Principais nomes

Platão (428/427 a.C.-348/347 a.C.) – Ao lado de Aristóteles, é o grande expoente da filosofia da Grécia Antiga. Nasceu em Atenas, na ilha de Egina, sendo originário de uma antiga família aristocrática ateniense. Entre seus antepassados estão, por parte de mãe, o célebre legislador Sólon (c.639 a.C.-559 a.C.); por parte de pai, o rei Codro (1090 a.C.-1069 a.C.). Seu verdadeiro nome era Aristocles, mas devido à sua compleição física recebeu a alcunha de Platão (significa literalmente “ombros largos”). Frequentou com assiduidade os ginásios, obtendo prêmios por duas vezes nos Jogos Ístmicos. Começou por seguir as lições de Crátilo, discípulo de Heráclito, e as de Hermógenes, discípulo de Parmênides. Em princípio, por tradição familiar deveria seguir a vida política. Contudo, a experiência do governo dos 30 tiranos que governaram Atenas por imposição de Esparta (404-403 a.C.), e da qual fazia parte dois dos seus tios, Crístias e Cármides, distanciaram-no dessa opção de vida, pelo menos do modo como a política era exercida.

A influência de Sócrates foi a grande virada em sua trajetória. Tornou-se seu discípulo por volta de 408 a.C., quando contava 20 anos. Nele encontrou o mestre, que veio a homenagear na sua obra, fazendo-o interlocutor principal da quase totalidade dos seus diálogos. A condenação de Sócrates (399 a.C.), e a sua ação para o salvar, obrigaram-no a exilar-se nesse ano. Desiludido com o regime aristocrático, mas também com a democracia ateniense, passou a defender que as leis e os costumes dos povos deviam ser baseadas em concepções filosóficas.

Depois desse período, conviveu em Megara, com Euclides (nasceu em 300 a.C.) e Terpsíon (século 4 a.C.), discípulos de Sócrates. Regressou a Atenas para servir na cavalaria, como os seus irmãos. Voltou a viajar, dessa vez ao Egito, onde teria sido iniciado nos mistérios de Ísis. Depois foi a Cirene onde estudou matemáticas com Teodoro, fazendo-o depois seu interlocutor no diálogo Teeteto. No sul da Grande Grécia (Itália), em Taranto, aprendeu a filosofia pitagórica através de Filolau de Crotona (470 a.C.-385 a.C.) e Arquitas de Tarento (428 a.C.-347 a.C.). Em Creta estudou legislação de Minos. Há quem afirme que esteve na Judeia, onde teve contato com a tradição dos profetas, e até nas margens do Ganges teria conhecido místicos hindus. Em 388 a.C., visitou a Sicília, então governada por Dionísio, o Antigo, com o propósito de convertê-lo à sua concepção filosófica, quando não teve o êxito pretendido.

Ao regressar a Atenas, em 387 a.C., fundou a chamada “Academia” de Platão, que se tornou-se o centro intelectual da Grécia Antiga, por onde passaram filósofos e políticos como Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.), Eudoxo de Cnido (408 a.C.-347 a.C.), Xenócrates (396 a.C.-314 a.C.), Esquines (389 a.C.-314 a.C.,) e Demóstenes (384 a.C.-322 a.C.). Permaneceu em Atenas por cerca de 20 anos, até voltar à Sicília em 367 a.C., com a ideia de converter o novo monarca Dionísio, o Moço, num filósofo-rei. Os resultados não foram alcançados, e Platão foi perseguido e feito escravo por causa de suas ideias políticas, e vendido no mercado de Egina, quando acabou sendo comprado por um dos seus amigos. Voltou a Atenas, e morreu em 347 a.C., num momento em que a cidade lutava contra Filipe da Macedônia, conflito que lhe foi fatal.

O conjunto das obras de Platão, ao contrário das obras de Aristóteles, foi escrito para o grande público. São 35 diálogos, algumas cartas, definições e seis pequenos diálogos apócrifos, quase todos sem datas precisas: Axíoco, Da Justiça, Da Virtude, Demódoco, Sísifo, Eríxias. Os diálogos hoje considerados autênticos reduzem-se todavia a 24, sendo em geral divididos em quatro grupos, de acordo com a sua maior ou menor proximidade às ideias socráticas. Dos Diálogos de juventude, influenciado por Sócrates, estão o Laques, Cármide, Eutrifrom, Hipias Menor, Apologia de Sócrates, Críton, Ion, Protágoras, Lísis. Os Diálogos dirigidos contra os sofistas: Górgias, Ménon, Eutidemo, Crítias, Teeteto. E os Diálogos de maturidade, onde é desenvolvida a sua teoria das ideias: Fedro, Banquete, Fédon e República. E os Diálogos onde realiza uma revisão crítica da sua filosofia: Parménides, Sofista, Político, Filebo, Timeu, e As Leis, obra que não foi concluída.

Com relação aos temas, Platão apreende a sua filosofia como método que remete a tudo. Do ponto de vista do conhecimento, fez uma crítica ao mundo sensível, como o mundo das mudanças e das opiniões ilusórias e vulneráveis, compreendendo que o conhecimento verdadeiro é fruto das ideias eternas, separadas do mundo das coias. Sustentou ainda que todos os seres humanos, em graus variáveis, quando nascem já possuem muitas dessas ideias. Nesse sentido, conhecer ou aprender é recordar aquilo que está obscurecido na alma.

As suas ideias cosmológicas foram profundamente influenciadas pelo pitagorismo. Recusando as causas físicas para o que ocorre na natureza, sustentou que a única ciência possível estava na descoberta dos modelos eternos e perfeitos de todas as coisas. Concebeu por isso um universo hierarquizado segundo graus de perfeição: no alto estavam os astros, considerados divinos, sendo por isso eternos, imutáveis, tendo uma forma esférica que era a que mais se adequava a estes atributos. Em baixo, estava a terra, imperfeita.

A teoria das ideias é indissociável do aspecto da moral e da estética. As obras de arte, seguindo esse princípio e perfeição, não admitem qualquer mudança ou inovação no campo artístico. Um vez atingida a obra de arte ideal, isto é, perfeita, só resta aos artistas continuar a replicá-la eternamente. Na moral, combateu o relativismo dos valores, defendidos pelos sofistas. Que o dever único do homem é para com o Bem, que se identifica com o Belo e o Uno, possíveis pelo desprendimento dos valores materiais e das necessidades corporais. Os desdobramentos políticos de sua filosofia são vistos como o estudo normativo dos princípios teóricos do governo dos homens, encontrando o seu fundamento no estudo da alma humana.

Para pensar

Na obra de Platão, fala-se da preexistência da alma. Quais as condições para pensá-la como racional ou como mito?

A imortalidade da alma é uma das teses mais características e influentes do platonismo. Está atrelada à noção de realidade, em que a natureza humana está dividida entre alma, como sede da identidade...

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