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Filme “Caminhos do Rio Paraíba” celebra expressões culturais caipiras

Movimento do Vale do Paraíba valoriza a força da cultura regional e produz vídeo sobre tropeirismo

Divulgação Coruputuba

Primeiro Festival Tropeiro do Vale do Paraíba realizado na Fazenda Coruputuba, em Pindamonhangaba em 2015

Na reunião de extensos territórios dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo e na parte inicial da bacia do rio Paraíba do Sul localiza-se o Vale do Paraíba. Essa região, além de grandes cidades e economia próspera, abriga paisagens encantadoras de vales e morros entre a Serra da Bocaina e a da Mantiqueira. O Vale da Paraíba se desenvolveu no movimento de tropeiros e caipiras e fez desse território um lugar de expressões culturais fortes e variadas, tanto nos hábitos da população, como na culinária.

Com a intenção de mostrar detalhes de toda essa peculiaridade, Patrick Assumpção e Keila Malvezzi Silva, proprietários da Fazenda Coruputuba, em Pindamonhangaba (SP), dirigiram o filme Caminhos do Rio Paraíba. A obra tem participação de produtores da “Rota do Cambuci”, projeto criado para promover o uso e comercialização do cambuci nas regiões onde é cultivado por agricultura familiar e orgânica, além de chefs renomados, tropeiros e personagens locais. As filmagens foram realizadas durante o primeiro Festival Tropeiro do Vale do Paraíba realizado pela Prefeitura de Pindamonhangaba em abril de 2015 na Fazenda Coruputuba.

O evento foi importante para fazer uma amostra dos produtos de excelência da região. “O Movimento do Vale do Paraíba”, uma ação nacional pela valorização de práticas agrícolas tipicamente brasileiras, guiou o encontro, como revela Assumpção em entrevista ao Instituto Auá:

Instituto Auá: Como surgiu a ideia de um filme para valorizar a cultura e a gastronomia regional?
Patrick Assumpção: O filme exibe os momentos do Festival Tropeiro do Vale do Paraíba e também é parte do movimento “TERROar”, uma adaptação da expressão francesa terroir que designa produtos próprios de uma área limitada, com aptidões agrícolas, como as vinícolas. Com o filme, queremos revelar o potencial cultural dos alimentos do Vale do Paraíba para o restante do país, atrelando-o ao passado e ao que é intrínseco da região. Na França ou Itália, por exemplo, encontramos queijos artesanais em cada localidade. Da mesma forma, queremos popularizar este regionalismo e nos tornar uma área com maneira própria de produzir. A ideia é que as pessoas sentem na mesa para comer algo e saibam da sua história e cultura específica. E isso é possível, pois o Brasil é protagonista na difusão de tecnologias agrícolas, como a rotação de culturas, o plantio direto e a introdução da lavoura consorciada com floresta.

O objetivo do filme é ser educativo?
Sim, pois dentro do movimento TERROar queremos trazer à tona a temática do Vale do Paraíba como um caso de referência da cultura caipira pela sua variedade de produtos agrícolas. A articulação do tema vem crescendo com produtores da região, os chamados “neorrurais”, que trazem conhecimento para contribuir com agricultura regional e estão reunidos na Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba. Hoje, órgãos públicos já querem trabalhar em parceria com o movimento, pois sabem que trazemos a visão do que é possível fazer para colaborar com a divulgação da cultura e dos produtos da região.

Qual é a relação entre a Fazenda Coruputuba e o trabalho de resgate cultural do Vale do Paraíba?
A Fazenda Coruputuba trabalha na valorização do patrimônio histórico e cultural do Vale. Ela existe há mais de cem anos e, voltando no tempo, descobrimos que foi uma das primeiras sesmarias do país, ainda em 1642, quando se chamava “Corupaityba” e era uma região de cultivo de milho. Mais tarde, tornou-se pouso dos tropeiros que vinham de Minas Gerais e arredores da Serra da Mantiqueira rumo à Parati e esse hábito que influenciou o modo de ser caipira. O projeto atual é resgatar o modelo de convívio entre o homem e a produção regional. Estamos em busca das variedades de milho caipira e dezenas de outras plantas não convencionais com potencial agrícola e gastronômico. Cultivamos, selecionamos e reproduzimos há quatro anos, por exemplo, o milho roxo da Serra da Mantiqueira e da Bocaina. Assim como o resgate do cambuci, esse é um trabalho de formiguinha e que fará esse tipos de agricultura aparecer cada vez mais.

Fotos: Divulgação Coruputuba


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