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Obesidade é uma pandemia global

Segundo especialistas, a obesidade pode deixar mais da metade dos adultos do planeta com sobrepeso dentro de duas décadas

davidd / Flickr / CC BY 2.0

A Organização Mundial de Saúde estima em 1,4 bilhões o número de adultos no mundo acima do peso

Todo começo de ano, líderes, empresários e até celebridades globais se reúnem na tranquila cidade suíça de Davos para discutir as grandes questões do mundo. Em 2013, a obesidade foi um dos itens no topo da agenda. Segundo especialistas, ela se tornou uma pandemia global que pode deixar mais de metade dos adultos do planeta com sobrepeso dentro de duas décadas.

Cientistas pedem ações urgentes, além da reação comum, e cruel, de culpar as pessoas por não terem força de vontade. De acordo com eles, o problema tem de ser enfrentado com a mesma determinação com que se luta contra o cigarro.

Metade da população mundial obesa

Existe hoje no mundo 1,4 bilhão de adultos com sobrepeso. Em mais 20 anos, mantidos os padrões atuais de alimentação e atividade física, de 50% a 60% da população mundial podem estar acima do peso.

O sobrepeso e a obesidade são definidos pela Organização Mundial de Saúde como uma acumulação anormal ou excessiva de gordura que apresenta um risco à saúde. Uma de suas medidas é o índice de massa corporal (IMC), o peso de uma pessoa (em quilos) dividido pelo quadrado de sua altura (em metros). Uma pessoa com um IMC de 30 ou mais é considerada obesa. Com 25 ou mais, ela tem sobrepeso.

Risco à saúde

O sobrepeso e a obesidade são importantes fatores de risco para doenças crônicas, incluindo diabetes, doenças cardiovasculares e câncer. Já foram considerados problemas apenas em países de alta renda, mas hoje estão em crescimento dramático em nações de baixa ou média renda, particularmente em ambientes urbanos.

No Brasil, segundo números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2009, a obesidade atinge 14,4% dos homens e 16,9% das mulheres com mais de 20 anos e, o que é muito preocupante, 16,6% dos meninos e 11,8% das meninas entre 5 e 9 anos. Estas crianças estarão desde muito cedo expostas aos males daí derivados.

Estigma social

Parece existir uma reação disseminada de colocar nos obesos a culpa por seu problema - e eles acabam ficando marcados por um estigma social. É preciso, em vez disso, examinar as causas, notadamente, os hábitos e a cultura de consumo de alimentos com excesso de sal, açúcar e gorduras, abundantes em cadeias de fast food e nas prateleiras de supermercados, e a vida sedentária.

A obesidade traz também para os países um sério problema econômico, pelo aumento dos gastos públicos em saúde. O custo dela, apenas nos Estados Unidos, na próxima década, poderá ser de US$ 550 bilhões. Lá, a taxa nacional do distúrbio é de 35% da população adulta, com grandes variações entre estados. Se as tendências continuarem, esta taxa deverá ser de 44% em 20 anos.

Prejuízos à economia

Até 2030, nos Estados Unidos, os custos médicos associados ao tratamento de doenças evitáveis deverão subir de US$ 48 bilhões para US$ 66 bilhões por ano. A perda em produtividade econômica chegaria à casa dos US$ 580 bilhões anuais. E os custos médicos alcançariam até US$ 210 bilhões por ano.

A obesidade é uma questão complexa e envolve interesses relacionados ao poder. Parte da indústria de alimentos e bebidas acaba incentivando-a com seus produtos e os países não têm condições políticas de regulamentar o que as pessoas servem em suas mesas. Crianças são bombardeadas com publicidade de junk food (que traz brinquedinhos de brinde), doces e refrigerantes, e as campanhas, disseminadas, acabam por atingir de maneira mais sedutora principalmente as classes sociais em ascensão no mundo em desenvolvimento, que ainda carecem de informação e consciência para optar por dietas mais balanceadas, ou que simplesmente não podem pagar por elas.

Porções menores

Existem iniciativas em países desenvolvidos pela diminuição das porções de pratos em restaurantes - que cresceram muito significativamente deste os anos 1970 - e para campanhas de conscientização. Em contrapartida estima-se que, nos próximos 30 anos, cerca de 3 bilhões de pessoas principalmente na África e sudeste da Ásia, ascenderão ao status de classe média no planeta, adotando estilos de vida ocidentais.

A mudança do clima, que anda causando distúrbios em diversos setores da economia, também pode ser relacionada à obesidade. Ela está afetando a produção de alimentos e, consequentemente, seus preços. Isto impacta as decisões na hora de comprar comida. O que se verificou nas altas súbitas de preços de alimentos de 2008 e 2010 foi que eles ficaram mais altos em alimentos frescos, como vegetais e frutas.

Calorias a um custo acessível

A insegurança alimentar tem o efeito de fazer com que pessoas tomem decisões que podem prejudicar seu equilíbrio por não se sentirem seguras de que vão ter alguma coisa para comer no futuro próximo, diz o American Journal of Public Health, publicação científica norte-americana dedicada a temas relacionados a saúde

A queda das rendas familiares causada pela crise econômica aliada à crise alimentar, provocada em parte substancial pela mudança de clima, geram, juntas, uma situação perversa. Famílias passam a ingerir grãos com muita energia, doces, refrigerantes e gorduras como forma de absorverem calorias a um custo acessível. A pandemia global de obesidade é uma questão complexa. Pede uma iniciativa coletiva para alterar esse cenário.