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A osteopatia na terapia craniana

Diversos desequilíbrios podem estar ligados ao movimento sutil das suturas do crânio

graceie / Pixabay / CC0 Creative Commons

A crença que a anatomia das suturas cranianas se assemelhava a uma fratura consolidada e que não permitia nenhum movimento se perpetuou por muito tempo na comunidade científica.

O osteopata Willian Garner Sutherland (1873-1954), formado na primeira turma de osteopatia de Andrew Taylor Still, acreditava que a regulação do organismo acontecia através de um movimento lento e rítmico, entre o crânio e o sacro, gerado pela dura-máter cranial e espinal. Esse movimento é chamado de MRP (Mecanismo Respiratório Primário), e fundamentalmente consiste na troca de gases e substâncias, gerada pela flutuação do líquor cefalorraquidiano (LCR), entre todas as células do corpo.

Sutherland, em The Cranial Browl, publicou esse conceito com os seguintes princípios4:

  • Existe uma motilidade inerente do cérebro e da medula espinhal;
  • Existe uma flutuação do líquido cerebroespinhal;
  • Existe motilidade nas membranas intracraniais e espinhais;
  • Existe um movimento involuntário entre o sacro e os ilíacos que está sincronizado com o movimento cranial via meninges espinhais.

Exames

Com o aperfeiçoamento do diagnóstico por imagem e após alguns estudos anatômicos3, constatou-se que as suturas do crânio apresentam várias outras estruturas, como, por exemplo, nervos e vasos sanguíneos.

Busquet1, cita o estudo experimental da mobilidade do crânio, cuja observação foi feita em paciente vivo e com a caixa craniana aberta, que encontrou os seguintes resultados:

  • Mobilidade craniana sincronizada com os batimentos cardíacos;
  • Mobilidade associada com a mudança de pressão associada à inspiração e à expiração pulmonar;
  • Dois tipos de ondas rítmicas independentes das duas anteriores.

Concluiu-se, portanto, que o crânio, por ser articulado, está em movimento. Assim, pode desenvolver disfunção osteopática da mesma forma que os ossos da coluna e dos membros. Embora a amplitude desse movimento seja mínima, é suficiente para gerar efeitos sobre o funcionamento do corpo.

A perfeita flutuação do líquor cefalorraquidiano (LCR) é essencial para a manutenção do equilíbrio do organismo. O equilíbrio é transmitido para todas as partes do corpo, graças a uma rede ininterrupta de tecido conjuntivo composto pelas fáscias.

As restrições de mobilidade nos ossos do crânio podem gerar bloqueios na fáscia craniana ou epicraniana, provocando o bloqueio da circulação natural do líquor, e, por conseguinte, diminuindo a comunicação do sistema nervoso com todo o corpo, causando disfunção ou reduzindo sua capacidade de autorrecuperação1,5.

Indicações

As indicações e benefícios da osteopatia craniana, entre outros, são para o tratamento de:

  • Dores de cabeça e enxaqueca;
  • Zumbidos;
  • Distúrbios do sono;
  • Labirintite;
  • Rinite;
  • Sinusite;
  • Nevralgias do nervo trigêmeo;
  • Dores crônicas no pescoço e na lombar;
  • Problemas relacionados a estresse e tensão;
  • Dificuldades de coordenação motora;
  • Disfunções em recém-nascidos e crianças;
  • Disfunções causadas por traumatismos cranianos e medulares;
  • Fadiga crônica;
  • Fibromialgia;
  • Disfunções da articulação temporomandibular (ATM);
  • Escoliose;
  • Disfunções do Sistema Nervoso Central;
  • Estresse pós-traumático;
  • Dificuldades emocionais; e várias outras doenças.

Em consulta

A osteopatia craniana tem como objetivo estudar a anatomia e a fisiologia do crânio e das sua possíveis inter-relações com o todo (corpo). Nas técnicas cranianas, especificamente, o osteopata libera as estruturas restritas, facilitando a restituição de mobilidade entre os ossos e as suturas cranianas, normalizando a flutuação do líquido cefalorraquidiano2.

A liberação dessas suturas pode influenciar diretamente em sintomas musculoesqueléticos, como, por exemplo: a dor no ombro pode ter relação anatômica direta com uma disfunção occiptomastóideana através do nervo acessório que inerva os músculos trapézio e esternocleidomastoideo.

Portanto, sendo o corpo uma unidade completa e indivisível, na consulta osteopática o profissional procura a disfunção e a trata, utilizando técnicas específicas, diretas ou indiretas, restabelecendo a mobilidade e a motilidade perdida entre o sistema musculoesquelético, sacrocranial e visceral.

Uma consulta osteopática consiste basicamente em:

  • uma boa anamnese, quando coletamos a história do desequilíbrio atual (sinais e sintomas) e a história clínica do paciente;
  • uma avaliação clínica para identificar possíveis lesões estruturais (diagnóstico de exclusão);
  • avaliação osteopática com testes específicos;
  • e o tratamento osteopático cuja consulta dura em média uma hora, sendo que em um caso agudo, o intervalo entre o primeiro e o segundo atendimento pode variar entre três a sete dias, e no caso crônico este intervalo normalmente é de 15 dias.

Em minha experiência pessoal, na prática clínica, a resposta ao tratamento é satisfatória em média de três consultas. O resultado pode variar conforme a queixa principal, o tempo de instalação e manutenção da disfunção e a reação do paciente ao tratamento.

Foto: Thinkstockphotos; ☰☵ Michele M. F. / Flickr: flying skull / CC BY-SA 2.0

Referências

1. Busquet L. La Osteopatía craneal. Barcelona: Editorial Paidotribo, 2003.
2. Liem, T. Cranial Osteopathy Principles and Practice. S.l. Elsevier Churchill Livingstone, 2004.
3. Schünke, M. et al. Atlas de anatomia – Prometheus. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.
4. Sutherland WG. The Cranial Bowl. S.l. Free Press Company, 1939.
5. Upleger J. E. Craniosacral Therapy. California: North Atlantic Books, 2001.