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Mães iniciam campanha Põe no Rótulo

Movimento pede que embalagens destaquem a presença de substância que causam alergia

Shutterstock

Rótulos devem destacar soja, ovo, leite, amendoim, oleaginosas, peixes, crustáceos e cereais com glúten

Uma campanha iniciada por mães de crianças com alergia alimentar pede que as empresas destaquem no rótulo dos alimentos a presença de oito ingredientes alergênicos:  soja, ovo, leite, amendoim, oleaginosas, peixes, crustáceos e cereais que contém glúten. “Esses oito ingredientes causam cerca de 90% das reações alérgicas alimentares”, explica a advogada Cecilia Cury, uma das líderes do movimento, que explorou o assunto em seu doutorado. Em contato com esses ingredientes uma criança alérgica pode apresentar sintomas que vão de reações na pele até morte por choque anafilático.

Unidas pelo Facebook, as mães fundaram a campanha Põe no Rótulo (1), que está mobilizando a imprensa e fazendo que pais de crianças e celebridades postem fotos com a hashtag #poenorotulo no Facebook e o Instagram.

Pressionada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atendeu às mães. Em abril, reuniu representantes do grupo e de empresas do setor alimentício, governo e organizações de defesa do consumidor. O resultado da reunião é uma proposta de nova norma obrigando as empresas a destacar os ingredientes no rótulo. Este mês, a norma deve ser posta em consulta pública e pode começar a valer já em 2015.  

Quem quiser apoiar a campanha pode opinar durante a consulta pública da norma e publicar a própria foto na página do Põe no Rótulo no Facebook (2) e no Instagram (3).

Cansadas de esperar

Quando seu filho era bebê, a advogada Cecilia Cury costumava passar horas ao telefone. Era necessário consultar os serviços de atendimento ao consumidor dos fabricantes de alimentos para ter certeza de que os produtos não teriam nenhum resquício de leite. Se entrasse em contato com o ingrediente, seu filho Rafael teria sangramento nas fezes.  

Ler o rótulo não é suficiente para casos como esse, porque a maioria deles não informa se o alimento foi fabricado em máquinas com pequenos restos de ingredientes alergênicos. Outras vezes, a lista de ingredientes na embalagem menciona apenas o nome técnico do ingrediente, muitas vezes incompreensível para leigos. Por exemplo, mencionam “caseinato de sódio” em vez de “proteína do leite”.  

Quando João nasceu, a jornalista Marcella Chartier percebeu em seu filho sintomas de alergia aos nutrientes que chegavam ao bebê por meio do leite materno. Mas os médicos não conseguiam identifcar o ingrediente perigoso que, depois ficaria claro, era o glúten. Só havia um jeito de descobrir: toda semana, a mãe abria mão de comer um ingrediente diferente até descobrir o que provocava alergia em seu bebê.

“No fim da semana, eu descobria que tinha ingerido um alimento que não estava bem discriminado no rótulo. Tinha que recomeçar tudo. Eu ficava nervosa e meu bebê ficava nervoso”, conta Chartier. “Além de estar a abalada com a alergia, não podia comer o que desejava. Sem poder comer nada fora de casa, minha vida social foi para o brejo. Cheguei bem perto da depressão”, acrescenta.

Chartier superou as dificuldades e hoje conta que tem uma alimentação mais saudável do que quando seu filho nasceu. As dúvidas e descobertas ela registrou em um blog, que depois originaria o Grupo de Apoio às Famílias de Bebês com Alergia Alimentar (Gafaba) (4).