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Cientistas descobrem nova ligação entre o cérebro e o sistema imunológico

Pesquisa demonstra a existência de vasos linfáticos que podem trazer avanços no conhecimento de diversas doenças

Thinkstockphotos

A descoberta mostra que, ao contrário do que se pensava, há conexões entre o sistema linfático e o cérebro

Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Virginia, nos Estados Unidos, realizaram uma descoberta que vem sendo considerada um grande avanço pela mídia especializada norte-americana. O estudo, publicado na revista Nature, mostra que o cérebro se conecta diretamente com o sistema imunológico por vasos que não eram conhecidos anteriormente.

"Isso muda completamente a maneira como percebemos a interação neuroimunológica", afirma o pesquisador Jonathan Kipnis, um dos autores do estudo. "Nós sempre percebemos essa questão como algo esotérico que não podia ser estudado, mas agora podemos fazer perguntas mecanicistas", diz.

Kevin Lee, que ocupa a cadeira do Departamento de Neurociências da universidade, comentou sua reação após conhecer a descoberta dos pesquisadores: “Quando eles me mostraram esses resultados, eu só disse uma coisa: ‘Vamos ter que mudar os livros-texto!’. Nunca houve um sistema linfático para o sistema nervoso central, e ficou muito claro a partir dessas observações que isso vai mudar fundamentalmente a forma como as pessoas olham para a relação do sistema nervoso central com o sistema imunológico”, afirmou.

As implicações da descoberta ainda não estão totalmente esclarecidas. "Até algum tempo atrás se aprendia que o cérebro não apresentaria drenagem linfática, diferentemente dos outros órgãos. A descoberta é interessante, equipara o cérebro aos demais órgãos do corpo, mas ainda não arrisco especular sobre as implicações da presente descoberta. De fato, o cérebro expressa seu sistema imunológico nas células da glia, especialmente a microglia, sendo estas células as prováveis mediadoras da estrutura recém descrita", opina o neurocirurgião brasileiro Ricardo Leme.

A descoberta

Tudo começou com o cientista Antoine Louveau, que buscava desenvolver um método para cortar as meninges (membranas que cobrem o cérebro) de ratos em um único pedaço para facilitar o estudo do tecido. Ele percebeu padrões indicando que as células imunológicas haviam atingido as meninges por meio de veias. Depois de testes, Louveau descobriu que essas veias estavam ligadas no sistema linfático, que é parte do sistema imunológico.

Para os pesquisadores que participaram do estudo, a descoberta dessas novas estruturas pode ter consequências nas pesquisas de doenças que vão desde o Alzheimer até as doenças autoimunes, como a esclerose múltipla, além de fornecer base para o crescente número de evidências ligando questões de saúde mental com o estado do sistema imunológico. Há estudos, por exemplo, indicando que pessoas com diabetes ou doenças autoimunes apresentam 65% mais chances de desenvolver demência. A descoberta dos cientistas da Universidade de Virgínia poderá ajudar a entender melhor essa relação e ajudar a ampliar os tratamentos existentes para essas doenças.