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Jung e Bach: uma visão do ser

As semelhanças entre a visão do ser e o processo de cura

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O ser humano é o objeto de estudo da psicologia, certo? Mas qual? O de Darwin? O da Bíblia? Quem é esse ser que se comporta, pensa, sente e age no mundo? A resposta a essa pergunta é que faz com que a psicologia, como área de conhecimento, se dividida em diferentes linhas de pesquisa e atuação, por vezes até contraditórias.

Conhecedor da mente

Quando olhamos para os homens Carl Gustav Jung e Edward Bach, suas filosofias e teorias de cura, não parece haver controvérsia.Jung nasceu na Suíça em 26 de julho de 1875, sob o signo de leão, cujo elemento é fogo.Desde cedo tinha interesse pelas mais diversas áreas do conhecimento como a filosofia, as religiões, a arqueologia, a história dos povos e seus símbolos, característica que o acompanhou ao longo da vida e que teve influência decisiva na sua psicologia analítica.

Conseguiu aos38 anos uma posição destacada no campo profissional e científico. Era bastante procurado em seu consultório particularaté que algumas discordâncias fundamentais entre ele e o psicanalista austríaco Sigmund Freud a respeito da libido e da existência de uma dimensão do inconsciente, que Jung chamou de coletivo, os afastaram definitivamente.

Jung então decidiu romper também com a Associação Psicanalítica Internacional da qual era presidente, abrir mão de sua carreira universitária, seu caminho estabelecido, para ter a liberdade de evoluir seus estudos em direção ao que acreditava profundamente.Nos 48 anos seguintes até sua morte, em 1961, aos 86 anos,o suíço publicou intensamente e viveu sua vida em acordo com a sua teoria, atendendo e ensinando a sua psicologia analítica.

Pesquisador do corpo

Edward Bach nasceu na Inglaterra, em 24 de setembro de 1886, sob o signo de libra, elemento ar. Desde criança tinha profunda conexão com a natureza e demonstrava traços da sua personalidade idealista e determinada, assim como uma grande capacidade de concentração e compaixão por todos os que sofriam.

Com 26 anos estava formado em Medicina pela Universidade de Birmingham e já trabalhava no University College Hospital em Londres. A intensa atividade profissional lhe causou uma severa hemorragia e aos 31 anos lhe foram dados não mais quetrês meses de vida.

Bach então mergulhou dia e noite nas suas pesquisas. Estava obstinado a se aprofundar no caminho para descobrir a verdadeira cura para as doenças. Depois detrês meses estava completamente curado, para inconformidade de seus colegas médicos. Esse fato influenciou fortemente a base de sua teoria, sugundo a qual o ser humano na face da Terra tem uma razão para estar e quem está em sintonia com a sua verdadeira missão de vida vive em equilíbrio, com saúde física e mental.

Em 1930, com 44 anos,Bach resolveu deixar tudo que havia construído em Londres, a fama e a posição financeira confortável, para mergulhar na natureza de Gales, onde ele sentia que estava perto de desenvolver o sistema de cura que desde criança ele imaginava existir.

Nosseis anos seguintes até sua morte, Bach viveu intensamente cada estado emocional que o permitiu encontrar as flores, que vibrando positivamente o oposto da emoção sentida, lhe devolviam o equilíbrio reduzindo o sofrimento.

O ser como laboratório

A vivência do processo terapêutico em si mesmo, confundindo suas histórias e práticas, e o rompimento com o paradigma vigente à época foram marcas necessárias nas histórias desses homens para que pudessem seguir a voz interior e mergulhar nos propósitos que acreditavam. E mostram sobretudo a manifestação da coragem de seguir em direção àquilo que acreditavam profundamente, entregando suas vidas.Da mesma maneira, ao olhar para a resposta deles à nossa pergunta inicial, podemos ver mais profundamente essa conexão.

Conexões

Para Jung, a energia psíquica não se limita à energia sexual, mas diz respeito à energia vital, que permeia todo o corpo. E a dinâmica dessa energia – entre as várias camadas consciente e inconsciente – acontece no sentido da complementaridade – não há opostos com começo e fim e sim um continuum de experiências entre os opostos que vão se modificando e afetando todo o tempo. Assim como a física quântica mostra que dentro do átomo a mesma energia se manifesta como partícula e onda, para Jung a energia psíquica se manifesta como matéria e espírito.

Também para Jung, o inconsciente não se limita ao pessoal – emoções e desejos reprimidos – mas tem uma outra camada mais profunda que ele chamou de inconsciente coletivo. Nele está o conhecimento total da humanidade, armazenado nos arquétipos– imagens primordiais carregadas de energia das experiências coletivas que reforçam, a todo momento, essa carga energética.

Ou seja, para Jung há uma dimensão de troca energética entre a psique individual e de todos os seres humanos, através do inconsciente coletivo. Nossos símbolos individuais– nossos sonhos, marcas, emoções e sentimentos, nossa forma de funcionar no mundo – são o que une nossa expressão consciente ao nosso inconsciente mais profundo, tendo no processo de individuação seu objetivo maior.

O processo de individuação consiste em integrar nossas partes dissociadas, inconscientes, ao ego, consciência, para realizar o nosso self (si-mesmo). Desde que nascemos buscamos nos adaptar ao ambiente, às regras, à família e à sociedade, como forma de sobreviver e ser amado, mas essa adaptação pode nos afastar de nosso verdadeiro eu, nossa Alma inata que viemos realizar. Individuar é realizar o ser único que somos. É preciso desapegar do corpo (ego) e se entregar à alma (self).

Nesse processo, a religiosidade é uma dimensão do ser humano que não pode ser negada. Jung coloca a religiosidade como uma função natural, inerente à psique, encontrada em todos os povos conhecidos. Jung usa a palavra religião no sentido do religio = re e ligare. Ou seja, religar os aspectos conscientes (ego) às profundezas do inconsciente (self), individuar-se.

Na visão do Bach: "Para se compreender a natureza da doença, certas verdades fundamentais têm de ser compreendidas.

A primeira é que o homem possui uma Alma que é o seu eu real; um Ser Divino, Poderoso, Filho do Criador de todas as coisas, do qual o corpo, ainda que seja o templo terreno dessa Alma, não passa de um mínimo reflexo;

A segunda é que nós, tanto quanto sabemos acerca de nós próprios neste mundo, somos personalidades vindas aqui com a missão de obter todo o conhecimento e toda a experiência que podem ser adquiridos ao longo da existência terrena: de desenvolver virtudes de que carecemos, de extinguir tudo que é defeituoso dentro de nós e, dessa forma, avançar em direção à perfeição de nossas naturezas.

Em terceiro lugar, devemos compreender que a curta passagem por esta terra, que conhecemos como vida, não é mais que um breve instante no curso da nossa evolução, assim como um dia na escola está para uma vida e, embora possamos no momento ver e compreender somente esse único dia, nossa intuição nos diz que o nascimento esteve infinitamente longe do nosso começo e a morte infinitamente longe de nosso fim2.

Controvérsias em nós mesmos

Bach afirma ainda que ficamos doentes quando existe um conflito entre os desígnios da nossa alma e a nossa personalidade, ou seja, aquilo que fazemos de nossas vidas em função dos nossos desejos terrenos ou dos desejos dos outros ao nosso redor e que nos afastam dos desejos da nossa própria alma; ou quando cometemos atos contra a unidade maior, agindo com crueldade contra nós mesmos ou contra aqueles ao nosso redor ou mesmo quando dominamos um ser, não permitindo que ele viva livremente os desígnios de sua própria alma.

Com base nesse entendimento de que cada alma precisa viver as experiências necessárias a esse momento evolutivo na face da Terra para que possa seguir no caminho rumo à perfeição e volta à unidade criadora, Bach sistematizou seu conjunto de 38 florais que têm em si todas as virtudes necessárias ao pleno desenvolvimento do ser humano na face da Terra.

O floral atua na nossa camada energética. A física moderna mostrou que no centro do átomo, os elétrons ora se comportam como partículas, ora se comportam como ondas vibratórias, portanto, o átomo vibra. E se o átomo vibra e tudo que existe no Universo é constituído de átomos, tudo vibra, nós vibramos. Assim, a vibração das flores interage com a vibração humana tendo a capacidade de transformá-la na virtude oposta.

“Devido às suas vibrações elevadas, certas flores, árvores e arbustos silvestres têm o poder de elevar nossas vibrações humanas e abrir os canais para ouvirmos as mensagens do nosso Eu Espiritual, inundar nossa natureza com a virtude específica de que precisamos e remover de nós a falha que está causando o sofrimento”3.

Transdisciplinaridade

E esse ser, que é corpo e espírito, que é parte e todo com a natureza, que vibra em consonância ou discordância harmônica com tudo que o cerca e que tem como objetivo a evolução em direção ao ser total e integrado consigo e com o todo, é o ser humano que está na base da psicologia junguiana e da terapia floral de Bach.

É essa visão que Jung e Bach tinham como norte para o processo terapêutico proposto por eles, cujo objetivo é revelar o "ser"mais puro e verdadeiro em cada um de nós.

Trabalhando a energia mais superficial e densa da consciência para atingir a energia mais profunda e sutil do inconsciente é que o ser humano poderia chegar ao encontro de si-mesmo, seu equilíbrio, sua saúde e felicidade.

Referências

1. Bach, Edward. Os remédios florais do Dr. Bach. São Paulo: Pensamento, 1997.

2. Bach, Edward. Cura-te a ti mesmo. In Bach, Edward. Os remédios florais do Dr. Bach. São Paulo: Pensamento, 1997.

3. Bach, Edward. A terapia floral. In Bach, Edward. Escritos selecionados. 9ª ed. S.l.: Ground, 1991.

4. Grinberg, Luiz Paulo. Jung, o homem criativo. São Paulo: FTD, 1997.

5. Guimarães, Carlos Antonio Fragoso. A física moderna. In: Percepção e consciência. S.l.,1997.

6. Jung, Carl Gustav. Memórias, sonhos e reflexões. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1975.

7. Jung, Carl Gustav. O eu e o inconsciente. In Jung, Carl Gustav. Obras completas. Vol. VII/2. 16ª ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2002

8. Jung, Carl Gustav. Fundamentos da psicologia analítica. In Jung, Carl Gustav. Obras completas. Vol. XVIII/1. 10ª ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2001.

9. Jung, Carl Gustav. (Org.) O homem e seus símbolos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,1977.

10. Magaldi, Waldemar. Dinheiro, saúde e sagrado. 1ª ed. S. l.: Eleva Cultural, 2006.

11. Silveira, Nise da. Jung, vida & obra. 18 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997.

12. Weeks, Nora. As descobertas médicas de Dr. Edward Bach. Campinas: Instituto Dr. Edward Bach, 1997.