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Chegou a vez dos orgânicos

Crescimento do setor no Brasil não é maior em razão da carência de técnicos e insumos agrícolas

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Apesar de o Brasil ser o maior mercado de agricultura orgânica da América Latina, produtores ainda enfrentam desafios para cultivar alimentos sem substâncias nocivas à saúde humana. Os consumidores, por sua vez, lidam com preços altos nas gôndolas dos supermercados.

“Quem está na produção enfrenta muitos desafios”, reconhece o engenheiro agronômico Rogério Dias, coordenador de agroecologia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Dias faz parte do conselho de gestão do Plano Nacional de Agroecologia e Agricultura Orgânica (Planapo), política pública criada em junho de 2013 para ampliar o setor. O texto da lei privilegia políticas públicas que beneficiem as mulheres (veja entrevista abaixo).

Apesar de audacioso, o programa enfrenta empecilhos como: falta de técnicos com experiência em agricultura orgânica e dificuldade de encontrar insumos agrícolas.

Sem agrotóxicos

“É fácil encontrar agrotóxicos e NPK (fertilizante químico formado por nitrogênio, fósforo e potássio) nas lojas, mas na hora em que você precisa de um produto apropriado à agricultura orgânica é muito difícil”, afirmou Dias. “Por outro lado, existe gente produzindo esses insumos que não consegue fazer as pessoas saberem que eles existem e como acessá-los”, complementou.

Além da dificuldade de informação, Dias explicou que leis de regulamentação da fabricação e venda de insumos muitas vezes atrapalham a produção de orgânicos, pois elas, muitas vezes, têm como base a agricultura convencional. A lei que regula a produção de pó de rocha, por exemplo, foi pensada para lavouras tradicionais, nas quais esse insumo corretivo precisa ter grãos menores do que nas lavouras orgânicas. Outra dificuldade e a ausência de sementes orgânicas, pouco produzidas pelas grandes empresas agropecuárias.

Faltam técnicos

Apesar do Planapo prever um investimento de R$ 758 milhões em assistência técnica e extensão rural, Dias relata que faltam técnicos agrícolas com conhecimento na produção de orgânicos no Brasil. “É muito comum a gente mostrar para o agricultor no campo o cultivo orgânico é um caminho possível e ouvir que ele não encontra técnicos para lhe darem assistência”, afirma Dias. Para o coordenador, a culpa é da ausência dos conteúdos de agricultura orgânica nos cursos de formação.

O vazio educacional joga nos ombros dos produtores o custo de descobrir como tornar a produção orgânica lucrativa. “Não podemos acreditar que a agricultura orgânica vai continuar se desenvolvendo com base nas pesquisas dos agricultores. Se isso acontecer, eles terão que correr os riscos e sofrer os prejuízos econômicos, responsáveis muitas vezes por fazê-los abandonar a atividade”, afirmou Dias.

Cidade e campo

Dias comemorou o aumento da venda de alimentos orgânicos na última década, especialmente o programa do governo que privilegia os produtores de agricultura familiar e orgânica nas escolas. “Hoje temos a produção e consumo de orgânicos no Brasil inteiro. Passar a ter um mercado interno é muito importante para motivar as ações do governo”, afirmou. “A transformação da agricultura deve partir das pessoas que estão na cidade, já que 85% da população brasileira é urbana. Não dá para imaginar que faremos uma transformação da agricultura só com os 15% que vivem no campo. Ao exigir mais opções no mercado, as pessoas vão incentivar que cada vez mais produtores se interessem pela produção orgânica e invistam nesse processo”, acrescentou.

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