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Yoga e alimentação

A prática indiana nos ensina como cuidar do corpo de forma saudável e ética

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De acordo com o yoga, o corpo nos ajuda a atingir a iluminação. Muitos praticantes de yoga (iogues), por se preocuparem com a saúde, executam relaxamentos, exercícios, respirações, pensamentos e dietas de forma adequada. A alimentação é um dos pilares dessa tradição milenar e tem o objetivo de fornecer nutrientes de boa qualidade e purificar o corpo de toxinas para manter o bom funcionamento de células, tecidos e órgãos.

O iogue costuma observar alguns preceitos e hábitos durante as refeições. O primeiro é comer com consciência e tranquilidade, adotando uma atitude pacífica e silenciosa, para perceber quando já se comeu o suficiente. O ensinamento da yoga mostra que a refeição ideal é aquela que cabe nas palmas de nossas mãos. Comer regularmente é importante, mas as refeições devem ser feitas apenas quando se tem fome e observando a máxima de “comer para viver, não viver para comer”.

Outro aspecto importante é o respeito com o alimento e o conhecimento de que a energia que ele carrega, seja boa ou ruim, será absorvida pelo organismo. Em sânscrito, nosso corpo físico é chamado de “corpo de alimento” (annamaya kosha), nome que enfatiza que somos o que comemos. Alimentos sem energia vital (prana), como a carne, são evitados. Ao cozinhar, até mesmo nossas emoções são transmitidas ao alimento e é por isso que devemos estar tranquilos ao prepará-lo.

Ainda há os aspectos de qualidade, quantidade e interações referentes à alimentação. Comer frutas nas grandes refeições, ingerir leites ou alimentos pesados à noite, tomar muito líquido durante as refeições principais, beber água gelada, mastigar mal, comer muito, combinar mais que cinco comidas diferentes por refeição são hábitos que dificultam a digestão e por isso devem ser evitados. Recomenda-se fazer um jejum parcial um dia por semana com alimentos leves para livrar o corpo de toxinas e resíduos.

Alimentos

As escrituras iogues preconizam que o universo é formado pela combinação de três qualidades da matéria (gunas): rajas, tamas e sattva. O mesmo vale para os alimentos: há os rajásicos, os tamásicos e os satívicos. Os dois primeiros grupos devem ser evitados.

Rajas é a qualidade do que é estimulante e por isso os alimentos dessa classificação trazem inquietude, desequilíbrio, despertam as paixões e dificultam a meditação. Fazem parte desse grupo: temperos fortes, cebola, alho, sal, bebidas (café e chá), cigarro, alimentos industrializados, açúcar branco, refrigerantes e chocolate.

Tamas refere-se à inércia. Os alimentos tamásicos não possuem prana, a energia vital e por isso tornam o corpo pesado e lento, entorpecendo o pensamento. São exemplos desse grupo: carnes, ovos, cogumelos, alimentos embalados, fermentados, cozidos em demasia, queimados, fritos, assados, requentados, vencidos, com conservantes, além de álcool e drogas. Exceder-se na alimentação é considerado um comportamento tamásico.

A dieta iogue privilegia os alimentos satívicos, que são agradáveis ao paladar e integrais, ou seja, não contém conservantes ou corantes artificiais. Diferentemente do que se possa pensar, há um grande número de opções neste grupo, que inclui frutas frescas e secas, legumes e verduras, ervas, grãos, sementes, nozes, mel, pães integrais, sucos de frutas, chás de ervas e laticínios (o único grupo de alimentos de origem animal que faz parte da dieta iogue). Como são de fácil digestão e contêm muito prana, os alimentos satívicos aumentam a vitalidade e eliminam o cansaço.

Melhorar a alimentação não é um processo fácil. Se quisermos deixar de lado os alimentos rajásicos e tamásicos, devemos ter paciência para adotar mudanças lentas e graduais em nossa dieta.

Limpeza

O yoga possui diversas práticas de limpeza e purificação chamadas kryias. As posturas de yoga, chamadas ásanas, massageiam órgãos vitais e estimulam os movimentos peristálticos, que contribuem para uma boa digestão, facilitam a eliminação de toxinas e promovem uma melhor circulação de energia. Essas práticas são um contraponto à ociosidade e ao meio ambiente insalubre típico da vida moderna das grandes cidades que tornam nosso corpo lento e sobrecarregam órgãos vitais.

O jejum semanal também é uma limpeza, uma vez que dá ao nosso organismo tempo suficiente para digerir os alimentos, assimilar o que é útil e eliminar excessos.

Vegetarianismo e aspectos de conduta

Nem todo iogue é vegetariano, mas há vários aspectos na tradição que o conduzem à prática ou, pelo menos, a uma drástica redução no consumo de carne.

A carne contém muita gordura, colesterol e pouca fibra, ao passo que os vegetais são exatamente o contrário. Além disso, muitos dos agrotóxicos pulverizados em plantações e antibióticos aplicados nos animais são absorvidos pela carne, o que a torna altamente tóxica para o consumo humano. Uma dieta sem carne ajuda a reduzir significantemente os níveis de colesterol, problemas cardíacos, artrite, ácido úrico, gota, obesidade, diabetes, prisão de ventre, calculo biliar e pressão alta.

A não violência (ahimsa) é o princípio mais importante da filosofia iogue, pois conduz o praticante a respeitar e não causar sofrimento aos seres vivo. Os animais criados pela indústria alimentícia passam a vida confinados e o momento do abate é carregado de medo e dor. Do ponto de vista da yoga, o homem não tem o direito de usar sua supremacia para dominar e matar criaturas mais vulneráveis. Isso se reflete no aspecto energético, pois todo medo e dor sofridos por um animal abatido nos afetam quando comemos sua carne.

O praticante da yoga deve pensar também no aspecto ambiental quando se trata do consumo de carne. A criação de gado é cara, dispendiosa e consome grandes quantidades de água. Anualmente, áreas gigantescas são desmatadas e transformadas em pasto. Em razão da grande quantidade de gás metano expelido em seu processo de digestão, o gado bovino também responsável pelo aquecimento global.

De acordo com o último relatório da FAO, entidade da ONU responsável por assuntos de alimentação, 765 milhões de pessoas ainda passam fome. A criação de gado ocupa áreas suficientes para diminuir sensivelmente a fome no mundo. Falta comida nos países em desenvolvimento, enquanto os países desenvolvidos convivem com altos índices de obesidade e consumo cada vez maior de medicamentos para emagrecer.

AOyoga tem muito a nos ensinar no que diz respeito à alimentação. Comer bem vai além de montar o próprio cardápio visando cuidados com o corpo e com a saúde. É, acima de tudo, um ato político e de amor que pode mudar de forma profunda e positiva nosso planeta.