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A solidão e o câncer de mama

Mulheres que são mais ativas socialmente têm 60% menos chance de morte por reincidência da doença

Wrote / Flickr: friendship/ CC BY 2.0

As mulheres que tinham um cônjuge, relacionamentos satisfatórios familiares e de amizade, que participavam em atividades comunitárias e religiosas tinham maior chance de sobrevivência a longo prazo

O câncer de mama é uma das doenças que mais aflige as mulheres e novas pesquisas podem mudar a forma como lidamos com o tratamento da patologia. Estudos realizados nos últimos anos demonstram que os relacionamentos sociais são essenciais para a saúde física e mental.

A conclusão dessas pesquisas confirmam dados da Organização Mundial da Saúde (OMS/World Health Organization / WHO) que inclui os relacionamentos sociais e afetivos como um dos seis domínios da qualidade de vida.

A definição de qualidade de vida segundo a OMS é: “a percepção de uma pessoa de sua posição na vida, no contexto de sua cultura e sistemas de valores em que vive em relação à seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”.Os seis domínios da qualidade de vida, por sua vez, são:

  1. Saúde física, relacionada à energia ou fadiga, dor e desconforto, sono e repouso;
  2. Saúde psicológica, relacionada à aparência e autoimagem, sentimentos positivos e negativos, autoestima, aprendizagem, memória e concentração;
  3. Nível de independência, relacionada à mobilidade, atividades da vida diária, dependência de medicamentos e cuidados médicos, capacidade de trabalho;
  4. Relacionamentos sociais, que são os relacionamentos pessoais, suporte social e atividade sexual;
  5. Ambiente, relacionado à recursos financeiros, liberdade, segurança, acesso à serviços sociais e de saúde de qualidade, lazer, ambiente doméstico, meio ambiente, meios de transporte;
  6. Espiritualidade, relacionada à religiosidade, espiritualidade e crenças pessoais

Embora o conceito de percepção seja altamente subjetivo, há diversos instrumentos desenvolvidos pela OMS para avaliar a qualidade de vida das pessoas. Entre esses recursos estão as avaliações WHOQOL (World Health Organization Quality of Life ou Organização Mundial de Saúde Qualidade de Vida, em tradução livre), que incluem o  questionário completo (WHOQOL-100), o resumido (WHOQOL-BREF), o de portadores de HIV (WHOQOL-HIV)  a abordagem espiritualidade, religiosidade, crenças pessoais (WHOQOL-SRPB), dentre outras.

O papel dos relaciomentos no tratamento do câncer de mama

Quanto mais envelhecemos, mais relevante fica esse papel dos relacionamentos sociais, das redes de apoio, do compartilhamento de experiências e das amizades, para mantermos a nossa saúde física e mental.

Especificamente no caso do câncer de mama, os relacionamentos têm papel fundamental. Mulheres que sentem solidão tem mais risco de morte por reincidência dessa doença.

O estudo foi publicado no periódico científico Cancer, e mostrou que mulheres solitárias que se trataram de um câncer de mama tem 60% mais probabilidade de morrer por recidiva do tumor do que as mulheres que são mais ativas socialmente e tem relacionamentos afetivos.

Pesquisadores do instituto Kaiser Permanente dos Estados Unidos, fizeram o acompanhamento de mais de 9000 mulheres com câncer de mama durante cerca de 10 anos após o diagnóstico para avaliar as condições de saúde e recorrência da doença.

As mulheres que se sentiam isoladas, com uma vida social pobre tinham aumento no risco de morte e de cerca de 40% maior da doença recidivar.

Essas mulheres que não tinham apoio durante o tratamento, em muitos casos, não conseguiam cozinhar, e viviam com lanches e alimentos não nutritivos, por vezes faltavam às consultas e não aderiam adequadamente aos tratamentos.

As mulheres que tinham um cônjuge, relacionamentos satisfatórios familiares e de amizade, que participavam em atividades comunitárias e religiosas tinham riscos menores de recidiva do câncer e maior sobrevivência a longo prazo.

A complexidade da vida social

A pesquisadora Candyce Kroenke, coordenadora do estudo, afirmou que os resultados “confirmam a influência geralmente benéfica dos laços sociais na recorrência e mortalidade pelo câncer de mama, no entanto, eles também apontam para complexidade, já que nem todos os laços sociais são benéficos em todas as mulheres”.

Isso significa que, mesmo em um relacionamento com um(a) cônjuge, algumas mulheres que não tinham amigos continuavam a se sentir isoladas. Essas, portando, tinham, igualmente o risco aumentado para a recidiva da doença.

Segundo a Kroenke, a vida social deve ser avaliada na totalidade, para que seja feito um prognóstico mais acertado sobre a doença.

A importância das relações verdadeiras

A instituição britânica Macmillan Cancer Support, disponibiliza dados sobre o que acontece com pacientes solitárias em seus tratamentos e dá orientações para as mulheres, suas famílias e os profissionais que as atendem

Num mundo no qual as pessoas têm milhares de “amigos” nas redes sociais, porém continuam a se sentir sozinhas, investir em relacionamentos de qualidade, presenciais, satisfatórios, plenos, “olho no olho” parece ser um antídoto para o vazio existencial e para o aumento da recidiva das doenças potencializadas pela solidão.

Foto 1: Giorgio Luciani / Flickr: Friendship / CC BY 2.0
Foto 2: Kleinefotografie / Flickr: Friendship / CC BY 2.0