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Cresce a exportação de orgânicos

Com apoio do Organics Brasil, produtos nacionais ganham espaço no mercado externo

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Empresário brasileiro tem obtido lucro nos Estados Unidos com a venda de banana passa orgânica

Optar por um produto que leva o selo de orgânico é uma escolha cada vez menos rara entre os brasileiros. A procura por alimentos, bebidas, cosméticos e até artesanatos orgânicos produzidos por aqui já ultrapassa as nossas fronteiras. Com o aumento da demanda, a exportação de orgânicos recebe apoio de iniciativas públicas e privadas e faz com que produtos da biodiversidade brasileira cheguem até as mãos do consumidor internacional.

“O setor de orgânicos é competitivo e está crescendo muito no mundo todo e principalmente no Brasil”, afirma Alberto Bicca, gestor de projetos da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, a Apex, que fomenta o Organics Brasil, programa que promove produtores orgânicos sustentáveis no exterior desde 2004.

Segundo Ming Liu, coordenador executivo do programa, “a Apex enxergou que seria uma estratégia o Brasil ter um setorial com produtos que tenham a imagem ligada à sustentabilidade e nós - Organics Brasil - desenvolvemos a ideia." O projeto foi implementado por meio de um convênio com o Instituto de Promoção do Desenvolvimento (IPD). O mercado de orgânicos do Brasil está estimado em R$ 1,5 bilhão. “Para 2014, a previsão é crescer 33% e chegar a R$ 2 bilhões”, afirma Liu. Em entrevista ao Portal NAMU, Ming Liu fala a respeito do projeto.

O carro chefe dos produtos para exportação são os itens oriundos dos seis biomas brasileiros: Amazônia, Pantanal, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pampas. “O bioma Amazônia é onde tem maior número de produtos e com maior valor agregado”, comenta Liu.

A oferta é diversificada e entre os produtos exportados estão alimentos, bebidas, cosméticos, artigos têxteis e até artesanatos brasileiros. A demanda pela linha de artesanato é recente, mas vem crescendo, diz ele. Com isso, o projeto passou a certificar também sementes e outros materiais, como o capim dourado da região do Jalapão (TO), usado em bijuterias e utensílios de decoração. Em entrevista ao Portal NAMU, Alberto Bicca, gestor de projetos da Apex-Brasil, explica a parceria com o Organics Brasil.

Nossa banana para o mundo

Cauê Suplicy, fundador e presidente da Barnana, empresa que vende a banana passa nacional no exterior e que recebe apoio do Organics Brasil, relata que apostar no setor de orgânicos tem dado certo. "A empresa foi criada em 2012 e hoje já vendemos em todo Estados Unidos e também no Japão. Só em 2014, já foram processadas mais de 1 milhão de bananas que se transformaram em 1,5 milhão de pacotes de bananas in natura", conta Suplicy.

Filho de produtor de bananas orgânicas, Suplicy mudou-se para o estado da Califórnia (EUA) para tentar a carreira de triatleta. Para matar a saudade do país, costumava consumir produtos brasileiros e começou a perceber o sucesso que a água de coco e o açaí faziam - e fazem - nos Estados Unidos.

Esses produtos de origem brasileira são comercializados por empresas americanas, fato que gerou em Suplicy um incômodo e uma motivação para abrir seu próprio negócio: "Chega de gringo levar produto brasileiro para os Estados Unidos, está na hora de ser um brasileiro”, pensou. Foi então, que decidiu montar a Barnana. Em entrevista, ele explica melhor como surgiu a ideia para criar o produto.

Empresários de verdade

Apesar do crescimento, o empreendedor orgânico ainda encontra dificuldades para ganhar espaço no mercado. Para José Bassit, agricultor e diretor da Blessing, empresa que produz geleias, compotas e chás orgânicos, o maior empecilho ainda é a falta de informação. "Eu brinco que nós erámos, e ainda somos, missionários, e não empresários. Neste ano ocorre uma virada muito forte, estamos nos tornando um pouco mais empresários. O poder público e a própria mídia têm ajudado na divulgação e no apoio técnico".

Para Bassit, o produto orgânico é bem mais barato, porque mesmo que na prateleira aparente ser mais caro, ele é mais honesto e os gastos com saúde, por exemplo, serão menores no futuro. Há ainda a questão da preservação do planeta para as futuras gerações. "Como diz um antigo ditado, nós não estamos deixando de herança o planeta, nós o estamos tomando emprestado das futuras gerações", acredita Bassit. Em entrevista ao Portal NAMU, ele explica os benefícios do consumo e da produção de alimentos orgânicos.