Namu é

Conheça mais sobre o NAMU

Saiba mais sobre

Educação para enxergar melhor o mundo

O desafio dos professores é mostrar aos seus alunos que a escola é um espaço de cultura e colaboração

Ana Alcântara / Projeto Âncora

A relação entre educador e aluno não é mais de hierarquia, mas de colaboração e empoderamento

Quinze de outubro é dia dos professores. Nas redes sociais geralmente surgem homenagens por todos os lados ao profissional que participou da formação daqueles que independentemente da ocupação, ideologia ou cor preferida, pisaram em uma escola para aprender a ler, escrever, contar e enxergar melhor o mundo (ou enxergar o mundo melhor, conforme os professores que conheceram).

Sofrer ou aprender

Coincidência ou não, é nessa semana também que os alunos de muitas universidades e colégios celebram a já conhecida “semana do saco cheio”, que consiste em passar cinco dias úteis consecutivos sem encontrar professores e, desse modo, descansar e poder se dedicar melhor aos estudos, às provas e outras obrigações que as instituições de ensino exigirão no final da semana e do curso.

Esse período ocorre, curiosamente, pouco mais de dois meses após as férias de julho chegarem ao fim. Isso nos faz crer que, embora o professor seja essencial e importante à vida de todos, ele compartilha uma prática cansativa, que nos leva ao esgotamento e está quase sempre associada ao sofrimento. Por isso, muitos alunos suplicam por uma semana de folga quando as avaliações decisivas se aproximam.

Professora ensina aluna a escrever

Educação para quê?

Durante as colações de grau, é comum ver o clássico momento em que os alunos, sorrindo e vibrando, jogam os capelos para o alto. Sempre me questionei se estão comemorando a conclusão de uma etapa ou a libertação das obrigações daquele ciclo de aprendizado. Contudo, ao observar suas expressões, sempre me convenci de que aquilo era um grito de liberdade, principalmente se comparado a todos os momentos formais que antecedem esse momento da cerimônia.

Outra curiosidade que sempre me chama a atenção é a comemoração pela proximidade das férias e o lamento por seu fim. Muito parecida, inclusive, com as manifestações que relacionam a sexta-feira à liberdade e a segunda-feira ao sofrimento. Essa atitude se reflete com a maioria dos adultos na esfera do trabalho.

Tudo é escola

Devo entender então que o bom da vida acontece longe do trabalho e da escola? Ou a escola prepara o aluno para o mercado e não para a vida? Nossos professores dedicam-se apenas a compartilhar conhecimento para que seus alunos sejam felizes ou cumpram bem tarefas em seus empregos?

Responder a tais perguntas é um desafio, mas aprecio os raros momentos em que encontro educadores que buscam entender a relação de igualdade (e não de chefia) estabelecida com seus alunos e os inspiram a aprender melhor a dividir que multiplicar, a serem melhores perguntadores que respondedores, melhores construtores que reformadores, em suma: melhores compartilhadores que competidores.

Acredito que o papel do educador seja o de apresentar o mundo ao seu aluno e refletir com ele sobre como torná-lo melhor. Afinal, buscar novas possibilidades pode tornar o mundo melhor e mais feliz do que enxergar o que aí está.