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Árvore caída vira banco em SP

O designer Hugo França pretende transformar árvores caídas em mobiliário ecológico para a cidade de São Paulo

Nathalia Kamura

As obras de Hugo França propõem ampliar a interação entre o espaço público e a população

Desde o início de 2015, caíram cerca de 1.500 árvores na cidade de São Paulo. Por ano, aproximadamente 16 mil árvores são removidas. Todo esse resíduo orgânico é, na maioria das vezes, levado para aterros sanitários e, por lá, apodrece. Para mudar esse cenário, o designer brasileiro Hugo França conquistou uma parceria desejada há anos com a Prefeitura de São Paulo. Ele quer transformar as árvores que caem no perímetro urbano em peças de mobiliário público. “Aproveitar o resíduo lenhoso e transformá-lo em um objeto é uma questão de sustentabilidade e reciclagem”, explica França.

A primeira peça foi colocada nessa quarta-feira (25/02) no Largo da Batata, no bairro paulistano de Pinheiros. O banco pesa cerca de sete toneladas e foi feito com a madeira de um eucalipto que caiu após ser atingido por um raio no Parque do Ibirapuera.

A parceria entre a Prefeitura e França pretende ser apenas o início do projeto Mobiliário Ecológico lançado pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente. “A ideia é que cada vez mais artistas plásticos e designers procurem a Prefeitura para que a gente forneça essa matéria-prima que está disponível, porque é muita madeira”, afirma o secretário do Verde e Meio Ambiente, Wanderley Meira do Nascimento.

“Normalmente, as árvores são resgatadas, picotadas e jogadas no lixo. Mas, 50% do lenho de uma árvore é CO2 que é o principal gás do efeito estufa. Se você queima a madeira ou joga em um lixão ou aterro para se ela decompor, você está devolvendo para a natureza todo o CO2 que árvore passou a vida inteira recolhendo. Acontecem vários crimes simultâneos quando você não recolhe corretamente uma árvore”, alerta França.

Cuidado de todos

Para que o mobiliário perdure nos espaços públicos paulistanos é preciso, além de manutenção, contar com a colaboração dos transeuntes. “A experiência tem nos mostrado que as pessoas têm um respeito bem maior por esse tipo de mobiliário do que os convencionais que têm uma cara industrializada. Não que não exista depredação, mas é menor, porque toda essa história leva também uma educação ambiental. A ideia é, em última análise, levar um pouco de conscientização”, comenta o designer que já realizou trabalhos semelhantes em algumas cidades da Europa e em Nova York (Estados Unidos).

Próximos passos

“Com a oficialização da parceria com a prefeitura, nós vamos correr atrás da iniciativa privada para conseguir patrocínio e fazer um primeiro lote com 30 bancos. Eu posso fazer 30 bancos em um mês, mas o que conta não é tempo, é termos dinheiro para fazer os bancos. O crescimento do projeto depende da nossa capacidade de captar patrocinadores na iniciativa privada, porque a Prefeitura não tem recursos financeiros”, relata o designer, que já conta com o apoio da empresa sueca Husqvarna, uma das maiores fabricantes de motosserra do mundo.

A empresa fornece todas as motosserras que França precisa para esculpir os troncos. “Nós invertemos o símbolo da motosserra. Ela que é conhecida como um símbolo do desmatamento é utilizada nesse trabalho como uma ferramenta escultórica. E nós esculpimos guardando todas as formas orgânicas da árvores, interferindo o mínimo possível, criando o que eu chamo de uma escultura mobiliária”, explica o designer. Esse processo de trabalho foi inspirado no modo como os índios pataxós faziam suas canoas.

Fotos: Nathalia Kamura


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