Próxima estação: Arte

Andar de metrô em São Paulo pode ser um passeio cultural, basta estar atento. Várias estações oferecem exposições que dialogam com a temática da sustentabilidade. Na Vila Madalena, por exemplo, o artista plástico Luiz Alberto Nunes decidiu se apropriar de materiais que seriam descartados pelo Metrô e transformá-los em obras de arte.

Na estação São Bento, a exposição do artista Flavio Santos Macedo é uma declaração em defesa do meio ambiente. As obras expostas pretendem incentivar a conscientização ecológica dos transeuntes. A arte de Macedo aponta para a urgência da valorização da biodiversidade brasileira. Ainda na mesma estação é possível ver a instalação do artista Daniel Caballero, na qual ele tenta recriar uma paisagem campestre utilizando destroços e lixo em desenhos, esculturas e outras linguagens.

Na plataforma da estação São Bento, onde as pessoas aguardam pelo metrô, imagens criadas pela artista Alexandra Ungern-Sternberg provocam o público. São moscas de vários tamanhos colocadas em lugar reservado aos alimentos usualmente comercializados em bandejas de isopor. Segundo a artista, a obra é uma reflexão sobre a crescente produção desse tipo de embalagem, ao consumo em escala industrial e ao desperdício e às toneladas de lixo que essa lógica comercial produz.

A outra é a proposta inédita da exposição no Museu da Diversidade que cria a possibilidade de refletir sobre o aspecto “silencioso” que é o preconceito da homossexualidade no futebol. Já na zona norte, na estação Santana, há uma série de pranchas do artista Gontran Guanaes Netto sobre o tema “o homem e a bola”. A exposição é uma metáfora a respeito da relação entre o homem e o planeta.

Na estação República, duas exposições também provocam os transeuntes. A releitura artística da instalação “Circumstantiam”, criada para o “vão” do Sesc Belenzinho por Maria Bonomi, apresenta imagens referentes à poluição geral. A obra brinca com a ideia de que o lixo não é algo desconectado do resto do planeta. Todos os detritos que produzimos acabam fazendo parte do mundo. Bonomi mostra que o conceito de “jogar fora” lixo ou resíduos é profundamente equivocado. A artista tenta mostrar para o público que não é possível descartar nada. Tudo que “jogamos fora” permanece no planeta prejudicando o meio ambiente e em última instância nós mesmos. Apesar de evidente, o paradoxo apresentado pela obra de Bonomi é algo que pouca gente se dá conta. Não há lugar externo onde possamos “jogar fora” nossos detritos. Leves ou pesados, todo lixo ou sujeira ambiental está preso ao planeta onde vivemos. Portanto, quando mais lixo produzirmos, mais tornaremos insustentável o meio ambiente onde vivemos.

As exposições foram incorporadas como programação da Virada Sustentável que aconteceu entre os dias 28 e 31 agosto, mas ainda podem ser apreciadas por quem puder deixar a pressa e valorizar a arte gratuita que o Metrô oferece.