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O infinito mundo dos aromas

Biodiversidade nacional oferece diversos óleos essenciais e inúmeras possibilidades de pesquisa

Mayra Corrêa e Castro / Flickr: Perfumaria Botânica Natural Cistus creticus / CC BY-SA 2.0

Além dos efeitos físicos, a aromaterapia também é usada para tratar estados emocionais e mentais

Quem estuda aromaterapia acaba tomado pelo extenso material que existe no setor e também pela necessidade incessante de atualização e pesquisa para conhecer mais as propriedades dos óleos essenciais. É um mundo que se descortina à nossa frente. A atuação do aromaterapeuta carrega em si vasta possibilidade de aplicações e, principalmente, é marcada pela receptividade do mercado em relação a essa (relativamente) nova profissão. O especialista dessa área deve, em primeiro lugar, certificar-se de que utiliza óleos essenciais de qualidade, pois corre o risco de não ver os resultados esperados e frustrar-se, porque o trabalho em torno da pesquisa do óleo, a aplicação do mesmo e o uso diário pelo cliente têm como base a utilização do material com qualidade.

O Brasil destaca-se na produção mundial de óleos essenciais, mas sofre de problemas crônicos como a falta de manutenção do padrão de qualidade dos óleos, a representatividade nacional e os baixos investimentos governamentais no setor. Tudo isso gera um quadro estacionário1.

Joio do trigo 

A indústria da perfumaria sintetiza a maioria dos perfumes em laboratório, sem preocupações medicinais.

Os químicos podem dizer que não há diferença. Muitos deles afirmam que os coquetéis químicos produzidos em laboratório e os naturais são mais ou menos os mesmos. Alguns chegam a defender a tese de que a versão química é melhor.

A lógica é que existem cem componentes em um óleo (como é o caso do neroli, óleo da flor da laranjeira), mas somente cinco ou dez deles produzem o aroma. O neroli natural, segundo eles, não pode ser testado com segurança porque é muito complexo, logo eles defendem que a “cópia” química é mais segura.

Nenhum laboratório pode produzir um “neroli” que faz o que o neroli natural faz, porque ninguém ainda descobriu todos os seus minúsculos componentes. Segundo Price2, esse óleo é antidepressivo e ligeiramente tranquilizante. Além de ajudar a dormir, é neurotônico e eleva o ânimo quando aparece a fadiga.

Os 90 ou 95 outros componentes são descartados porque dizem que não se necessita deles, mas isso vai depender do que está se tentando replicar: o aroma ou o efeito? Uma coisa é testar individualmente um grupo de componentes químicos para a inclusão em um produto e declará-los seguros; outra, muito diferente, é entender o produto como um todo, em todas suas interações químicas naturais possíveis entre esse produto e o nosso.

A grade terapêutica comprovada e a qualidade dos óleos essenciais no país são profundamente afetadas negativamente por fatores como: inexistência de regras de qualidade vigentes; falta de uma padronização exclusiva para o setor aromaterapêutico; alterações nos óleos em função de diferentes características definidas através de fatores do meio tais como o clima, o relevo, a radiação, o tipo de solo, a composição atmosférica e a precipitação pluvial; adulterações com naturais de valor inferior; e adulteração com sintéticos.

Benefícios integrais

Isso é importante porque a aromaterapia é utilizada não somente pelos efeitos antimicrobianos, antivirais e anti-inflamatórios, mas também por seus efeitos sobre os estados emocionais e mentais3.

A aromapsicologia, por exemplo, especificamente refere-se ao uso de óleos essenciais para afetar positivamente a mente. Ela é capaz de melhorar a memória, acelerar o aprendizado, melhorar o humor ou aumentar a confiança.

Essas estimulações mentais têm um impacto direto na atuação diária e nas aplicações práticas dos óleos e estão sendo utilizadas atualmente por uma larga quantidade de organizações.

Como mente e corpo são uma unidade integrada, o termo “aromapsicologia” é de alguma forma insatisfatório, mas ainda é útil para denotar o grau no qual funções mentais e corporais são envolvidas ao mesmo tempo. Exemplo: se você queima sua mão e coloca óleo de lavanda, existe uma aplicação física embora esse óleo também atenue o choque e ajude a relaxar. Chamamos isso de aromaterapia.

Se você está oferecendo uma festa e quer que a sala tenha um aroma que faça seus hóspedes relaxarem, você pode escolher uma sinergia de óleos e colocar em um difusor. Mas, pela química existente, algumas pessoas poderão também percebê-los fisicamente (por exemplo, o óleo de olíbano – Boswelia carteri – é calmante, mas pode também ajudar alguém que esteja com dores reumáticas). Essa é a fronteira entre aromaterapia e aromapsicologia.4

Assim, conforme estendemos o uso dos óleos essenciais para tratarmos outras esferas além do corpo (mental e emocional), compreendemos a importância de trabalharmos com matéria-prima de qualidade. Só dessa maneira é possível confiar nos resultados, já que toda a terapia pauta-se nas propriedades químicas dos mesmos.

Tratamentos como impressão digital

A aromaterapia em sua essência busca trazer equilíbrio e harmonia para a pessoa em tratamento, usando os óleos essenciais como um veículo para manter ou restaurar o equilíbrio das partes de seu organismo que estavam com atividade afetada em relação à unidade.

Não é possível administrar um bom e duradouro tratamento, levando em conta apenas partes isoladas do ser humano, negligenciando o seu ser integral. Assim como também não é adequado tratar todas as pessoas de forma exatamente igual, como se fossem um só ser, fabricado em série, como parafusos ou máquinas.

Foto: Ingram Publishing / Thinkstockphotos


Veja também:
Aromaterapia e os óleos essenciais
O que é aromaterapia?
Aromaterapia contra o estresse

Referências

1. Bizzo e Rovell, 2009.

2. Price, 2009.

3. Cannard, 2006.

4. Worwood, 1996.