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Riscos do sabonete antibacteriano

Estudos mostram que o triclosan aumenta a resistência de bactérias e está relacionado a distúrbios metabólicos

Keith Williamson/ Flickr: Soap bubbles 4 / CC BY 2.0

O uso contínuo de substâncias como o triclosan favorece o surgimento de superbactérias

As propagandas de sabonetes antibacterianos costumam apresentar o produto como a melhor forma de proteger você e sua família de bactérias e, consequentemente, de doenças. Depois de quatro décadas de pesquisas, no entanto, não foram encontradas provas de que eles são mais eficientes que os sabonetes comuns. O órgão regulador norte-americano de alimentos e medicamentos Food and Drug Administration (FDA) anunciou, em dezembro de 2013, uma mudança das regras para os fabricantes do produto no país. As empresas terão de provar até 2016 sua eficácia e segurança1. Porém, até agora não há nenhum estudo de peso provando a eficiência desses sabonetes.

O bactericida triclosan está na mira da investigação da entidade. Estudos com animais em laboratório já mostraram que a substância interfere nos níveis de testosterona, estrogênio e hormônios da tireoide. As pesquisas agora tentam evidenciar se a substância pode elevar os riscos de infertilidade, puberdade precoce e câncer em seres humanos.

Uma compilação de artigos científicos publicados entre 1980 e 20062 concluiu que os sabonetes antibacterianos não apresentam maiores taxas de prevenção de doenças e confirmou que o triclosan traz efeitos indesejáveis para o a saúde humana. Ele é ineficaz contra os vírus e atinge apenas algumas bactérias, o que favorece o surgimento de alguns microrganismos imunes a antibióticos. O triclosan não é usado apenas em sabonetes antibacterianos. Algumas pastas de dentes, aparatos de cozinha, chupetas, mamadeiras e brinquedos também podem apresentar a substância em sua composição.

Comuns versus bactericidas

Alguns dos estudos compilados analisaram a quantidade de bactérias presente nas mãos antes e após a lavagem. Quando comparados, os sabonetes antibacterianos e os comuns apresentaram taxas semelhantes de remoção de bactérias.

A diferença entre eles está na forma de agir. Os sabonetes tradicionais apenas removem as bactérias da pele, enquanto os antibacterianos matam bactérias específicas. Em ambas as formas, temos a pele limpa. Os pesquisadores apontaram que o triclosan de fato facilita a eliminação das bactérias, mas chamam a atenção para o fato de que, para que ele tenha efeito, seria necessário lavarmos as mãos por cerca de dois minutos. Esse é um dos motivos que rechaça a ideia de efeito de longo prazo dos sabonetes.

Recomendação

O mais adequado, segundo os pesquisadores, seria lavar as mãos muitas vezes ao dia com sabonetes comuns e usar gel antisséptico à base de álcool após as lavagens. Esses géis matam os germes por desidratação e as bactérias não conseguem desenvolver resistência ao álcool com facilidade.

De acordo com as informações do Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC – Centers for Disease Control and Prevention), entidade de controle epidemiológico dos Estados Unidos, lavar as mãos é a maneira mais eficaz para reduzir em até 50% a disseminação de doenças infecciosas por contato direto. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) oferece algumas dicas sobre como manter as mãos livres de bactérias3:

  •  Molhe as mãos em água corrente sem tocar na pia;
  • Coloque sabonete em quantidade suficiente para ensaboar as mãos;
  • Esfregue as palmas das mãos, friccionando-as entre si;
  • Esfregue a palma da mão direita contra o dorso da mão esquerda. Repita o ato invertendo as mãos;
  • Entrelace os dedos e esfregue o espaço entre eles;
  • Friccione as pontas dos dedos da mão esquerda contra a palma da mão direita, fechada em concha, para limpar a região das unhas onde há o maior acúmulo de bactérias. Faça o mesmo invertendo as mãos;
  • Esfregue os punhos;
  • Enxague bem as mãos e seque-as com uma toalha de papel.

Como o sabonete limpa?

O sabonete é formado por ácidos graxos e triglicerídeos (que formam a parte ácida) e hidróxido de sódio (uma base) que resulta em um sal. Essa mistura separa os ácidos graxos dos triglicerídeos e faz com que eles se unam com os íons do hidróxido de sódio. E por que é importante falar tudo isso?

Esse processo químico permite ao sabonete ter moléculas que se ligam à água (hidrofílicas) e outras que a repelem (hidrofóbicas). A parte hidrofílica une as substâncias hidrofóbicas, como sujeiras, óleos ou bactérias com os ácidos graxos (também hidrofílicos) presentes no sabonete. Forma-se então uma bolha de água ao redor dessas substâncias, o que facilita sua remoção. Essa atuação é a mesma nos sabonetes comuns e nos antibacterianos.

Foto: jorgeantonio / Thinkstockphotos


Veja também:
Sabonete de glicerina serve para que?
O perigo dos cosméticos convencionais
Substâncias tóxicas utilizadas pela indústria de cosméticos

Referências

1. FDA. FDA issues proposed rule to determine safety and effectiveness of antibacterial soaps. Disponível em: <http://www.fda.gov/NewsEvents/Newsroom/PressAnnouncements/ucm378542.htm>. Acesso em: 18 dez. 2013.

2. AIELLO, A. E.; LARSON, E. L.; LEVY, S. B.; Consumer antibacterial soaps: effective or just risky? Tufts University.Disponível em: <http://www.tufts.edu/med/apua/practitioners/infection_control_11_3141468025.pdf>. Acesso em: 26 ago. 2013.

3. ANVISA. Higienize as mãos: salve vidas. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/controle/higienizacao_simplesmao.pdf>. >. Acesso em: 26 ago. 2013.