundo Almeida, os dermatologistas e cirurgiões plásticos são os mais indicados no caso dos procedimentos cosmiátricos, que são técnicas que privilegiam a estética e a aparência do paciente.

Existem muitas marcas da toxinas para uso estético. Como algumas têm ação mais ampla do que outras, podem paralisar a região ou atingir um músculo indesejado se forem aplicadas além do necessário.

Faz mal?

Se aplicada em doses corretas, a toxina não prejudica o paciente, nem em longo prazo, afirma a dermatologista. “Os efeitos do botox são completamente reversíveis e os ingredientes contidos nele são absorvidos pelo corpo com o tempo”, diz Almeida. “Além disso, a dosagem aplicada com seringas e agulhas do tipo de insulina para diminuir a aparências das rugas é muito baixa. O perigo de intoxicação ou de infecções existe, mas é pequeno, diz Almeida”.

Contudo, se aplicado em grandes quantidades ou atingir músculos que não sejam da região a ser tratada, o botox pode causar paralisia em outras partes do corpo. Outro risco da aplicação é a contaminação por botulismo que, apesar de muito rara, pode ocorrer por inexperiência do profissional.

O botulismo é uma doença causada pela bactéria da qual é fabricado o botox e pode paralisar os músculos, além de causar dificuldades para deglutir os alimentos. Em casos graves, o micro-organismo prejudica a respiração e pode até fazer com que o coração, maior músculo do corpo humano, perca sua elasticidade. Contudo, para que a doença se desenvolva, a substância deve ser injetada em grande quantidade no organismo uma vez que o modo mais comum de adquirir a doença é pela ingestão da toxina.

O Food and Drug Administration (FDA), órgão que regulamenta o uso de fármacos e alimentos nos Estados Unidos, afirma que o risco mortal de botulismo existe apenas no produto obtido no mercado ilegal, pois não possui certificado de qualidade. No Brasil, a toxina para procedimento é certificada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Para homens e mulheres

O público feminino ainda lidera a busca por procedimentos estéticos nos consultórios dermatológicos brasileiros. Contudo, os homens, principalmente os mais jovens, têm procurado cada vez mais esses tipos de tratamentos nos últimos anos, segundo Almeida.

A especialista brinca ao dizer que primeiro os homens mandam as esposas testarem o tratamento para rejuvenescer. Se o resultado agradar, eles as imitam. Almeida conta que a idade média dos interessados diminuiu: eles têm buscado os consultórios já a partir dos 35 anos.

“Não há idade limite. Há pacientes com 70 anos que recebem aplicações de botox. O que muda é a intensidade do tratamento”, diz Almeida. Ela explica que, ao contrário do que se pensa, os músculos não ficam resistentes ao produto. Na maioria das vezes, o efeito é o mesmo. Com o envelhecimento da pele, é possível que a aplicação de doses maiores seja necessária. Mas ela alerta que, em alguns casos, algumas pessoas podem desenvolver anticorpos para a toxina, o que tende a aumentar a resistência aos efeitos do produto. Por esse motivo, é importante respeitar o intervalo de quatro a seis meses entre as aplicações.

Aparência plastificada

Um dos medos que ronda as pessoas que se submetem às aplicações de botox é a possibilidade de ficar com a expressão facial plasticada. Almeida afirma que na maioria das vezes é o próprio paciente quem pede esse aspecto. “Muitos acham bonito, é uma questão de gosto. Alguns pedem para desse jeito, outros preferem algo mais natural”, comenta.

"Na ocasião do tratamento, é essencial que o médico considere a idade do paciente para que ele não fique com a aparência falsa. Se você olhar uma pessoa de 70 anos que não tem nenhuma ruga, vai pensar, e com razão, que alguma coisa está errada, afirma Almeida.”

Outros tratamentos

A dermatologista diz que outra evidência de que a toxina botulínica tipo A não traz efeitos colaterais é o fato de que ela pode ser usada em diversos tratamentos terapêuticos. Nesses casos, as doses usadas são maiores, já que o local a ser tratado é maior.

A descoberta do uso da toxina botulínica tipo A para o tratamento de rugas foi feita pelo casal de oftamologistas canadenses Jean e Alastair Carruthers em 1987 quando a utilizavam para tratar bleforospasmo, doença que causa uma disfunção muscular na região dos olhos. A toxina pode ser usada também em tratamentos de paralisia facial e em pacientes que sofreram acidente vascular cerebral AVC. Como relaxante muscular, ele pode auxiliar também no tratamento de casos de atrofia ou dores de cabeça de origem muscular.