Namu é

Conheça mais sobre o NAMU

Saiba mais sobre

O que é alergia alimentar tardia

Descubra quais são os sinais e sintomas desse tipo de reação, que afeta 50% da população, mas ainda é pouco conhecida

Andrew Magill / Flickr: Milk 2 / CC BY 2.0

O leite de vaca e seus derivados têm alto potencial alergênico, chegam a atingir 81% da população brasileira

É comum ver casos de alergia alimentar especialmente em crianças. O tipo agudo atinge de 1 a 2% dos adultos e 2 a 8% das crianças. Os sintomas são imediatos, normalmente expressos na pele e na mucosa. São poucos os alimentos relacionados a este tipo de alergia e eles podem ser identificados sem testes. Apenas traços dos alimentos são suficientes para desencadear a reação. Assim, o indivíduo comumente rejeita o alimento que lhe causa a alergia.

Alergia alimentar tardia

No entanto, pouco se sabe que existe outro tipo de alergia, a alergia alimentar tardia, que atinge cerca de 50% da população. Conforme o nome diz, os resultados são tardios, expressos conforme a dose, após dois ou três dias de consumo. O mais preocupante é que esta alergia é capaz de se manifestar em todos os tecidos.  Atinge adultos e crianças, com alta frequência, não é reconhecida em testes cutâneos, e o alimento causador é normalmente apreciado pelo indivíduo.

Alimentos mal digeridos

Além dos alimentos alergenos, existem também aqueles alimentos mal digeridos, capazes de provocar o mesmo tipo de reação. Uma vez que o corpo reconhece apenas os nutrientes, as macromoléculas de alimentos mal digeridos que são absorvidas pelo intestino e vão para a corrente sanguínea podem ser identificadas pelo organismo como agressoras. Isso ativa o sistema imunológico e provoca uma inflamação como forma de defesa.

Prazer pelo proibido

Alimentos capazes de desencadear este tipo de reação alérgica, quando ingeridos, ativam o sistema imune e a liberação gradual de histamina. Este composto químico participativo em uma reação anafilática (uma reação alérgica que se desenvolve imediatamente e se não for tratada, pode levar a morte), quando liberado gradualmente e em pequena quantidade, provoca uma sensação de prazer, conforto, bem estar e relaxamento. Isso promove a preferência e vontade do alimento sensibilizante e causa uma dependência de consumo. O que pouco se sabe é que este mesmo alimento que provoca prazer, também poderá provocar doenças crônicas ao longo da vida.

Sinais e sintomas

Os sinais e sintomas causados pelos alimentos alergenos ou mal digeridos dependerão do órgão de choque do indivíduo, ou seja, o órgão bioquímico e geneticamente predisposto às inflamações e doenças.

O quadro abaixo relaciona sinais e sintomas conforme os sistemas do corpo:

Sinais e sintomas que podem ser provenientes de alergias alimentares tardias

Respiratório

Asma, rinite, sinusite, otite, amigdalite, bronquite

Genito- urinário

Cistite de repetição, candidíase, infecções urinárias, enurese noturna

Gastrintestinal

Diarreia, constipação, colite, gastrite, má absorção, doença celíaca, refluxo

Metabólico

Obesidade, baixo peso, celulite, perda de apetite, anorexia nervosa, bulimia, diabetes, hipertensão arterial, hipercolesterolemia

Nervoso

Cefaleia, enxaqueca, convulsão, Insônia, sonolência, depressão, agitação, ansiedade, fadigas

Mental

Hiperatividade falta de concentração, alteração de humor, distúrbios de aprendizagem

Sistêmica

Artrite reumatoide, tireoidite, lúpus eritematoso sistêmico, psoríase, alopecia areata, fibromialgia.

Pele

Acne, eczema, caspa, urticária, dermatite seborreica, dermatite

Estas hipersensibilidades são muitas vezes confundidas com as próprias doenças, dificultando o diagnóstico, já que não há uma relação direta de causa e efeito. Se tratadas apenas pelos sintomas, não há resultados, uma vez que não foi eliminado o elemento causador: o alimento.

Alimento alergenos mais comuns

Muitos alimentos consumidos diariamente pela sociedade tem alto potencial alergênico. Leite de vaca e seus derivados chegam a atingir 81% da população brasileira. Glúten, ovos, castanhas, milho, soja, amendoim, frutas cítricas, açucares, corantes, fungos, peixes e frutos do mar são outros exemplos comuns.

Prevenção é tratamento

Diferente da alergia alimentar aguda, a alergia alimentar tardia não é permanente ou definitiva. Ela pode ser removida se o alimento é evitado. Existem poucos laboratórios no país que realizam exames capazes de identificar os alimentos que desencadeiam esta reação “oculta”. Além de raros, eles não são financeiramente acessíveis para todos. Desta forma, é importante uma observação da sintomatologia e a associação aos alimentos consumidos recentemente.

Realizar testes removendo alimentos “suspeitos” por um determinado tempo pode ajudar a chegar no causador. A busca por profissionais como médicos, naturólogos e nutricionistas especializados na área também pode auxiliar neste processo e prevenir diversas doenças crônicas desencadeadas por uma alimentação inadequada que varia de indivíduo para indivíduo.

Como já dizia o filósofo Lucrécio, o que é comida para uns, é para outros amargo veneno.

Referências

CARREIRO, Denise Madi. Entendendo a importância do processo alimentar. 2 ed. São Paulo, 2007
PÓVOA, Helion. O cérebro desconhecido. Rio de Janeiro: Ed. Objetiva, 2002.
SERRA, Maria Emília Serra Galhardo. Alergia Alimentar Oculta Tardia, 2011. Disponível em http://www.slideshare.net/EmiliaSerra/alergia-alimentar-tardia-emilia-serra Acesso em: 21/11/2014
SILVA LFG. Disbiose intestinal: conheça as causas e os tratamentos, 2001.
SPAHN, T W ;KUCHARZIK, T. Modulating the Intestinal Immune System: The Role of Lymphotoxin and Galt Organs. Recent advances in basic science, 2003. Disponível em: http://api.ning.com/files/3Pz9ctVjNhxOZt02EkFnyo*bfxqzZduRLYONEyfKiI6PbUMU1Pu5iBuayrcr6A
d*kmvdGscQEreXLO300wdniVlvtt4ri7a/FritijofCapraPontodeMutao.pdf
>  Acesso em 21/11/14
http://www.microecologia.com.br/noticia.php?id=32. Acesso em 21/11/14