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A reconquista do espaço público

Fortalecer o sentimento de integração entre pessoas e lugares é o primeiro passo para cidade melhor

Manuela Colombo

Há quem viva cada dia em seu mundo, sua rotina corrida, construída lenta e individualmente, e que, ao sair do trabalho, só queira ir para casa e descansar. Há também aqueles que se encantam com os detalhes da paisagem, se perdem ao imaginar as histórias de cada pessoa que passa, se alimentam com vários momentos únicos vividos e se encantam com uma vida em coletivo.

Assim, ano após ano, cada indivíduo vive do seu jeito, sem certo ou errado, apenas a observar o poder e as consequências de suas escolhas.

Eu escolhi a busca por um trabalho que faça sentido para mim: gostaria de deixar um legado, ainda que simbólico, para a cidade. Como arquiteta, vi a minha função social ir muito além de criar ambientes agradáveis.

Fui convidada a extrapolar a escala urbana, a lidar com gente, seus mundos e seus sonhos. Conheci pessoas e iniciativas que me inspiram, agem comigo e cada dia mais fortalecem essa rede de “fazedores de cidade”. Saí da caixinha e mesmo que quisesse, não conseguiria voltar.

Despertar a atenção

Felizmente, vivemos uma crescente conscientização da importância, do potencial e diversão de ocuparmos os espaços públicos. De uma frase impactante à revitalização de uma praça; de um show ao vivo a alguém que simplesmente leva seu banquinho e senta na calçada: todas as maneiras de ocupar e dar vida à cidade são bem-vindas.

As intervenções urbanas buscam normalmente denunciar algo e provocar a reflexão das pessoas. Ou ainda, simplesmente, suprir uma demanda de maneira simples e criativa, como falta de sombra, lugares para descansar ou atividades de lazer.

Qualquer que seja o motivo, as ações costumam vir acompanhadas normalmente de muita criatividade e pouca verba. Qualquer pessoa, inclusive você que está lendo isto agora, pode contribuir para o uso e ativação dos espaços públicos. É mais fácil do que você imagina. Cada atitude é importante e inspiradora para gerar outras.

Ações pontuais e programações culturais, mesmo que não alterem fisicamente o espaço, também são riquíssimas. Estimulam possíveis usos de cada lugar de acordo com sua vocação e potencializam o que há de especial e próprio de cada um, de cada região.

Pessoas e ideias

Muitas dessas ações fortalecem a conexão entre pessoas e o lugar. Isso gera empatia, identidade e comunidade. Essa última é ao mesmo tempo uma das maiores carências das grandes metrópoles e parte considerável da solução de nossos problemas.

Além de conectarem pessoas interessantes, fortalecerem comunidades e plantarem ideias em mentes ativas, as intervenções urbanas têm um papel urbanístico muito importante: trazem mais segurança, conforto e identidade, fatores essenciais para uma boa qualidade de vida urbana.

Isso é natural em alguns lugares, mas aqui no Brasil as pessoas esqueceram que a cidade é de todos, os espaços públicos são de uso livre, podem abrigar as mais diversas tribos e sua conservação é de responsabilidade comum. Uma amiga, também arquiteta e “ativista urbana”, contou que certa vez pegou uma cadeira de praia, um guarda-sol e foi ler um livro na praça. Curiosamente, foi abordada mais de uma vez por pessoas perguntando se aquilo (ler um livro na praça) era permitido. O que falta pra população se sentir no direito de usar a cidade?

Sentimentos da cidade

Quando foi que os shoppings se tornaram mais atraentes para as famílias do que os parques com natureza e atividades ao ar livre? A cidade é como um organismo vivo que funciona melhor quando a alimentação e exercícios físicos estão em dia.

Ela tem sentimentos, está sujeita à lei de ação e reação, vive em constante movimento e transformação. Suas conexões vão muito além do que imaginamos.

Dessa visão é que nasceu o conceito de Acupuntura Urbana, que atua nos espaços públicos da cidade ao considerá-los pontos estratégicos a serem trabalhados para aumentar a escala de nosso impacto e qualidade de vida. É um trabalho de formiguinha que cuida um lugar de cada vez para conseguir conectar mais iniciativas e pessoas.

A Acupuntura Urbana junta o que há de melhor em cada método, conhecimento e experiência e aplica na prática de maneira dinâmica e colaborativa.

Trata-se de fazer acontecer, testar, experimentar. Juntar empresas, governo e população para agir por um mesmo objetivo e construir juntos a cidade que sonhamos para nossa vida e para as próximas gerações. Quer saber mais como nós trabalhamos? Confira em Acupuntura Urbana e aproveite para acompanhar nossa página no Facebook.