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O uso consciente da fitoterapia

Mesmo nas grandes cidades, o brasileiro usa plantas medicinais e mantém esse costume ancestral

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O Brasil possui a maior diversidade de flora do mundo, com mais de 55 mil espécies de plantas ou 22% do total conhecido no mundo. Centenas delas são utilizadas de forma medicinal e a grande maioria ainda não foi estudada pelas ciências biomédicas. Nossos índios, assim como outros povos do mundo, ainda recorrem a esse conhecimento natural e milenar. O uso da fitoterapia não é restrito aos seres humanos. Há uma área dentro da etnobotânica que estuda o uso de plantas pelos animais. Os cães, por exemplo, ingerem determinadas plantas quando sentem algum desconforto gastrointestinal.

Panorama

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a fitoterapia é utilizada por cerca de 80% da população mundial como forma de atendimento básico e é reconhecida como recurso terapêutico desde 1978.

No Brasil, apesar do amplo potencial, somente em 2005 o Sistema Único de Saúde (SUS) aprovou a Política Nacional de Medicina Natural e Práticas Complementares e, posteriormente, o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos para incentivar o uso da fitoterapia.

Grande parte dos medicamentos atuais veio de estudos com plantas medicinais. A dedaleira (Digitalis spp.), por exemplo, é utilizada para fornecer glicosídeos cardiotônicos usados para insuficiência cardíaca. Das sementes da papoula (Papaver somniferum) é extraído um poderoso analgésico, a morfina.

Para elaboração de um fitofármaco, substância ativa isolada ou mistura de matérias-primas vegetais, é necessário analisar a composição do vegetal e isolar seus princípios ativos em um processo de intensas pesquisas e testes. Os medicamentos alopáticos são considerados monodrogas, ou seja, possuem apenas uma substância principal concentrada na composição e têm eficiência comprovada. Contudo, o impacto no organismo de uma substancia química, ou seja, sua ação e efeitos colaterais, é proporcional à dosagem.

Benefícios da natureza

Se os produtos alopáticos são tão eficientes, por que usar fitoterápicos ou plantas medicinais in natura em forma de chá ou tintura? As plantas possuem centenas de substâncias em sua composição e a ação delas em conjunto é que faz o efeito do medicamento.

A associação de substâncias de plantas medicinais, geralmente com dosagens mais baixas que os medicamentos comuns, é uma estratégia interessante e segura para alguns problemas rotineiros de saúde.

Diversidade e cuidados

É importante salientar que a fitoterapia deve ser empregada com cuidado, principalmente em virtude de possíveis erros na dosagem e confusão entre nomes das plantas. Algumas têm aparência, gosto e até mesmo odor semelhante.

A erva-cidreira é um exemplo disso. Em alguns lugares do Brasil, é possível enumerar plantas completamente diferentes chamadas dessa forma, uma delas imprópria para terapêutico. O mesmo acontece com o boldo. Assim, para não haver erro no momento da compra, é importante saber o nome científico da planta.

Uso consciente

A opção pelo uso integral ou parcial de plantas medicinais para tratamento deve ser acompanhada por um profissional especialista em plantas medicinais e um médico ou outro profissional de saúde adequado para cada caso.

Em razão do grande número de falsificações, recomenda-se evitar barraquinhas ou lojas que não informem a procedência do produto. A forma mais segura de uso é plantar algumas delas em casa.

Dicas para uso caseiro

Algumas plantas medicinais são muito conhecidas popularmente e utilizadas inclusive como temperos. A lista a seguir, com nome científico e indicações de uso terapêutico, mostra as mais comuns:

Manjericão (Ocimum basilicum)
Ajuda na digestão, funcionamento dos intestinos e diminuição de febre. É diurético, bom para tosse, cistite, diminui os gases, azia e dores de cabeça ligadas a alimentos ingeridos. É indicado também para tratamento de mau hálito e problemas bucais.

Como é um tempero muito comum, suas folhas e flores podem ser usadas no arroz, em pizzas, tortas e carnes. Para o preparo de chá, usa-se uma colher de sopa rasa do manjericão fresco picado para uma xícara de água em infusão (deve-se cobrir com água fervente e abafar por 10 minutos).

Erva-doce (Pimpinella anisum)
A erva-doce pode ser usada como calmante, cicatrizante, diurético, estimulante gastrointestinal, expectorante, galactogênio (melhora a produção de leite), sudorífico e tônico. O chá das folhas ou das sementes deve ser usado em infusão. Pode-se também adicionar as sementes como tempero em doces e salgados.

Tomilho (Thymus vulgaris)
Planta de grande uso na culinária, fitoterapia e aromaterapia, é indicada para problemas relacionados às vias respiratórias e processos digestivos. Serve também para temperar carnes, peixes, verduras, legumes, queijos, pizzas, aromatizar azeites e vinagres, rechear pepinos, tomates, pimentões, berinjelas e embutidos. Contribui para a conservação da carne, pois evita o desenvolvimento de fungos. Deve-se utilizar as flores e folhas frescas ou secas ao sol.

Hortelã-verde (Mentha spicata)
De origem asiática, é cultivada e apreciada em todo o mundo em razão de suas essências aromáticas. É utilizada como tempero, aromatizante em produtos alimentares e planta medicinal, inscrita inclusive nas farmacopeias de muitos países da Europa.

Pode ser usada como estimulante, tratamento de desequilíbrios estomacais, flatulências, vômitos e cólicas uterinas. É útil nos catarros brônquicos, pois facilita a expectoração e eficiente em verminoses. O chá também é um bom calmante.

Sálvia (Salvia officinalis)
A sálvia é uma planta natural da região Mediterrânea cultivada em várias regiões do mundo para fins culinários e medicinais. Suas folhas são verdes, em forma de lança (lanceolada) e cobertas por pequenos pelos e suas flores violetas e pequenas. Por ter odor forte e perfumado, é muito apreciada na culinária. Tem propriedades antissépticas e é comumente utilizada como gargarejo para tratar afecções bucais, como dor de dente, sangramento na gengiva, dor de garganta e úlceras. O chá de sálvia também é recomendado para febres, problemas digestivos e estomacais.