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A poderosa meditação kundalini

Conheça a técnica indiana de meditação que combina posturas, gestos e exercícios de respiração

JAIME RAMOS / Flickr: +fky-478 / CC BY-SA 2.0

Na meditação kundalini, uma das técnicas usadas são os exercícios respiratórios

Uma das coisas bacanas oferecidas por eventos como a Virada Sustentável é a oportunidade de visualizar e conhecer assuntos, atividades e pessoas que nem sabíamos que existiam. Esse foi o meu caso com a meditação kundalini, método criado pelo mestre espiritual Osho, de origem indiana. A técnica foi oferecida pela Lótus Terapia e Meditação numa simpática casinha na Vila Madalena. Apesar de já ter lido vários livros do Osho e ser uma praticante experiente de meditação, nunca havia feito uma algo tão dinâmico.

A sala de meditação é aconchegante e, após a prática, consegui entender porque o chão era todo forrado com EVA, proporcionando um apoio mais confortável e macio aos pés. Dayita e Akhila, nossas anfitriãs e facilitadoras, sentaram com as pessoas numa roda e, seguindo o padrão das práticas terapêuticas em grupo, fizeram uma breve meditação guiada nos moldes tradicionais. Elas entoaram o mantra OM para conectar e equalizar a energia de todos os participantes.

A particularidade dessa meditação foi a visualização de uma chama violeta subindo e descendo em espiral pela coluna, que deve ter como objetivo dar uma boa limpeza no canal principal da energia que será trabalhada. Para quem não conhece o termo, kundalini é o nome que se dá para a energia que fica em estado dormente, enrolada como uma cobra, na base da espinha dorsal. Os praticantes do tantrismo, por exemplo, trabalham com afinco para que essa força vital ascenda. Eles acreditam que a kundalini pode ser uma energia sexual poderosa.

Após esta preparação, Dayita explicou que Osho desenvolveu alguns métodos ativos de meditação, com movimentos de diversos tipos, que ajudam a limpar as energias emocionais mais grosseiras, como uma forma de preparação para a meditação contemplativa tradicional. Nesse ponto, Akhila começou a explicar o que é a meditação kundalini. Elas falaram e demonstraram as quatro fases da prática:

Primeira fase
Nesse ponto devemos fazer um movimento de chacoalhar o corpo, soltar bem os joelhos, as articulações e o pescoço sempre em um movimento vertical. A única recomendação era não girarmos para os lados, pois a kundalini vai em sentido vertical. A demonstração me lembrou um pouco os bonecos de marionete.

Segunda fase
Todos os participantes começam a dançar. Dayita comentou uma frase de Osho, “você pode escolher ser um dançarino ou a dança”, e nos recomendou que tentássemos ser a dança.

Terceira fase
Nesse ponto começa uma meditação baseada na respiração. Permanecemos sentados e com a tradicional recomendação de apenas observarmos as reações da nossa mente e corpo sem fazer qualquer tipo de julgamento.

Quarta fase
Nesse momento a prática da meditação é feita com as pessoas deitadas. As anfitriãs recomendavam que os participantes tomassem cuidado para não cair no sono.


A terapeuta Ma Prem Akhila demonstra uma postura de meditação kundalini

A experiência

Depois da explicação, foram oferecidas, a quem quisesse usar, vendas para os olhos. O intuito era direcionar a atenção dos participantes para a atividade em si e não para o movimento ao redor. Sei por experiência que essas vendas ajudam bastante e por isso peguei uma. Nos espalhamos pela sala com os olhos vendados. Nesse momento, teve início uma música ritmada, de suave e aguda percussão que envolve o ouvinte de uma forma impressionante.

O que na demonstração me pareceu uma marionete pulando, se transformou. Eu me senti possuída por aquele som. Meu corpo todo chacoalhava sem controle. Por vezes, fazia ondas verticais como uma cobra subindo numa árvore. Foi uma sensação muito estranha porque parte de mim, acostumada com a meditação, conseguia observar aquele corpo que não parecia meu. Nunca imaginei que pudesse fazer aqueles movimentos com aquela intensidade. Por momentos me lembrei das práticas do candomblé e das danças africanas Achei lindo perceber como a natureza humana é mesmo única. Aquilo depois fez todo sentido para mim, pois, estávamos trabalhando a kundalini e a mãe África é a raiz da energia da vida e ninguém entenderia disso melhor do que ela.

Outra sensação intensa foi a de calor. Todo esse movimento aumentou minha temperatura corporal. Senti um calor que não havia sentido nem na tenda de suor xamânica. Porém, era algo que não vinha de fora, mas de dentro e junto com uma vontade quase incontrolável de tirar a roupa o que, infelizmente, não era possível. E a noite lá fora era de inverno, estava bem frio.

Eu me perguntava da onde vinha todo este calor. Comecei a sentir náuseas e precisei retomar um pouco do controle do meu corpo, diminuir o ritmo e levantar a cabeça que pendia o tempo todo para frente a fim de me recompor. A música parecia não acabar nunca e qualquer distração me levava novamente a chacoalhar meu corpo todo enlouquecido.

Após 15 minutos, que me pareceram uma eternidade, outra música marcou o início da segunda fase. Comecei a dançar de forma fluida e circular. Era como se a serpente estivesse se acalmado, mas continuasse lá, agora, se permitindo lançar para as laterais em movimentos de infinito, e minhas mãos subindo e descendo desenhando a kundalini.

Em pouco tempo começou uma nova música e sentamos todos em meditação. Percebi ainda estar enjoada e com a cabeça latejando um pouco. Apesar do desconforto, sabia que isso é resultado da movimentação de energia e da liberação de algumas toxinas. Na verdade, nesse momento, fui tomada por um sentimento de profunda gratidão.

Finalmente começou a última música e deitamos para os minutos finais de entrega. Percebi que meu corpo, após toda aquela movimentação, cada vez mais perdia o foco na respiração e fazia minha mente divagar. Foi como se a parte dinâmica tivesse conectado de uma forma mais estreita o meu corpo da minha mente. Foi interessante.

Quando a prática acabou, nos cumprimentamos com a saudação “namastê” e nos abraçamos carinhosamente, fechando o ciclo iniciado há uma hora e meia. Fiquei tão intrigada com a primeira música e seu incrível efeito sobre o meu corpo que fui conversar com Dayiti a respeito. Ela me disse que Osho dirigia e acompanhava a composição das músicas para que elas proporcionassem um resultado efetivo durante cada fase da prática.

A meditação kundalini foi uma experiência inesperada e surpreendente. Trouxe muitas de informações novas, coisas que eu não sabia a meu respeito e que agora devem ser elaboradas pelo meu intelecto, pois acredito que toda experiência resulta em um conhecimento apreendido.

Por ser uma meditação intensa, é recomendável que exista uma avaliação e um acompanhamento profissional para as pessoas em tratamento psiquiátrico ou com algum problema sério de saúde. É preciso informar as condições de saúde antes da prática.

Foto: Maurício Decourt


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