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Noronha 13 pés: uma aventura no mar

Nicola Maniglia e Felipe Ludovice realizaram uma travessia por Fernando de Noronha na menor embarcação já registrada no trajeto

Divulgação

Felipe Ludovice e Nicola Maniglia durante a viagem

Janeiro de 2018, 220 horas em alto-mar, 10 dias de viagem. Um veleiro catamarã de 13 pés e uma rota de mais de 1.000 km por águas brasileiras, começando por Praia Bela, Paraíba, e terminando em Maxaranguape, Rio Grande do Norte. Essa poderia ser uma viagem como qualquer outra, se não fosse pelo fato da travessia ter sido realizada pela menor embarcação já registrada. Uma aventura e tanto.

O velejador Nicola Maniglia e o fotógrafo e mergulhador Felipe Ludovice são velhos conhecidos do mar. Antes de porem em prática o Projeto Noronha 13 pés, que contou com três anos de estudo e planejamento, os amigos já tinham feito uma expedição à vela pelo Caribe.

Para a nova jornada, Felipe e Nicola contaram com a ajuda de especialistas da Tom&Cat na construção do veleiro, que demorou oito meses para ficar pronto, isso porque precisou de adaptações para águas mais agitadas, como as do oceano.

Felipe Ludovice e Nicola Maniglia

“Estávamos navegando ao sul de Porto Rico em maio de 2015, era o penúltimo destino da Expedição Caribe. Foi quando a gente viu nosso potencial enquanto equipe - o Nicola me contou sobre uma ideia que ele tinha: fazer a travessia por Noronha num catamarã sem cabine”, conta Felipe. O fotógrafo ainda relata que estava à procura de um projeto em que conseguisse unir duas paixões: o mar e a câmera.

A embarcação apelidada de Andorinha tinha, aproximadamente, quatro metros de comprimento. Também não contava com cabine e nem motor, ou seja, tudo o que acontecia era a céu aberto. “Nossas proteções eram, em primeiro lugar, a confiança no companheiro, que a todo momento estava sobreaviso para pular da cama e socorrer em caso de algum imprevisto. Mas, fisicamente, tínhamos camisas anti-UV para o sol, chapéu e nossa roupa d’agua para a noite, para nos proteger do frio gerado pelo vento e as constantes ondas que espirravam o tempo todo”, relata Nicola.

A travessia

É comum passar por imprevistos durante as viagens. Com os amigos não foi diferente. A bagagem de Nicola caiu no mar com todos os acessórios pessoais e equipamentos no terceiro dia de viagem à noite. Felipe e Nicola também tiveram problemas com o mastro, que quase caiu. Além das questões físicas, não há como esquecer do estado mental de cada um dos velejadores.

“Em uma aventura em alto-mar, por tantos dias, os problemas que lidamos são muitos. O principal é manter a cabeça no lugar. A falta de calma, persistência e principalmente a resiliência é o principal obstáculo para uma realização como esta”, esclarece Nicola. Já Felipe confessa que alguns dos momentos mais desafiadores para ele foram nos dias que precederam a viagem, isso por conta da ansiedade ao ter que concretizar uma jornada desse porte.

Trajeto da viagem

Problemas à parte, já imaginou ficar 10 dias em alto-mar? Quantos momentos maravilhosos não daria para presenciar? Desde o céu estrelado, a lua refletindo no oceano, até a convivência com os animais marinhos. Felipe e Nicola desfrutaram de cada minuto. Nicola conta que foi marcado pela presença de golfinhos, que pularam por quase meia hora ao seu lado na última noite antes do término da travessia.

A vista do Morro do Pico, ponto mais alto de Fernando de Noronha, era um dos acontecimentos mais aguardados por Felipe. “Quando a primeira luz do sexto dia pintou o céu, a gente estava a 20 milhas, e era eu quem estava no leme. Demorou uns 10 minutos para conseguir distinguir aquela silhueta tão aguardada no horizonte. O grito já estava pronto desde a madrugada: terra à vista! Ali não consegui segurar as lágrimas e foi um momento muito emocionante para mim”, compartilha o fotógrafo.

Novos caminhos

Parar? Nem pensar! A próxima viagem já pode ser preparada. Trindade, que fica localizada a alguns dias de Abrolhos, pode ser a futura aventura de Nicola. Incentivos para isso não faltam. Os amigos também pensam em organizar todo o material e produzir um livro com as histórias e imagens do passeio.

E para quem deseja iniciar uma aventura nesse estilo, os velejadores dão o maior apoio. “O mar é um paraíso a ser descoberto. Cada experiência é única. Qualquer barco pode trazer infindáveis momentos de alegria, se conduzido com responsabilidade. Aprender a velejar é muito fácil, basta começar”, encoraja Nicola.

Conheça mais sobre o projeto na página oficial do instagram.